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terça-feira, 30 de março de 2010

Jornalismo de Precisão: uma saída
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Regiane Santos Barbosa
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Jornalismo de precisão é a aplicação de métodos de pesquisa das ciências sociais ao jornalismo. "O domínio da metodologia científica das ciências sociais e sua possível aplicação ao jornalismo constitui a coluna vertebral dessa modalidade jornalística". O criador do método é o americano Philip Meyer. Ainda estudante da Universidade de Havard, ele já era um estudioso dos métodos empíricos de investigação social. Como repórter do Detroit Free Press, ele utilizou as técnicas das ciências sociais para estudar os subúrbios de Detroit.
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A pesquisa feita para essa reportagem derrubou as duas teorias até então aceitas sobre os atos de vandalismo na cidade. Ao contrário do que se pensava, as depredações não partiam predominantemente de pessoas com baixo nível de instrução e de negros oriundos do Sul. Com o cruzamento de dados apurados com embasamento em métodos das ciências sociais, Meyer descobriu que pessoas com curso superior haviam participado dos estragos em porcentagens próximas às que não tinham completado o segundo grau.
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A partir dessa reportagem, o jornalista iniciou uma série de reflexões sobre a aplicabilidade destas ferramentas ao jornalismo, que culminou, em 1973, com a publicação do livro “A reporter´s introduction social science methods”. Em 1991, Meyer publicou seu segundo livro sobre jornalismo de precisão: “The new Precision Journalism”, que explica a aplicação direta de ferramentas como amostragem e inferência estatística nas reportagens para "aumentar o poder tradicional do repórter sem mudar a natureza de sua missão – encontrar os fatos, entendê-los e explicá-los".
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Ainda nesta obra, Meyer discute a Reportagem Assistida por Computador, sub-tema do jornalismo de precisão no qual o repórter usa e analisa informações provenientes de banco de dados da internet. Para Meyer, a falha no jornalismo é que ao mostrar os dois lados conflitantes, o jornalista não tem embasamento suficiente para tirar nenhuma conclusão. Já no jornalismo de precisão, o repórter, armado com os métodos de investigação científica, pode fazer avaliações úteis sobre o tema analisando, uma vez que está munido de metodologia e da objetividade da ciência.
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O repórter que pretende incorporar a prática do jornalismo de precisão deve conhecer e compreender conceitos de diversas áreas das ciências humanas, como sociologia, antropologia, psicologia e filosofia e ainda deve estar ciente de que, mesmo sendo dono de vasto conhecimento, nenhuma verdade, mesmo que pesquisada, medida e avaliada por métodos científicos, é absoluta. "O sentimento de certeza não é o teste da certeza. Já tivemos certeza absoluta de muitas coisas erradas". A premissa básica do jornalismo de precisão é saber o que fazer com os dados. Para isso, o repórter precisa conhecer e compreender as cinco etapas para o desenvolvimento do trabalho no jornalismo de precisão.
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A coleta de dados é a primeira delas. Ela consiste em ir a campo para realizar pesquisas definidas previamente após estudo que engloba qual método adequado para coletá-los. O passo seguinte fundamenta-se no armazenamento dos dados, através da criação de banco de dados, o que facilita a execução da próxima fase, o manejo correto dos dados apurados. Na penúltima fase, a de análise dos dados, observa-se que o jornalista pode encontrar desvios e fenômenos que variam por motivos ainda desconhecidos. Neste caso, ele precisa utilizar outras linhas de raciocínio para chegar à conclusão. Para comunicar essa análise à sociedade, o repórter deve ficar atento para traduzir, em linguagem simples e objetiva, informações e dados complexos, porque uma reportagem não entendida torna-se uma reportagem perdida.
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FONTE: www.observatoriodaimprensa.com.br
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Retirada de tatuagem atrai jovens
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O preço acessível e a variedade de formas e cores levou muita gente a optar por ter uma tatuagem na pele. Os desenhos são feitos com pigmentos que atingem vários níveis da derme, o que permite a duração prolongada das ilustrações. O curioso é que, assim como cresce o número de pessoas tatuadas, aumenta também a quantidade de consultas para retirar os desenhos. Dermatologistas do mundo todo recebem diariamente jovens e adultos insatisfeitos com suas tatuagens, pedindo para que elas sejam removidas. Isso pode ser explicado pela popularização dos tratamentos com laser, que apresentam ótimos resultados.
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"Décadas atrás, a saída para esses casos era a retirada cirúrgica ou a dermoabrasão, que consiste no lixamento da pele tatuada", conta a dermatologista Christiana Blattner. Mesmo com a retirada do desenho, esses procedimentos facilitavam o surgimento de cicatrizes que incomodavam mais do que a tatuagem. A tecnologia a serviço da estética deu um ponto final nesse período. Dois tipos de laser se destacam como os melhores para a retirada das tatuagens: Alexandrite e o ND-Yag.
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"Os lasers Alexandrite e ND-Yag atuam somente nos pigmentos, sendo menos agressivos, menos invasivos. Eles explodem os pigmentos da tatuagem em partículas menores, sem ocorrência de cicatrizes, por isso permitem a recuperação mais rápida da pele", esclarece a médica, que trabalha há 18 anos com lasers. A dermatologista explica que as aplicações de laser são de acordo com a cor do desenho: o laser de Alexandrite é utilizado para tatuagens escuras; já para remoção de cores vermelhas e amarelas utiliza-se o ND-Yag laser. Em ambos os casos, a aplicação do laser promove uma explosão do pigmento em partículas menores que serão absorvidas pela pele.
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O procedimento para a retirada das tatuagens é dividido em sessões, de acordo com o tamanho e o local da tatuagem. Blattner esclarece que o sucesso do procedimento depende também de outros fatores como cores utilizadas nos desenhos e da profundidade do pigmento na pele. "É necessário dizer que há pigmentos complexos de serem retirados, como o vermelho e marrom, pois eles são produzidos a partir do óxido de ferro, muito comum para destacar as sobrancelhas. Com a aplicação do laser, eles podem escurecer", conta a dermatologista.
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A médica Christiana Blattner ressalta que as sessões não são totalmente indolores, mas o tratamento é bem suportado. Ela faz um alerta, pois a facilidade da retirada fez com que jovens se arrependessem dos desenhos precipitadamente. "Sempre converso antes com o paciente, peço para ele me procurar dentro de dois meses, porque do mesmo jeito que ele foi precipitado para fazer a tatuagem, ele pode estar sendo para ficar sem ela", conta. É importante que o paciente também saiba que, em muitos casos, não é possível remover toda a tatuagem. Pigmentos mais profundos continuam na pele, como se fossem uma sombra do que foi a tatuagem. Há casos em que a pele tratada fica mais clara, como uma mancha, ou mais escura, por conta da hiperpigmentação.
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FONTE: http://www.jornalbleh.com.br
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Ipuarana: um museu, uma História
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Lúcia França (*)
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A Estação Cabo Branco Ciência, Cultura & Artes - localizada no Altiplano Cabo Branco, em João Pessoa - recebe até o próximo dia 02 de maio a exposição “Ipuarana: um museu, uma História”. Os horários de visitação foram organizados da seguinte forma: de terça a sexta-feira, das 9h às 21h; sábados e domingos, das 10h às 21h.
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O Museu de Ipuarana é hoje o mais importante detentor de acervo indígena na Paraíba, com uma enorme quantidade de peças museográficas que abordam as missões dos frades Franciscanos nas tribos indígenas Mundurucus, Pataxós e Tyriós. Logo, a exposição será composta por indumentárias, objetos de culto, resquícios arquelógicos, instrumentos musicais e armas, além de acervos de outras tribos locais. Teremos, assim, a grata oportunidade de tratar da questão étnica, pois iremos mostrar um acervo valiosíssimo e desconhecido de muitos paraibanos.
