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sábado, 22 de junho de 2013

Tutorial para seguir perfis no Hootsuite


Políticas Públicas de Juventude em João Pessoa


Bertrand Sousa
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O papel da sociedade civil, numa conjuntura ideal, é participar ativamente das decisões de governo, compartilhando suas experiências e necessidades, construindo coletivamente as soluções para os problemas, fiscalizando a atuação do poder público e, consequentemente, contribuindo para uma efetiva implementação das políticas públicas. Entre elas, destacamos neste artigo as Políticas Públicas de Juventude (PPJs), que podem ser definidas como um conjunto de ações coordenadas com objetivos públicos, direcionadas a garantia dos direitos e ao atendimento dos interesses da população jovem de um determinado território.
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Geralmente são realizadas sob a forma de projetos, programas e ações, governamentais e não governamentais, que contribuem para a supressão da exclusão social através do aumento da escolaridade, da capacitação profissional, da consciência étnica, de gênero, de pertencimento ao local comunitário, entre outras formas de atuação. Através das PPJs, uma parcela dos jovens passa a construir novas maneiras de sociabilidade e produzir mais integração societária, que resulta em determinadas modalidades de inclusão, participação e emancipação.
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Pensar em PPJs em épocas anteriores a 2003, por exemplo, significa voltar ao tempo em que a juventude era percebida no Brasil, na maioria das vezes, como agrupamento social formado por sujeitos-problemas, "rebeldes sem causa", sem direitos e necessidades específicas, vistos sempre com desconfiança. Uma época em que o assistencialismo era, basicamente, a única forma de atender a população do nosso país, independente da faixa etária.

Essa crítica é mais direcionada ao Estado Brasileiro, ao poder público em todos os níveis, que se preocupava apenas em "cuidar e proteger" os jovens, moralizar esses indivíduos, ao invés de potencializar suas ações e torná-los independentes, protagonistas de sua própria história. Ou seja, as concepções e políticas de juventude nas décadas passadas não apresentavam um enfoque estratégico e geral, pois eram criadas para resolver situações emergenciais e localizadas.
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No mesmo período, a iniciativa privada e o Terceiro Setor desenvolviam programas, projetos, pesquisas e ações mais avançadas e conectadas com os anseios da juventude. Nesse contexto, destacamos a participação decisiva de movimentos sociais, instituições diversas e até organismos internacionais, que começaram a pautar a temática juvenil em grandes fóruns, festivais e conferências, possibilitando aos jovens mais visibilidade. Ou seja, serem percebidos como atores sociais do desenvolvimento e como sujeitos de direitos.
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No município de João Pessoa, o processo de elaboração das Políticas Públicas de Juventude se desenvolveu gradativamente. A partir de 2005 foi criada uma Assessoria Especial de Políticas Públicas de Juventude e cinco Centros de Referência de Juventude. Em 2007 surge a Secretaria Municipal de Juventude, Esporte e Recreação, com uma Coordenação de Juventude responsável por elaborar e articular os programas, projetos e ações voltados para a juventude da capital paraibana. Já o Conselho Municipal de Juventude foi criado pela Lei Municipal nº 11.820, de 11 de dezembro de 2009. Estes organismos têm atuado de forma integrada, em permanente diálogo entre si e com os jovens, garantindo avanços importantes para o desenvolvimento das PPJs na cidade.
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Neste contexto, a participação dos jovens pessoenses tem sido efetivada a partir do diálogo e das parcerias estabelecidas com a Gestão Municipal em diversos momentos, como: nas conferências e semanas municipais de juventude, e principalmente no Conselho Municipal de Juventude, onde a sociedade civil ocupa 50% das vagas e pode deliberar, estudar, analisar, elaborar, discutir, propor, planejar, fiscalizar e representar a população jovem nas questões relacionadas às PPJs.
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Em nossa avaliação, o grande desafio para o desenvolvimento da Política de Juventude em João Pessoa passa pela ampliação e otimização dos recursos financeiros aplicados nos programas, projetos e ações - desenvolvidas pelas diversas secretarias da Prefeitura Municipal em prol da juventude - associada à conscientização e colaboração entre os recursos humanos disponíveis e a máquina pública, de forma transversal e intersetorial. Em outras palavras, a juventude precisa ser observada com um olhar especial e suas demandas devem se tornar prioridade.
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Para superar as dificuldades, propomos as seguintes estratégias de atuação: estabelecer mais parcerias com o Terceiro Setor (ONGs, OSCIPs, fundações empresariais, organismos internacionais, acadêmicos, entre outros); diminuir a burocracia, ações sobrepostas e conflitantes; realizar o mapeamento da juventude, para adequar as PPJs a realidade dos jovens; potencializar o trabalho e deliberações do Conselho Municipal de Juventude; promover intercâmbios entre profissionais que atuam com PPJs, a nível local, nacional e internacional; fortalecer a articulação entre as secretarias (intersetorialidade); criação do Núcleo Intersetorial de PPJs, uma rede de gestores trabalhando coletivamente em prol da juventude; formação continuada sobre juventude e PPJs para membros da Gestão Municipal; investir no capital humano, através de qualificação e reciclagem permanente dos profissionais; desenvolver o Plano Municipal de Juventude, em parceria com a sociedade civil; monitoramento, controle e avaliação constante das ações, programas e projetos; institucionalização das PPJs, através de leis especificas que garantam sua execução com elevado grau de qualidade; fortalecer os projetos e a produção juvenil através do “Empreender Jovem”; garantir à juventude o acesso à educação pública de qualidade; aprimorar mecanismos que facilitem a entrada dos jovens no mercado de trabalho e nas diversas formas de geração de renda; e, finalmente, criar condições materiais e simbólicas para o bom funcionamento dos Centros de Referência da Juventude (CRJs).

