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sexta-feira, 25 de abril de 2008

Programas policiais: faces e máscaras
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Rachell Shallon
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A violência, enquanto fato jornalístico, está sempre presente na grande imprensa. Alguns programas de TV, como “Linha Direta”, da Rede Globo e “Cidade Alerta”, da Record, são inteiramente voltados para a violência urbana, objetivando mobilizar grande audiência a qualquer custo.
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Pesquisas acadêmicas sobre a veiculação da violência nos meios de comunicação de massa, apontam para uma dramaticidade exagerada e manipulação intencional das informações. Para a pesquisadora do Núcleo de Estudos e Projetos em Comunicação da UFRJ, Elizabeth Rondelli, a cobertura de fatos violentos pela grande mídia causa comoção na opinião pública quando envolve a participação da polícia.
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A briga constante pela audiência levou os programas policiais brasileiros ao extremo, sobretudo os telejornais. Quanto mais imagens apelativas o assunto render, maior é o apetite desses programas. Por isso a preferência por imagens chocantes, como: cadáveres mutilados pela violência urbana, suicídio em andamento, tragédias naturais e acidentes de grandes proporções. Outro aspecto que chama a atenção é que os acusados por crimes não têm o benefício da dúvida. São inapelavelmente julgados e condenados pelos repórteres e apresentadores. Ou seja, não funciona aquele princípio que diz: “alguém é inocente até que se prove o contrário”.
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Para o jornalista do programa “A Hora da Verdade”, Jonas Batista, esses programas demonstram uma dramatização exagerada, mas ressalta que não há manipulação das informações pois estão sendo relatados fatos. “A audiência dos programas policiais reside na apresentação da realidade nua e crua de algumas classes da sociedade, que convivem no seu dia-a-dia com a violência, a falta de escolaridade, o tráfico de drogas, a prostituição, entre outros problemas”, afirmou Jonas.
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Na tentativa de estabelecer critérios, o Ministério da Justiça classificou em 2003 cinco telejornais policiais – entre eles o “Cidade Alerta” (TV Record) e “Brasil Urgente” (Band) – como inadequados para exibição antes das 21 horas, pelo teor de violência que expõem. De acordo com o critério de classificação indicativa (por faixa etária) do Ministério da Justiça, esses programas são impróprios para menores de 14 anos. A decisão, inédita, abarcava ainda três programas locais de Fortaleza-CE. Porém, no dia seguinte à publicação no “Diário Oficial” do despacho que classificou os programas, a medida foi revogada, sob a justificativa de que estava com “incorreções’’.
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Segundo Mônica Vieira, espectadora assídua dos programas policiais, não há problema quanto à violência mostrada porque ela é real, não pode ser encoberta, só não pode ser exagerada. “O que não gosto é a repetição de um determinado fato, várias vezes ao dia e durante a semana. Torna-se cansativo”, disse Mônica.

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