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A exposição além de agregar valor histórico, científico e de resgate identitário, colabora com o Convento Santo Antônio, no sentido de divulgar e chamar a atenção para o Museu de Ipuarana, fechado por falta de condições da Ordem em mantê-lo aberto a visitação pública. Mais informações pelos telefones: (83) 3214-8303 / 3214-8270.
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(*) Curadora Geral da Estação Cabo Branco.
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segunda-feira, 29 de março de 2010

Comunicadores lançam rede pela Reforma Agrária
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Cristina Charão
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Diante da constatação de que as elites tem na grande mídia um dos seus principais instrumentos de ataque aos movimentos sociais, foi lançada no dia 25/03, em São Paulo, a Rede de Comunicadores em Defesa da Reforma Agrária. A rede pretende ser o início de uma contra-ofensiva à criminalização dos movimentos, em especial das organizações que lutam pelo direito à terra no Brasil. Sua primeira tarefa deve ser fazer frente às movimentações de ruralistas e dos veículos tradicionais em torno da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI), montada para, mais uma vez, colocar o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) na berlinda.
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A intenção dos idealizadores da rede é que eventos como o que lançou a rede em São Paulo se repitam país afora. Na capital paulista, o lançamento reuniu João Pedro Stédile, coordenador do MST, e o jornalista Paulo Henrique Amorim em um debate com três dos comunicadores que fazem parte da rede - Altamiro Borges, do Portal Vermelho, Verena Glass, da ONG Repórter Brasil, e José Augusto Camargo, presidente do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Estado de São Paulo.
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Stédile afirmou que está em curso uma tentativa de criminalizar qualque movimento que se pretenda político ou ideológico. “Pobre se organizar para pedir alguma coisa pode. Mas pobre com ideologia, não pode”, ironizou para lembrar que qualquer iniciativa como a rede de comunicadores, ainda que tratando do tema da reforma agrária, estará também atuando no quadro maior da criminalização dos movimentos sociais. Refletindo especificamente sobre a conjuntura específica da questão da reforma agrária, o líder sem terra apontou que o quadro dos conflitos em torno da terra é bem mais complexo do que há 20 anos. A briga não é mais contra o “latifundiário atrasado”, mas contra as grandes corporações internacionais do setor de alimentos aliadas aos fazendeiros capitalistas.
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Aliança entre elites
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Nesta nova conjuntura, as corporações contariam com meios mais elaborados para destruir seus adversários, entre eles a grande mídia. “Hoje, quando os companheirinhos lá do interior do Pará ocupam as terras do Daniel Dantas [dono do Banco Oportunity e que comprou 56 fazendas no sul daquele estado recentemente, somando 10 mil hectares], não é mais pistoleiro contratado que chega lá primeiro, mas o helicóptero da Globo”, disse o coordenador do MST.
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A intervenção da grande mídia se justificaria, segundo Stédile, não só por uma solidariedade entre as elites, mas também porque a atuação dos movimentos pela reforma agrária atrapalha os negócios de grandes anunciantes. O exemplo citado por ele é o mercado de suco de laranja: o maior cliente dos produtores brasileiros de laranja, cujo mercado é dominado por três grandes empresas, é a Coca-Cola. A citação não foi feita por acaso, já que justamente a maior destas empresas, a Cutrale, esteve no centro do mais recente embate midiático entre o MST e os ruralistas. As imagens da ocupação de uma plantação da Cutrale, feita sobre terras devolutas da União no interior de São Paulo, serviram de mote para a instalação da CPMI.
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Esta CPMI, lembra Stédile, é também um modo de se produzirem factóides para tentar desmoralizar o MST e os movimentos sociais. “Essa é a terceira CPI num período de oito anos. Todos os nossos sigilos bancários já foram quebrados, todos nossos telefones são grampeados. Eles tiveram oito anos para denunciar nossas supostas contas no exterior, nossas falcatruas. Não fizeram porque não encontraram nada e continuam criando CPMIs porque o objetivo deles é criminalizar os movimentos sociais."
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Neste cenário, a concentração da propriedade da mídia torna-se um complicador do problema. Como lembrou Paulo Henrique Amorim, “bastam três telefonemas para 'fechar' a mídia brasileira: para os Marinho, para os Frias e para os Mesquita”. O jornalista, mantenedor do blog Conversa Afiada e apresentador da Rede Record, faz referência às famílias que controlam os grupos Globo, Folha de S.Paulo e O Estado de S.Paulo. A mobilização destes três grupos daria conta de colocar todo o aparato de TVs, rádios, jornais e portais na internet destes grupos a favor das pautas conservadoras, além de pautar os outros grandes grupos de comunicação. Amorim sugeriu que a rede trabalhe fortemente através de campanhas pela intenet. Citou como exemplo o Blog da Petrobras, montado pela estatal para divulgar informações na época da realização da CPI que investigava a empresa. A sugestão de Amorim é que nada que saia da CPMI fique sem uma resposta imediata.
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Verena Glass, que trabalha em projetos que denunciam a ligação entre o agronegócio e o trabalho escravo no Brasil, lembrou que há uma naturalização das violações aos direitos humanos no campo. A intervenção de comunicadores engajados neste debate sobre a reforma agrária e a criminalização dos movimentos sociais deve se dar exatamente no sentido de fazer com que não seja natural o trabalho escravo, o assassinato de lideranças sociais e outros crimes. Nas próximas semanas, a rede deve começar a funcionar o blog da Rede de Comunicadores em Apoio à Reforma Agrária, onde ficará concentrado o registro das ações da contra-ofensiva. O endereço é: http://www.reformaagraria.blog.br
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FONTE: http://www.direitoacomunicacao.org.br
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terça-feira, 23 de março de 2010

Orçamento Democrático: audiência nos Funcionários 1
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A primeira etapa do ciclo do Orçamento Democrático (OD) vai ser encerrada nesta semana. Nesta terça-feira (23/03) a audiência acontece na escola Castro Alves, nos Funcionários I (8ª região) e na quarta (24/03), os moradores da 11ª região estarão reunidos com o prefeito Ricardo Coutinho e secretários na escola municipal Violeta Formiga, no Alto do Céu. Na ocasião serão avaliadas as ações do governo e apontar as principais necessidades para a região que devem ser colocadas no orçamento público do Poder Executivo.
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As audiências regionais tiveram início no dia 23 de fevereiro, na 4ª região, momento em que a população indica à Prefeitura de João Pessoa (PMJP) quais são as prioridades de investimentos a serem colocadas nas leis orçamentárias. Segundo dados da Coordenadoria do Orçamento Democrático, cerca de 2 mil pessoas deverão participar desta primeira etapa do ciclo.
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"Finalizada esta primeira etapa, as informações serão sistematizadas e encaminhadas às secretarias apontando as demandadas sugeridas pela população. Estes dados ajudam o Governo Municipal a elaborar de uma maneira mais aprimorada a LDO e a LOA do próximo ano", explicou a coordenadora, Ana Paula Almeida.
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Neste mês em que se celebra o Dia Internacional da Mulher, a Prefeitura de João Pessoa vem desenvolvendo uma série de atividades voltadas para as mulheres. A Coordenadoria do Orçamento Democrático, em parceria com a Secretaria de Políticas Públicas para Mulheres, promove na próxima segunda-feira (29/03), no auditório da Reitoria da UFPB, uma plenária popular direcionada para o público feminino. O objetivo é discutir políticas públicas na perspectiva de gênero e mostrar a relevância da democratização do orçamento, o que representa o exercício da cidadania.