'São João pra Valer' começa em João Pessoa

A programação das festas juninas de João Pessoa, o 'São João pra Valer', começou nesta sexta-feira (21/06) e terá atrações durante nove dias, em diversos locais da cidade. A abertura ficou a cargo de Gilberto Gil, que fez show no Ponto de Cem Réis, no Centro da capital paraibana.
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Ainda no Centro, serão instalados circuitos em dois micro pólos, conforme informações de Maurício Burity, secretário executivo da Funjope, localizados nas Praças Rio Branco e Dom Adauto. Serão realizadas apresentações de quadrilhas e Vilas Gastronômicas.
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"Assim como aconteceu no carnaval, o São João também vai ter a descentralização dos grandes eventos”, afirma Maurício, que também informa a realização de eventos em mais quatro bairros da Capital e um pequeno pólo para os festejos na Feirinha de Tambaú. Confira abaixo a programação do ‘João Pessoa – São João Pra Valer’:
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Local: Ponto de Cem Réis
Horário: a partir das 19h

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21/06 (sexta-feira)
Dona Selma do Coco (cultura popular)
Orquestra de Câmara da Cidade de João Pessoa
Antônio Barros e Cecéu
Gilberto Gil
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22/06 (sábado)
Chico Sales
Renata Arruda
Tom Oliveira
Nando Cordel
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23/06 (domingo)
Nau Catarineta Masculina de Cabedelo
Paulo Sérgio e Daniel
Os Nonatos
3 Desejos
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24/06 (segunda-feira)
Afoxé com o Grupo Orim Axé 
Forró Caçuá
Cavalo de Pau
Louro Santos & Victor Santos
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25/06 (terça-feira)
Dinda Salu - Baile de Rabeca
Simone e Simaria (As Coleguinhas)
Mastruz com Leite
Beto Brito
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26/06 (quarta-feira)
Quadrilha Junina de Bonecos Gigantes de Olinda
Lis Albuquerque
Alcymar Monteiro
Forró Pegado
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27/06 (quinta-feira)
Zeca do Rolete
Pinto do Acordeon
Dorgival Dantas
Santanna
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28/06 (sexta-feira)
Toré dos Índios da Baía da Traição
Genival Lacerda
Sirano & Sirino
Clã Brasil
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29/06 (sábado)
Aurinha do Coco 
Biliu de Campina
Banda Encantu's
Waldonys
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 Praça Dom Adauto
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Festival de Quadrilhas
Dias: 21 a 25 de junho
Horário: das 18 às 21h
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Vila Gastronômica
Dias: 21 a 25
Horário: 22h às 24h
Atrações: trio pé-de-serra
Dias: 26 a 29
Horário: 18h às 24h
Atrações: trio pé-de-serra, cultura popular e quadrilhas juninas.
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Praça Rio Branco
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Data: 21 a 29 de junho
Atrações: trio pé-de-serra e atrações da cultura popular.


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Ilha Duque de Caxias
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Datas: 21, 22, 23 e 24 de junho
Horários: a partir das 20h
Atrações:
- Ao lado da ALPB: trios de forró pé-de-serra
- Em frente ao Shopping Popular Terceirão:
Samba de Roda - no dia 21 de junho - e
trios de forró pé-de-serra (demais noites).

Pólos Juninos
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Horário: 19h às 23h30
Locais: Feirinha de Tambaú;
Mangabeira; Ernesto Geisel;
Bairro dos Novais e 13 de maio
Atrações: trio pé-de-serra e bandas locais.
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Dias: 21, 22, 23, 28 e 29 de junho
Horário: 19h às 23h
Local: Feirinha de Tambaú
Atrações: trio pé-de-serra, cultura popular e quadrilhas juninas.
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FONTE: http://g1.globo.com/pb/paraiba/sao-joao/2013

Comunidades virtuais transformando relações sociais


Corinto Meffe

A perspectiva de que existe um potencial para alterações radicais nas relações sociais, com alicerce no mundo virtual, impõe a necessidade de delinear cenários. Atividade inglória, mas fundamental para criar as possibilidades de como essas relações serão construídas no futuro (já quase presente). Uma das apostas surge na formação de gigantescas redes de colaboração, com sustentação nas comunidades virtuais, com poucos níveis hierárquicos e grande dispersão geográfica.
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Para início do exercício de futurologia com relação às comunidades virtuais, é necessário compreendê-las melhor. As comunidades virtuais aproximam, com emprego da tecnologia digital e das redes de comunicação, indivíduos os quais, ainda que geograficamente distantes, possuem interesses comuns em temas sociais, culturais, profissionais ou de entretenimento. Com a aproximação desses atores, em ambientes virtuais, há uma renovação da linguagem, dos hábitos, dos costumes e da própria tecnologia, numa espécie de mescla cultural.
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Aos poucos parece ocorrer no ciberespaço o renascimento da solidariedade e da cooperação, caracterizando uma restauração da ação coletiva, com menor presença dos partidos e outras agremiações políticas. Tal espírito, pode ser observado na maioria dos grupos formados pela rede, seja na agilidade para troca de opiniões, informações, serviços e produtos, seja em intervenções específicas, voltadas para auxiliar outros membros da comunidade virtual. Fato que aumenta a resistência às estruturas culturais e sociais pré-estabelecidas e geram, por outro lado, novas formas de ação social e de relações de poder.
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Um exemplo de mobilização pode ser verificado no caso da modelo Cicarelli. Sem nenhum tipo de organização prévia chegaram mais de 80 mil mensagens para a administração do Youtube contra o cerceamento dos conteúdos decorrentes do caso da modelo, que ficou conhecido como “Boicote a Cicarelli”. A ação provocou um recuo do provedor. Isso demonstra que as redes se movem sem a real mensuração de suas influências. Uma espécie de massa de modelar social onde muitas vezes, e ainda que sem intenção, toma contornos por ora incompletos, outras vezes com perfeição, mas é capaz de ganhar solidez em suas ações.
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Nesse sentido, as formas de organização tradicionais passam a ser inadequadas para representarem as demandas do novo mundo que surge - incapazes de se adaptarem à pluralidade de atores e temas que incorporem as ações individuais e coletivas. A fragmentação da ação coletiva passa a exigir uma forma de representação política que traduza as necessidades individuais e converta-as em decisões políticas. Dentre as dificuldades a serem enfrentadas pela organização das redes de colaboração verifica-se o espírito imediatista das mesmas.
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O sentimento de integração, cooperação e projeto comum nas comunidades virtuais contemporâneas se reformula diante da predisposição dos atores para ações voltadas apenas para o presente, o que provoca uma crise na idéia de futuro. Em paralelo ao imediatismo destas Comunidades, outras dificuldades tornam-se latentes: (1) o costume à estrutura hierárquica existente na sociedade, que muitas vezes impede os membros das comunidades vislumbrarem a flexibilidade e os recursos de comunicação da internet; (2) o comportamento procrastinador, pelo qual sempre se aceita que alguém vai fazer o que precisa ser feito, sendo que este “alguém” nunca “sou eu”; (3) a fragilidade na organização de ações coletivas, bastante explorada por Ignacio Ramonet, quando afirma que “a ideologia anarco-liberal fabrica uma sociedade egoísta, priorizando a fragmentação, a divisão. Torna-se indispensável, portanto, reintroduzir a noção de coletivo, pensando no futuro”.
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A superação lenta das dificuldades nos ajudarão a acelerar os processos de organização das comunidades virtuais, que poderão certamente influenciar nas estruturas de poder e nas relações tradicionais da sociedade. Estas novas comunidades obrigam antigos aparatos de poder a justificar-se, a fazer pública a sua lógica e expõem a debilidade de suas razões - tornam visível a sua força, como no caso Cicarelli. Esse novo quadro exige redirecionar o olhar analítico sobre as formas de sociabilidade engendradas pelas mídias digitais. A inscrição social múltipla passa a assumir proporções nunca antes imaginadas, demandando que a nova sociabilidade ciberespacial seja levada a sério e seja estudada com mais profundidade.
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A internet, diante das circunstâncias, transforma-se no possível espaço de resistência global. O processo em desenvolvimento aponta para o renascimento de um ativismo político, desacreditado nas últimas décadas, capaz de reorganizar segmentos sociais como, por exemplo, os ambientalistas. Observa-se, então, a movimentação de uma rede que articula diferentes atores sociais, os quais se unem em torno de uma possível conformidade de objetivos, ainda que essa unidade seja provisória, contingente. E, antes que muitos tomem consciência, o que antes parecia um exercício de futurologia incorreto se torna uma análise simplista do presente.
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Assim um conjunto “mesclado” de relações sociais se instaura nas comunidades virtuais. Uma parte delas vem de práticas herdadas dos movimentos sociais tradicionais, com a forte hierarquização, a apatia coletiva e a crise das instituições; outras são proporcionadas pela própria tecnologia da internet, com a superação das fronteiras físicas, a aproximação instantânea das pessoas e a planificação dos contatos e; por último, as novas relações virtuais, que resultam no sistema de produção colaborativa, em novas formas de empoderamento e na propagação da liberdade do conhecimento como princípio. O mundo das comunidades e das suas redes de colaboração no espaço virtual é o resultado do antigo e do novo, ambas tendo em comum um conjunto de aparatos tecnológicos digitais, cujo impacto ainda não pode ser mensurado, mas que se sabe, serão capazes de gerar grandes transformações sociais.
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FONTE: http://webinsider.uol.com.br