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FONTE: http://www.joaopessoa.pb.gov.br
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Dica cultural: música & dança
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segunda-feira, 22 de março de 2010

Rádio e Internet na liderança da credibilidade
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Izabela Vasconcelos
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Pesquisa divulgada no final de novembro mostra que o rádio e a internet lideram em credibilidade, na frente da TV, jornais impressos, revistas. Para especialistas nas duas mídias, o amadurecimento do público da web, a modernização e integração entre os dois meios são responsáveis pelo resultado. O estudo Vox Populi, encomendado pela Máquina da Notícia, apontou que, em uma escala de 1 a 10, o rádio lidera em credibilidade com nota (8,21), quase empatado com a internet (8,20), seguidos por TV (8,12), jornal (7,99), revista (7,79) e redes sociais (7,74).
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De acordo com o jornalista Alvaro Bufarah, pesquisador e coordenador do curso de pós-graduação em Produção e Gestão Executiva de Rádio da Fundação Armando Alvares Penteado (FAAP), outra pesquisa do Instituto Marplan revela que o rádio se integra muito bem à internet. “O rádio é o meio que melhor se adapta às novas mídias, porque é um meio de companhia, que as pessoas usam pra se informar e entreter. A internet e o rádio se somam de forma ímpar. O rádio se potencializa ainda mais com a internet”, explica.
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Pollyana Ferrari, especialista em mídias digitais, autora do livro “Jornalismo Digital”, concorda com Bufarah, e acredita no poder da integração das mídias. “O caso mais recente é o do apagão. O Twitter e o rádio que deram suporte o tempo inteiro, porque os brasileiros gostam de compartilhar e trocar informações, e isso atinge todas as classes. Esse é um case muito interessante”, destacou. Para Bufarah, o uso de Twitter, torpedos SMS e blogs mostra que o rádio está se modernizando na interação com os ouvintes, mas ainda existe um problema de gestão em algumas emissoras, que nesse caso pode transformar a internet em concorrente. “A internet é uma gigantesca aliada, mas poucos empresários estão atentos a essa transformação. Há emissoras que não investem, têm sites ruins, aí a internet passar a ser um veículo de competição”.
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Outro problema, segundo ele, é a administração das emissoras, que por serem muito tradicionais, acabam deixando de pensar como empresas, restringindo investimento em comunicação interna, planejamentos de marketing e carreira. O especialista também acredita que a modernização do rádio abre espaço para a segmentação, com a criação de diferentes canais no rádio e na internet, o que permite acompanhar o perfil de cada público pela web e traz novas possibilidades para que o mercado publicitário invista nas rádios.
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A confiança na Internet
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De mídia altamente criticada pela instantaneidade e pelo aspecto factual das notícias, a internet passou a encabeçar a lista de credibilidade dos meios de comunicação. Para Pollyana, três fatores explicam essa mudança de cenário. “De 2000 até hoje tivemos um amadurecimento do perfil do usuário, o crescimento da banda larga e o aprimoramento do jornalismo multimídia, que desde 2005 tem feito um trabalho muito interessante nos portais”, afirma.
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Pollyana lembra que a web já foi muito criticada como meio de informação. “Sofremos durante muito tempo por criticarem o conteúdo dos meios online, mas agora os leitores perceberam que existe muita coisa boa nos portais". Com o avanço das novas mídias, a especialista aposta e defende o uso de outras plataformas pelas empresas, até mesmo na cobrança de conteúdo nas redes e mobile. “Poderia se fechar anúncios pelo Twitter e cobrar pelo pagamento de conteúdo diferenciado, mobile, um conteúdo diferente do impresso e dos sites. Eu pagaria por um conteúdo exclusivo”, conclui a pesquisadora.
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FONTE: http://www.comunique-se.com.br
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Direito Autoral: usos educacionais geram polêmicas
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Jacson Segundo
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Imagine a cena: você está assistindo a um filme em uma aula de História da Arte na faculdade e, de repente, a polícia interrompe a sessão e leva o seu professor para prestar depoimento na delegacia por exibir uma obra sem permissão do autor. Pois a atual lei de direitos autorais brasileira (Lei 9.610/98) dá cobertura a esta fictícia ação policial. A mesma lei também permite que um estudante ou dono de estabelecimento de comércio sejam criminalizados por fazerem cópia (não-autorizada) de um livro inteiro em uma máquina de reprografia.
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É por isso que um conjunto de organizações têm voltado suas atenções para os impactos da Lei de Direitos Autorais na área da educação. A intenção é aproveitar a reforma da Lei 9.610/98 que está sendo proposta pelo governo – tendo o Ministério da Cultura (MinC) como ponta de lança – para propor modificações que ampliem o acesso a bens culturais, criando exceções positivas quando o uso desses for para fins educativos e científicos. O MinC pretende colocar uma proposta de um novo projeto de lei sobre o tema em consulta pública até o fim deste mês. Ele receberá contribuições por 45 dias antes de ir para o Congresso Nacional.
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Embora ainda não exista uma versão final do texto que vai para a consulta pública, alguns itens já foram discutidos publicamente pelo governo. O MinC, por exemplo, está trabalhando para achar uma solução para a limitação que a atual lei impõe para a quantidade de cópias que uma pessoa pode fazer de um livro. A proposta inicial é que se acabe com o limite existente hoje – a lei libera apenas pequenos trechos. Para isso, seria criada uma compensação para as editoras, que argumentam que a proliferação das cópias diminuiria a leitura e a venda de livros no País.
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A ideia surgida no MinC seria adotar um sistema de taxação em cima das cópias. O dinheiro arrecadado seria repassado para associações de editoras e elas, por sua vez, destinariam a verba – ou parte dela – para os autores das obras. Seria algo próximo com o que existe na área da música, com o Escritório Central de Arrecadação e Distribuição (ECAD). O limite de cópias seria extinto. Segundo o coordenador geral em Regulação de Direitos Autorais do MinC, Samuel Barichello, a ideia é “tentar caminhar para um modelo que está sendo adotado em outros países”.
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Contra a taxa
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A proposta, porém, não agradou alguns setores que lidam com o tema. Eles pedem que o artigo que propõe a taxa seja extinto. Um dos argumentos é que a taxa seria repassada ao usuário final, deixando o valor da fotocópia ainda mais caro. Outra preocupação é que o valor arrecadado pelas editoras não seja repassado de forma justa aos autores das obras. O advogado do Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec) Guilherme Varella observa que a criação de tal mecanismo pode ter impactos ainda mais graves. Ele alerta que, como a proposta da nova lei não obrigaria as editoras a realizarem esse modelo de licenciamento, algumas poderiam escolher não adotar esse sistema, tornando seus livros indisponíveis.
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O advogado e professor da Universidade de São Paulo (USP) Guilherme Carboni concorda com o representante do Idec. “A proposta do MinC em geral é muito boa. Até no que diz respeito à educação tem pontos positivos. O problema é que traz para a reprografia a possibilidade de pagamento de uma taxa”, diz ele, que também questiona o porquê de a medida ter sido pensada apenas para a reprografia e não para outros suportes como música e vídeos. O gestor do MinC, por sua vez, entende que o mecanismo pode ser eficaz. Para ele, o valor repassado para o usuário pode ser bem pequeno. “Não sobrecarrega o valor da cópia. Lá fora você cobra dois, três centavos a mais”, avalia Samuel Barichello. Além disso, ele diz que a proposta de lei está sendo pensada para incentivar as editoras a participarem do sistema. “A gente não pode obrigá-las. O que a gente busca é que isso aconteça de forma voluntária. Se não for a opção adequada, teremos que pensar outra solução”, afirma.
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Usos educacionais
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Além deste ponto referente a reprografia, a falta de trechos que criam diferenciações para usos das obras em ambientes educacionais também é motivo de críticas. “No entender do Idec, a lei tem que ser mais flexível. A gente sugere uma permissão do uso de obra protegida por direito autoral para uso educacional sem necessidade de permissão do titular nem remuneração. É o que já acontece hoje. Além de espaços escolares, também entrariam espaços educativos, como institutos e Ongs”, diz Guilherme Varella.
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Apesar de ainda não haver uma versão final da proposta de projeto de lei, Samuel Barichello dá uma sinalização positiva para a reivindicação. Ele afirma que o Ministério da Cultura pretende propor que o uso de filmes, vídeos, músicas e outros tipos de obras sejam liberados em salas de aula, sem a necessidade de permissão do autor. Esse uso, porém, poderia ser feito apenas em escolas e, no máximo, em atividades ligadas ao ambiente escolar, como uma apresentação teatral feita por uma turma para a comunidade, por exemplo.
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FONTE: http://www.direitoacomunicacao.org.br
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Juventude brasileira: tradição e modernidade (parte 2)
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Hebe Signorini Gonçalves (*)
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No Brasil, a família - e a cadeia de relações que se estrutura em torno dela - ainda é uma forte referência da subjetividade, sobretudo entre as camadas mais pobres da população. As cadeias migratórias articulam-se em torno de relações de parentesco e amizade tanto no que diz respeito à busca pelo trabalho como na eleição dos locais de moradia. Admitindo que os laços de parentesco falam da tradição cultural e contrapõem-se aos padrões pós-modernos, seria preciso admitir aqui uma permanência da tradição, tornando tensos os apelos da modernidade.
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Ao descrever a vida urbana, referindo-se ao município de Curitiba, Sanchez (2001) destaca sua multiplicidade irredutível de sentidos. Lendo a cidade como um território de disputas simbólicas, de jogos e discursos em permanente confronto, a autora marca a impossibilidade de reduzi-la, e a seus cidadãos, a uma única definição. Do mesmo modo, Castro descreve a urbe como a geografia do múltiplo e do variado, lugar que acolhe uma "coletividade de indivíduos singulares na qual todos têm o direito de buscarem suas vias de expressão pessoal".
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Referindo-se mais diretamente às vivências da juventude, Pais (2003) acentua o cruzamento das trajetórias de vida que a cidade proporciona, sucessivamente aproximando e afastando estranhos, tecendo cadeias de relações que ele chama de interconectividade típica da juventude. Mas se é verdade que o jovem experimenta, circula, troca de lugares e de afetos, é preciso reconhecer também que ele organiza essas trocas segundo a lógica própria com que persegue os sentidos na cidade. Como lembra Carrano: até mesmo nos grupos com forte identificação gregária, onde as trajetórias dos sujeitos se cruzam intensamente, existem processos que fazem com que os seus membros se distanciem por outras redes de significados, configurando as variadas possibilidades de vínculos sociais que podem ser tramados nas cidades.
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Os centros urbanos brasileiros, marcados pelas enormes distâncias sociais, põem em contato territórios informados pelo simbólico e permeados pelo econômico. Nesse particular, nossa geografia urbana impõe experiências que diferem de qualquer cidade das sociedades centrais. A disparidade de renda, a presença ou ausência das benfeitorias sociais e a maior ou menor dificuldade de acesso às benesses são os elementos mais visíveis da rede de significados que o jovem deve aprender a decodificar. A convivência com o outro, na interconectividade das histórias vividas, mostra que uns têm acesso amplo ao conjunto de benfeitorias sociais, outros renunciam a elas e alguns se apropriam daquelas que lhes parecem indispensáveis. Assim, o jovem é chamado a construir ativamente as redes de significado, sob pena de sucumbir aos apelos do estranho e aos perigos da cidade. Nessa posição, que é necessariamente ativa, há de haver um nucleamento de sentidos passível de identificação. Como o jovem mapeia os territórios urbanos e com base em que premissas se move entre eles?
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A visibilidade mais ou menos explícita da distância entre os diversos grupos sociais que convivem no meio urbano - e as formas como essas distâncias são preenchidas - não é um problema menor, já que toca a temática da regulação. Castro (2001) argumenta que a ocupação da cidade por crianças e jovens só é bem-vinda quando feita nos limites da ordem prevista pelo adulto, que submete e controla o ir-e-vir do jovem pelas cidades. Para a autora, a regulação também contém seus excessos, e ela interpreta como agressão e violência o que é busca de sentido e vontade de participação.
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A pichação, com a qual o jovem quer imprimir sua marca pessoal às ruas da cidade, e a zoação, o desafio do outro por meio da galhofa e do desacato, são exemplos de atitudes comuns aos jovens, que, se contêm um viés de agressão, são também formas de reivindicação: "[...] o chamamento do outro, para que preste atenção e se volte para aquele que zoa, que reclame, que tome uma posição e que ponha limites. Na verdade, zoar pode se tornar uma forma desesperada e última de estabelecer vínculo".
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Esse atravessamento de sentidos, em que o desejo de diferenciação do jovem se confronta com os anseios de regulação e controle próprios da ordem social instituída e adulta, ganha contornos típicos numa sociedade em que a regulação se exerce a partir do doméstico. Diante da tibieza das instituições, cabe à família, e àqueles que lhe são próximos, promover em primeira instância a regulação da conduta. Como a família dará conta dessa função reguladora cujo alcance deve exceder o doméstico?
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(*) Doutora em Psicologia e integrante do Núcleo Interdisciplinar de Pesquisa e Intercâmbio para a Infância e Adolescência Contemporâneas, do Instituto de Psicologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro.
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FONTE: http://juventudesulamericanas.org.br
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quinta-feira, 18 de março de 2010

Quadro “Proteste Já”, do CQC, é censurado
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Izabela Vasconcelos
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A Band foi impedida de exibir o quadro "Proteste Já", do programa CQC, na reestréia da atração, nesta segunda-feira (15/03). A proibição foi pedida pela Prefeitura de Barueri, na Grande São Paulo, que notificou judicialmente a emissora. A ação do órgão público foi acatada pela juíza Nilza Bueno da Silva, da Vara da Fazenda Pública de Barueri.
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O quadro iria mostrar como uma TV doada a uma escola do município foi localizada na casa da diretora da instituição. De acordo com a prefeitura, a matéria não poderia ser exibida sem antes ter o direito de resposta. O apresentador do CQC, Marcelo Tas, diz que a equipe foi pega de surpresa com a decisão. “A Band recebeu a notificação no sábado, e na segunda o jurídico foi avaliar. Ficamos sabendo poucas horas antes da gravação. Estava tudo tão bem programado, o 'Proteste Já' ia ser o pilar principal, então recebemos a notícia como se o mundo fosse desabar”, conta.
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Tas informou que a Band já recorreu da decisão e aguarda a análise do caso, que deverá ser julgado ainda esta semana. O apresentador classifica a decisão como censura prévia. “Pra mim está se configurando a prática da censura velada através de decisões judiciais. Antes de publicar, o veículo é proibido. Eu só queria saber em que a juíza se baseou para tomar essa decisão. Para mim isso é censura prévia”, questiona.
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Fora a notificação inesperada, Tas comemora a reestreia. ”Foi muito vibrante, e um teste duro para a Mônica. Achamos que foi uma das melhores idas pra Brasília que tivemos”, explica ao falar da nova integrante da equipe, Mônica Iozzi, que fará a cobertura da eleição presidencial.
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O apresentador ressaltou duas novidades que lhe agradaram no programa, o quadro “Cidadão em Ação” e o “As piores notícias do mundo”. O primeiro, feito exclusivamente para o CQC brasileiro, abordou o problema de bebida e direção, e foi, em sua opinião, o que teve a melhor resposta do público.
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FONTE: http://www.comunique-se.com.br
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domingo, 14 de março de 2010

PMJP inaugura academia ao ar livre no bairro
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As praças públicas da cidade de João Pessoa não servem apenas como um local de convívio social. Com o projeto 'Academia na Praça', o Governo Municipal também está levando mais qualidade de vida para os moradores dos bairros beneficiados. Nessa perspectiva de incentivar o exercício físico, o prefeito Ricardo Coutinho entregou neste sábado (13/03) a terceira praça com equipamentos de ginástica. A solenidade aconteceu na Praça Lauro Wanderley, no bairro dos Funcionários I.
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Assim como foi implantada nos bairros de Mangabeira (Praça do Coqueiral) e no Rangel (Praça da Amizade), a estrutura esportiva possui dez equipamentos, como simuladores de caminhadas e bicicleta, entre outros. Para montar cada academia ao ar livre, a Prefeitura Municipal de João Pessoa (PMJP) está investindo R$ 20 mil. Além da infraestrutura, os moradores também ganharam o auxílio de monitores, cuja equipe é formada por professores de Educação Física. As orientações de como utilizar cada equipamento, assim como as séries que cada porte físico suporta, serão dadas no início da manhã e no final da tarde.
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Com o projeto, a Prefeitura pretende melhorar a qualidade de vida dos pessoenses, desde os jovens até os idosos. A iniciativa também vai contemplar aqueles que não têm condições financeiras de pagar uma academia particular, que custa em média R$ 30,00 mensais.
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De acordo com pesquisas, a vida saudável está ligada diretamente com a prática de esporte. E o exercício físico continuado contribui para a melhoria do condicionamento físico, desenvolvimento da autoestima, além de fortalecer a musculatura. Nesta proposta de incentivar a prática da educação física, a Prefeitura vai entregar outras 27 academias ao ar livre em diferentes bairros da Capital, beneficiando milhares de moradores.
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FONTE: http://www.joaopessoa.pb.gov.br
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Abertas inscrições para o "Curta Olhar Paraíba"
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O programa "Curta Olhar Paraíba" é uma realização do Pólo Multimídia da Universidade Federal da Paraíba, por meio da TV UFPB. Atualmente, encontra-se em fase de pré-produção e previsto para ser veiculado ainda no primeiro semestre de 2010. O Pólo Multimídia da Universidade Federal da Paraíba convida os realizadores audiovisuais da Paraíba que tenham produzido curta-metragem nos últimos três anos a participarem do "Curta Olhar Paraíba". As inscrições estão abertas até 31 de março de 2010.
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O programa tem por objetivo exibir a produção paraibana audiovisual em curta-metragem, atendendo as diferentes regiões do Estado e a diversidade estética inerente ao formato. Além do filme, também será exibido uma apresentação/reflexão do curta-metragem pelo próprio realizador, como forma de aproximar o público espectador das idéias e da proposta audiovisual dos que fazem cinema e vídeo na Paraíba.
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Os interessados devem enviar a ficha de inscrição preenchida disponível na página eletrônica da UFPB, além de DVD contendo o curta-metragem para o Pólo Multimídia da UFPB, no período de 01 de fevereiro a 31 de março de 2010. Após esse período a produção irá selecionar os trabalhos e convidar os respectivos realizadores a participarem efetivamente do programa.
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O endereço de envio do material é o seguinte: TV UFPB / PÓLO MULTIMÌDIA, Universidade Federal da Paraíba, Campus I – Cidade Universitária, João Pessoa-PB, CEP: 58059-970. Também é possível entregar diretamente na recepção do Pólo Multimídia, no horário das 13h às 18h. Mais informações através do e-mail: diretoria@tv.ufpb.br ou pelo telefone (83) 3216-7153, com Arthur Lins ou Carlos Dowling.
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FONTE: Agência de Notícias da UFPB.
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Hegemonia e poder manipulador da mídia
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Altamiro Borges
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Com base neste poder descomunal, a mídia hegemônica sempre procurou manipular a sociedade brasileira. O bombardeio recente contra o presidente Lula, em função das suas origens nas lutas operárias e de algumas de suas políticas contrárias aos interesses da elite burguesa, não é um fato novo no país. No passado, usando o denuncismo do “mar de lama”, ela levou Getúlio Vargas ao suicídio em 1954. Contra o governo João Goulart, fez campanha por sua derrubada, alardeando o “perigo do comunismo”. Durante a ditadura militar, a Folha de S.Paulo, que ainda engana muita gente com o seu falso ecletismo, emprestou suas peruas para o transporte de presos políticos. Até o final, a Rede Globo procurou esconder a campanha das Diretas-Já, que contagiava a sociedade.
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Já na redemocratização do país, a mídia tentou criar obstáculos para o avanço das lutas operárias. Com a retomada das greves no final dos anos 70, ela tratou os grevistas como arruaceiros. Já na Constituinte de 1988, ela defendeu a principais teses neoliberais, contra as medidas de defesa da economia nacional e contra os direitos trabalhistas – conforme comprova um excelente estudo de Francisco Fonseca. Diante do risco da vitória de um candidato oriundo das lutas operárias, em 1989, ela criou a imagem do “caçador de marajás”, garantindo a vitória de Collor sobre Lula. Nos anos 90, a mídia foi a vanguardeira da implantação do neoliberalismo no país. Ela blindou a figura de FHC, pregando a privatização do Estado, a desnacionalização e a desregulamentação.
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A tsunami neoliberal, somada às mutações tecnológicas, reforçou ainda mais este monopólio. A vitória de Lula em 2002 foi encarada como um grave risco pelos “donos da mídia”; ela poderia reverter esse processo de concentração e manipulação. Exatamente por isso, a ditadura midiática sempre exerceu forte pressão sobre o novo governo. Como observa Venício Lima, “antes mesmo da revelação pública das cenas de corrupção nos Correios, em maio de 2005, o ‘enquadramento’ da cobertura que a grande mídia fez, tanto do governo Lula como do PT e de seus membros, expressava uma ‘presunção de culpa’, que, ao longo dos meses seguintes, foi se consolidando por meio de uma narrativa própria e pela omissão e/ou pela saliência de fatos importantes”.
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A revista Veja foi ao ápice da manipulação. “Entre maio de 2005 e janeiro de 2006, foram pelo menos 20 capas sobre a crise, denúncias não comprovadas sobre o comportamento ilegal de familiares do presidente (filho e irmão), sobre dinheiro ilegal proveniente da Colômbia e de Cuba para as campanhas eleitorais do PT”, lembra Venício. Já o colunista Clóvis Rossi, da Folha, jogou o seu passado no lixo e encontrou “as digitais do PT” no assassinato do brasileiro Jean Charles em Londres, em setembro de 2005. No caso da Rede Globo, que estava dependente dos empréstimos do governo, ela deu sua cartada fatal na reta final da eleição de 2006, forçando o segundo turno – conforme comprovou a histórica reportagem de Raimundo Rodrigues Pereira.
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Outra mídia é possível e urgente!
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As eleições no Brasil, assim como a derrota do “golpe midiático” na Venezuela ou a vitória de Evo Morales na Bolívia (contra 83% das notícias opostas a sua candidatura), revelam que esta infernal máquina de manipulação de “corações e mentes” não é imbatível. Estes resultados têm, inclusive, levado partidos de esquerda, movimentos sociais e novos governantes, alvos da fúria midiática, a refletirem sobre o papel estratégico da mídia na atualidade. Alguns governantes, mais ousados e refletindo a correlação de forças internas, adotam posturas para coibir a “liberdade de empresa”, que não se confunde com “liberdade de imprensa”, como caso da RCTV venezuelana.
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No Brasil, o segundo mandato do governo Lula dá sinais de que acordou diante do poder destes monopólios. No primeiro mandato, ele só fez ceder à ditadura midiática, com a ilusão de que poderia atraí-la ou neutralizá-la, como ficou patente na adoção do padrão japonês de TV digital, bem ao gosto da Rede Globo. A pressão da ditadura midiática, porém, é violenta; já o governo continua sem nitidez de projeto, preso à lógica pragmática e conciliadora. Daí a importância da pressão da sociedade e da elaboração de plataformas visando construir, com urgência, uma nova mídia, democrática e pluralista.
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(*) Jornalista, editor da revista Debate Sindical.
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FONTE: http://altamiroborges.blogspot.com
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quarta-feira, 10 de março de 2010

Oficinas, debates e filmes na "Semana da Mulher"
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Começou nesta terça-feira (09/03) as exibições de 18 curta metragens e realizações de oficinas de cinema e debates, dentro da 'Semana de Filmes de Mulheres'. As atividades estão sendo realizadas no Teatro Lima Penante (Centro) e na Estação Cabo Branco – Ciência Cultura e Arte. Nas obras, o universo feminino se mistura a temáticas como adolescência, mercado de trabalho, relações afetivas e sociais. A realização é da Fundação Cultural de João Pessoa (Funjope) e da Coordenadoria de Políticas Públicas para Mulheres (CPPM). A programação termina no próximo sábado (13) e a entrada é franca.
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Durante todos os dias do evento será realizada a Oficina de Produção Audiovisual em Novas Mídias, ministrada por Mariah Benaglia, na Estação Cabo Branco, das 14h às 18h. As aulas têm o objetivo de difundir o segmento, utilizando-o como instrumento sócio-pedagógico. As ferramentas estudadas incluem criação de conteúdos com celulares que filmam, câmeras fotográficas digitais, webcams, pendrives e mp3 players. O resultado produzido será veiculado em redes sociais da Internet, a exemplo do Facebook, Twitter, Youtube e outros suportes.
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A partir desta quarta-feira (10/03), às 19h30, começam as exibições, sempre no mesmo horário e local. No Cineclube Tintin Clube (do Teatro Lima Penante) - localizado na Avenida João Machado, n° 67 - será exibida a ficção "Mulherzinha é a mãe ou eu precisei de uma ajuda masculina para abrir a maldita porta!". Em sequencia, ainda na quarta-feira, no mesmo local e horário, o público poderá assistir aos seguintes curtas: "Laurita", de Roney Freitas (2009, SP); "Bom dia, meu nome é Sheila", de Angelo Difanti (2009, RJ); "Ana Beatriz", de Clarissa Cardoso (2009, DF); "Handebol", de Anita Rocha da Silveira (2010, RJ); "Um par", de Lara Lima (2010, SP); "Historia triste de uma praieira", de Ana Movani (2009, MG); "Elia off", de Mariah Benaglia, Cecilia Retamoza e Suellen Brito (2009, PB). O evento tem o apoio da Associação Brasileira de Documentaristas, seção Paraíba (ABD-PB), Instituto Femina e ProJovem.
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Quinta-feira – Nesse dia serão exibidos mais três filmes, também no mesmo local e horário e dos anteriores. As obras escolhidas para o público foram: "Uma Mulher Impossível", de Márcia Derraik (RJ, 2008); "Ará", de Sheila Neumayr e Juliana Xavier (MG, 2007); e "Procura-se Janaína", de Miriam Chnaiderman (SP, 2007).
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Sexta-feira – No penúltimo dia, às 15h, haverá debate sobre a produção audiovisual feminina no Brasil, com a participação de cinco convidadas. Depois, às 19h30, terão continuidade as exibições. Na ocasião, o público presente terá a oportunidade de conferir cinco obras: "Clarita", de Thereza Jessouroun (RJ, 2007); "A saga das candangas invisíveis", de Denise Caputo (DF, 2008); "Mulheres de Mamirauá", de Jorane Castro (2008); "Nos limites da perfeição", de Pâmela Hauber (RS, 2008); e "Na madrugada", de Duda Gorter (RJ, 2008).
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Sábado – No último dia, as exibições têm início a partir das 15h30. A programação inclui: "Dreznica", de Anna Azevedo (RJ, 2008); "Eu e crocodilos", de Marcela Arantes (2008); e "Canção de Baal", de Helena Ignez (SP, 2008).
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FONTE: http://www.joaopessoa.pb.gov.br
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Utilidade pública
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Conselho de Comunicação: pauta das organizações
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Jacson Segundo
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Apesar de o debate sobre os melhores caminhos a trilhar neste momento pós 1ª Conferência Nacional de Comunicação (Confecom) ainda estar em aberto, algumas avaliações feitas por representantes do segmento da sociedade civil indicam que já há um certo grau de convergência em relação aos próximos passos a serem dados. Um deles é praticamente uma unanimidade: dar prioridade à implantação da resolução que prevê a criação do Conselho Nacional de Comunicação como um instrumento de participação social na definição de políticas públicas para a área. Além disso, há consenso sobre a importância de dar continuidade à mobilização gerada no período da Conferência para fortalecer o movimento pelo direito à comunicação e fazer pressão para que as resoluções não virem letra morta.
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A avaliação, corroborada por todos os representantes do segmento consultados pelo Observatório do Direito à Comunicação, é que a instituição do Conselho Nacional seria fundamental neste momento porque, em primeiro lugar, não seria uma medida complexa. Com um pequeno esforço do Executivo e do Congresso, ele poderia ser criado ainda antes do início do período eleitoral. Somado a isso, esse órgão poderia funcionar como local privilegiado para impulsionar a realização de todas as outras deliberações que foram aprovadas na Conferência (são 665 no total). Até o consultor jurídico do Ministério das Comunicações e principal articulador do governo na Confecom, Marcelo Bechara, sinalizou com a importância de manter os segmentos em permanente diálogo, por meio da criação do Conselho.
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Os membros do Congresso e do governo também não teriam, em princípio, muitos motivos para não implementar a proposta, já que ela contou com a adesão unânime de todos os delegados presentes na Confecom. O texto da resolução diz que, além do Conselho Nacional, devem ser criados conselhos municipais, estaduais e distrital, como instâncias de formulação, deliberação e monitoramento de políticas de comunicações no país. Eles devem ter a participação do poder público, dos empresários e da sociedade civil. Entre outras atribuições, eles podem convocar audiências e consultas públicas sobre temas diversos, incluindo a concessão ou renovação de outorgas de serviços de comunicação, e indicar a realização de conferências de comunicação.
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Este novo órgão não se confunde com o Conselho de Comunicação Social, criado pela Constituição de 1988. Este último demorou onze anos para ser implementado, funcionou por quatro anos e, desde 2006, não está mais ativo. Sua reativação também foi aprovada na Confecom, porém, ele não é considerado tão prioritário como o Conselho Nacional de Comunicação. No entanto, na análise dos representantes da sociedade civil, nem essa proposta nem as demais vão virar realidade se não houver pressão social para isso. “Foram quase 700 propostas aprovadas e sem uma agenda comum será complicado avançar. Para exigir qualquer resolução o movimento precisa estar organizado, pressionando”, acredita Carolina Ribeiro, integrante do Intervozes – Coletivo Brasil de Comunicação Social.
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Espaços de articulação
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Uma das maneiras de se construir uma agenda comum entre os movimentos seria com a realização de fóruns com este fim. É o que defende a jornalista do Portal Vermelho, Renata Mielli, membro da Comissão Paulista Pró-Conferência e uma das delegadas do estado à etapa nacional. “O principal agora é manter a articulação. Se os movimentos que se organizaram forem tomando decisões isoladas, isso é ruim. Precisa ter uma atuação conjunta. É preciso, nos estados e em nível nacional, constituir comissões, como foram as pró-conferência, que foram um local de articulação. Não sei se é preciso manter a mesma estrutura [das comissões pró-conferência], mas algum espaço de discussão dos movimentos precisa continuar”, opina.
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É o que já vem ocorrendo em alguns estados, como o Rio de Janeiro. O jornalista e membro da Comissão Estadual Pró-Confecom Álvaro Britto explica que a ideia do movimento local em relação às propostas aprovadas na Conferência é definir prioridades gerais, sem prejuízo daquelas que são específicas das organizações. “Provavelmente em março, o Rio realizará um grande encontro com os delegados e observadores que foram à etapa nacional e outros militantes da democratização da comunicação para definir essas prioridades. Até lá, estamos estimulando a reorganização das regionais e realizando o debate de avaliação”, informa Britto.
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A forma que a sociedade civil deve adotar para continuar trabalhando conjuntamente, porém, ainda não está muito desenvolvida. Para alguns, é importante, por exemplo, manter a continuidade das comissões pró-conferência. Tanto em nível nacional quanto estadual. Para a representante do Conselho Federal de Psicologia na coordenação executiva do Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação (FNDC), Roseli Goffman, essa não seria a saída adequada no momento. “Existem diferenças dentro do movimento social, mas são de forma e não de conteúdo. A CNPC (Comissão Nacional Pró-Conferência) teve sua função. Agora a pauta é união. Negociar as pautas possíveis, fazer pautas conjuntas”, disse ela.
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“Temos que promover eventos estaduais e nacionais, desenvolver parcerias. Dar oportunidade para a voz popular não se separar, dando oportunidade para que as pessoas falem e ouvir as novas ideias”, disse Roseli, que também acredita que o momento eleitoral será importante, pois “nenhum candidato poderá negar o processo [da Conferência], que envolveu tanta gente”. Segundo ela, o FNDC já está preparando um evento nacional – ainda sem data – para discutir o cenário pós Confecom.
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FONTE: www.direitoacomunicacao.org.br
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Jornalismo Investigativo no Brasil
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Regiane Santos Barbosa
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Os jornais brasileiros só adotaram a reportagem investigativa após a ditadura militar. O Estado de S.Paulo, em 1976, é o primeiro a incorporar a prática. O Estadão publicou três matérias, intituladas "Assim vivem os nossos superfuncionários", que abalaram o País ao revelar a boa vida dos ministros e altos funcionários instalados em Brasília e capitais federais.
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Infelizmente, a prática da investigação jornalística no Brasil ainda é tímida. Cleofe Monteiro de Sequeira publicou em seu livro "Jornalismo Investigativo: o fato por trás da notícia", um estudo feito pelo jornalista Carlos Chaparro sobre a evolução dos gêneros jornalísticos como forma discursiva nos os últimos cinqüenta anos da imprensa brasileira, enfocando o jornalismo diário praticado nos principais jornais impressos do nosso país.
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Na amostra de 1995, a reportagem investigativa ocupava apenas 2,32% do espaço total da Folha de S.Paulo e 1,73% em O Globo; na amostra de 1945-1994, 0,20% no Estado de S.Paulo, e 0,50% no Jornal do Brasil. Segundo Carlos Chaparro, o mercado jornalístico, em especial as redações dos meios impressos, caracterizam-se por pressões do negócio e às tensões impostas pelo ritmo da produção industrial, criando detalhadas rotinas administrativas, para controlar e otimizar, sob o ponto de vista gerencial, a seleção e a produção do noticiário. No exercício dessa competência, boa parte do tempo é ocupada em atividades de depuração, no mar de informações que jorram das fontes cada vez mais organizadas. E não há tempo, nem estrutura, nem cultura, para pensar o aprofundamento dos fatos.
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Diante dessa realidade, as redações preferem jornalistas que sejam eficientes organizadores de dados provenientes de releases ou fatos mal-apurados in loco "que posteriormente transformam em notícias insípidas, sem contextualização, que servem para desinformar o leitor ao invés de informá-lo", uma vez que a fragmentação e a superficialidade das informações impedem a plena compreensão do fato que está sendo reportado ao leitor.
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Os jornais oferecem aos leitores inúmeras informações no formato de notícias e reportagens curtas. Mas será que estes fatos mal-apurados e maquiados em textos superficiais atendem ao direito básico do cidadão de informação? Uma vez que esses dados, números, estatísticas, pesquisas de opinião, que chegam prontas aos e-mails dos repórteres, sem nenhuma descrição de quais métodos utilizaram para obter aquele resultado.
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Uma das falhas do jornalismo atual é a ausência de investigação. A maioria dos repórteres acredita em todos os relatos e documentos que chegam as suas mãos. Assim, documentos que deveriam ser ponto de partida viraram pontos de chegada. Portanto, a reportagem investigativa passou a ser encarada, por grande parte dos veículos de comunicação, como um "jornalismo fiteiro". Pois na maior parte dos casos, o jornalismo se resume à simples coleta e reprodução de fitas.
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FONTE: www.observatoriodaimprensa.com.br
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O rádio como perspectiva acústica da cidade
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Cida Golin
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Linguagem temporal, o rádio mantém um vínculo visceral com a cidade. Reflete sua sonoridade, funciona como um relógio das rotinas diárias, organiza e reproduz os ciclos e as temporalidades locais: o despertar para o trabalho, a conversa descompromissada na hora do cafezinho, a hora do rush, a solidão do insone na madrugada. Cada emissora enquadra o ouvinte em um estilo próprio de pontuação e ritmo. Funciona, na perspectiva de Schafer, como uma espécie de parede, massa sonora comprimida, feita de repetições, envolvendo o sujeito na ausência do silêncio.
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No momento em que o rádio se redirecionou, principalmente a partir dos anos 1960, deixando a sala de visitas e o entretenimento para a televisão, passou cada vez mais a contemplar notícias e prestação de serviços locais, aproximando-se da cultura da comunidade onde opera. Qualquer manual para iniciantes recomenda que a pauta do veículo privilegie temas próximos, critério de relevância: aquilo que se vê e se conversa na rua, uma informação urgente, um acidente de trânsito, um assalto, o buraco da rua, as reivindicações dos bairros.
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Nesse sentido, passa a ser um espelho da cidade onde está inserido, traduzindo na linguagem cíclica e temporal o ritmo cotidiano. A programação em fluxo, tendência de importantes emissoras de radiojornalismo, corrobora a metrópole contemporânea como o lugar do movimento incessante, da multidão, do deslocamento em vias expressas. A programação radiofônica não somente mimetiza a aceleração temporal como ajuda a propagá-la na rapidez da fala, na ausência de pausas ou silêncios, no ritmo incessante da velocidade. No entanto, em cidades pequenas, ao contrário da pressa e do trânsito caótico, o obituário e informações sobre baixas e internações hospitalares ganham visibilidade e tratamento de serviço ou notícia.
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O rádio mantém uma profunda relação com o espaço social mais próximo, preocupa-se com o entorno, e busca situar-se nele; promove a inter-relação de espaços a partir do local; cria um pulsar rítmico do cotidiano, sincronizando pelo tempo as atividades de uma comunidade. Como observa Canclini, ao se pautar pelas experiências diárias da cidade, os meios eletrônicos de comunicação simulam superar e integrar um imaginário urbano desagregado, sobretudo em grandes centros. Logo, estar informado é participar de uma comunidade.
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Lewis Munford sublinha o quanto a cidade, na sua origem, deve à aldeia as relações de ordem, estabilidade e vizinhança no compartilhamento do ritmo vital entre os que nascem, trabalham, casam, agonizam e morrem. As cidades antigas, por exemplo, não cresciam além dos limites físicos do corpo humano, das distâncias das caminhadas ou da audição. “Na Idade Média, ficar dentro do alcance dos sinos de Bow definia os limites da City de Londres”. Antes da Revolução Industrial, o trabalho estava associado ao ritmo da canção (cantos dos marinheiros, dos camponeses e das oficinas) e aos sons da rua, às vozes dos ambulantes, dos pregoeiros, dos mendigos ou dos músicos à margem.
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Dentro da luta pela organização e racionalização burguesa do espaço público, aos poucos, a voz (em especial dos grupos menos favorecidos) foi sendo abafada, ao contrário de sons institucionais como o da igreja ou dos motores que rompiam o silêncio comum. Na categoria dos sons comunitários, que precisam ser fortes para se destacar no ambiente, a sirene (primeiro da fábrica, depois do automóvel) tomou o lugar do sino na evolução do espaço urbano. O futurismo, ao participar da construção da cidade moderna, poetizou o ruído, fascinado pela estridência do metal, pela sonoridade do automóvel, das ferrovias ou das multidões.
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FONTE: A Expressão Radiofônica de uma Cartografia Sonora:
estudo da série Porto Alegre,
paisagens sonoras.
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segunda-feira, 1 de março de 2010

Festival de Vídeo: inscrições até dia 5 de março
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As inscrições para o 1º Festival de Vídeo 'Estação Cabo Branco' foram prorrogadas até o dia 05 de março. O evento acontece de 08 a 10 de abril, na Estação Cabo Branco – Ciência, Cultura e Artes, localizada no bairro do Altiplano, com apoio da Fundação Cultural de João Pessoa (Funjope). A ficha de inscrição e o regulamento podem ser baixados no portal www.festvideocabobranco.com.br. Para participar basta seguir as informações que constam no regulamento. As inscrições são gratuitas e só podem ser feitas via Sedex.
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O Festival vai dar prêmios em dinheiro a título de incentivo. A premiação será atribuída nas categorias, Documentário, Ficção, Experimental e Animação. O primeiro lugar de cada categoria receberá o valor de R$ 1.500,00, havendo ainda, dois prêmios especiais, sendo um deles, concedido pelo júri do Festival, em menção honrosa, e outro por votação popular. Os dois prêmios terão o valor de R$ 1.000,00, cada. Segundo os organizadores, o 1º Festival de Vídeo Estação Cabo Branco surge com o objetivo de incentivar e divulgar a produção de audiovisual de toda a Paraíba, buscando a valorização do que existe de melhor no Estado, sem perder de vista as raízes culturais e dando apoio ao contemporâneo.
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Programação – De acordo com a programação do Festival, as noites dos dias 8 e 9 de março estão reservadas para a Mostra Competitiva de Curta-metragem. As Sessões Jovens e as oficinas ocorrerão nas tardes dos dois dias. Já no dia 10, acontece o encerramento com a premiação e apresentações culturais. Poderão participar todos os vídeos realizados em qualquer plataforma, desde que finalizados em DVD. O evento vai ocorrer em dois turnos. À tarde ocorrerão atividades de oficina e sessões de vídeo para os estudantes da rede pública municipal. À noite estará reservada para a Mostra Competitiva dos Curtas.
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Serão oferecidas 100 vagas de oficinas para os estudantes das escolas da rede pública de João Pessoa. Os jovens vão participar da oficina de "Formação do Olhar Crítico em Audiovisual", divididos em duas turmas de até 50 participantes em salas especialmente preparadas e equipadas para assistir a vídeos com temas relevantes e ligados à juventude, educação, cultura, etc. Eles vão debater os temas abordados e aprender formular pequenas críticas à medida que aguçam o olhar. Já a Sessão Jovem acontecerá sempre à tarde, no cine-auditório, com exibição de vídeos e conteúdo direcionado aos estudantes da rede pública da Capital.
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Serviço – A Estação Cabo Branco – Ciência, Cultura e Artes está localizada na avenida João Cirillo Silva, s/n, Altiplano Cabo Branco. Mais informações pelo telefone (81) 8835.8890 e (81) 3236.6894, falar com Tiago Martins, diretor do 1º Festival de Vídeo Estação Cabo, ou ainda pelo e-mail festvideocabobranco@gmail.com
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FONTE: http://www.joaopessoa.pb.gov.br
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Dica cultural: evento
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Local: Nova Acrópole / João Pessoa-PB
Av. Monteiro da Franca, 1734 - Manaíra (próximo ao Habib's)
Mais informações: (83) 3268-0632 / joaopessoa@acropole.org.br
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Interatividade: ferramenta para o Jornalismo
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Ana Cristina Calábria
Luis Gustavo do Prado Brunelli
William Penna Crispim
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Ao abordar o tema interatividade como uma ferramenta para o jornalismo, “carregamos” uma infinidade de outros assuntos correlacionados, característicos de uma sociedade complexa e envolta em um contexto cultural. Não há como estudar o jornalismo on-line sem antes explicar o que é parte dele, o computador, a Internet, a cibercultura e o ciberespaço. A tecnologia não é um agente autônomo separado da sociedade e da cultura. Ela é um ângulo de análise do sistema social e tecnológico, dependente do restante dos efeitos das atividades humanas. Existem interações indissolúveis nas atividades humanas - pessoas vivas e pensantes; entidades materiais naturais e artificiais; idéias e representações.
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Pierre Lévy (1999) discute que não há como romper esta conexão e estudar um caso isoladamente. A tecnologia faz parte do homem assim como o homem faz parte dela. As técnicas não são somente imaginadas, fabricadas e ou reinterpretadas durante seu uso pelos homens. O próprio uso intensivo das ferramentas constitui a humanidade. Durante este artigo iremos discutir o ciberespeaço, a cibercultura e relacionamento entre usuário e a Internet, já que o número de pessoas que têm algum tipo de acesso à rede no Brasil é superior a 30 milhões.
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O ciberespaço
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O ciberespaço nada mais é que o novo espaço dos meios de comunicação que surge da interconexão mundial dos computadores. São as várias máquinas conectadas a uma rede por cabos, onde é possível a troca de informações entre os usuários. Ele [o ciberespaço] permite a combinação de vários modos de comunicação. Encontramos, em graus de complexidade crescente: o correio eletrônico, as conferências eletrônicas, o hiperdocumento compartilhado, os sistemas avançados de aprendizagem ou de trabalho cooperativo e, enfim, os mundos virtuais multiusuários.
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Lévy (1999) atribui ao termo ciberespaço não apenas a infra-estrutura material da comunicação digital, mas também o universo de informações que ela contempla, assim como os seres humanos que “navegam” e alimentam este sistema. Vilches (2003) completa o raciocínio de Lévy, afirmando ser o ciberespaço o espaço de pensamento e de experiências humanas, formado pela coabitação de antigos meios (rádio, televisão) e novas formas de hiper-realidade. Sabemos também que o digital encontra-se no início de sua trajetória e que a Internet no Brasil completa dez anos recentemente. A interconexão continua em ritmo acelerado e muito se discute sobre os próximos padrões da comunicação, mas dificilmente se chegará a um determinante, pois a mudança é constante e ilimitada.
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O que estaria acontecendo hoje, no que se refere à mudança e à interconexão, seria uma desintegração do indivíduo clássico, isolado na tribo, já que o esgotamento da perspectiva individualista favorece um “tribalismo” contemporâneo que descreve a vontade de estar junto, de compartilhar emoções. Nascem e multiplicam-se, então, as “comunidades emocionais” no ciberespaço. São as comunidades virtuais, constituídas por um grupo de pessoas que se correspondem mutuamente por meio de computadores interconectados. Daí a importância da nova media, a Internet, funcionando como um dos vetores de comunhão, englobando a televisão, o rádio e o jornal impresso.
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Essa transformação estaria ligada às idéias de Vilches (2003) sobre migração digital. A evolução do modo humano de aproximar-se da maquina permite uma experiência de gestor. O internauta acessa a rede para buscar por si próprio tudo de que necessita, assim desprende-se da massa indiferenciada para entrar em contato com outros usuários e outras formas de consumo ativo.
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Michael L. Dertouzos (2000) vai mais longe. Para ele a primeira geração alfabetizada em computação já está ingressando no mercado da mídia. São os homens e as mulheres familiarizados com teclados, discos de dados, monitores de vídeo e a Internet. As habilidades antes aprendidas em escritórios e escolas estão sendo aplicadas em casa, transformando os indivíduos em aldeões urbanos: meio cosmopolitas sofisticados, viajando pelo mundo virtual; e meio caipiras, passando mais tempo em casa cuidando da família. Desse modo, a interatividade permite aos usuários utilizarem as mídias para organizar seu espaço e seu tempo, e não o inverso, como acontecia com os meios tradicionais baseados na manipulação das imagens e dos sons, a partir de um centro emissor.
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