terça-feira, 29 de janeiro de 2013

Um modelo de Jornalismo Social


Luciano Martins Costa (*)

O jornalismo deve ser considerado um bem público ou é mais uma atividade privada de interesse coletivo? Essa questão rondou o MediaOn - Seminário Internacional de Jornalismo Online, realizado em São Paulo pelo portal Terra com a Fundação Itaú Cultural. Segundo a Folha de S.Paulo, a questão ainda não tem uma resposta definitiva, uma vez que o modelo experimental de jornalismo financiado por doações ainda está em processo de invenção. O projeto chama-se ProPublica, é dirigido por Stephen Engelberg, que trabalhou 18 anos no New York Times.

Iniciado em 2008 para produzir jornalismo apenas na internet, o ProPublica chamou atenção ao ganhar o prêmio Pulitzer deste ano, o primeiro para um veículo exclusivamente online. Outra reportagem, produzida pelo site e publicada no New York Times, já havia obtido o prêmio no ano anterior. Na entrevista concedida à Folha, Engelberg afirma que, como modelo de jornalismo, o projeto já provou que funciona. Impulsionado por doações privadas, tendo como principais financiadores o casal de milionários americanos Herbert e Marion Sandler e, mais recentemente, o megainvestidor George Soros, o ProPublica tinha como desafio inicial conseguir que seus repórteres fossem tão respeitados quanto os profissionais da imprensa tradicional.
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Dedicados à investigação jornalística, seus repórteres ganharam rapidamente grande reputação, o que superou o temor inicial de que certas fontes simplesmente se negassem a retornar suas tentativas de comunicação. Entre os trabalhos destacados pode-se alinhar a revelação das condições na prisão de Guantanamo, a denúncia de violências em New Orleans após a passagem do furacão Katrina e outros temas que haviam obtido menos atenção dos jornais.

Mas o centro da questão sobre as chances de sucesso do jornalismo de objetivo exclusivamente social, sem interferência de interesses de negócio, segundo Engelberg, aparece quando se aborda questões do poder público e privado. Observe-se que o ProPublica já conta com 3 mil doadores entre indivíduos e fundações e tem grande chance de crescer com assinantes fixos. "Nosso modelo não é o melhor para encontrar patrocinadores corporativos, já que investigamos muitas empresas", diz o editor-executivo do ProPublica. Raciocinando ao contrário, pode-se insinuar que o jornalismo tradicional é mais patrocinado pela publicidade de empresas quanto mais certeza se tem de que determinados temas jamais serão publicados?
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Agarrados ao papel

A resposta não está, obviamente, nos jornais. Na reportagem que publica sobre o mesmo assunto, o Estado de S.Paulo destaca que, para ganhar credibilidade, a ProPublica desenhou um modelo de parceria com a imprensa tradicional. O site oferece conteúdos exclusivos para publicações como o New York Times, Financial Times, Washington Post, Los Angeles Times e para programas de televisão privada e TV pública. A vantagem que apresenta é o menor custo de produção de conteúdo, uma vez que a infraestrutura de redação que usa a internet como plataforma custa menos. Mas o diferencial principal é percebido na qualidade do material jornalístico: a ProPublica tem uma redação em Nova York com 35 jornalistas, que produziram em 2010 mais de uma centena de reportagens que foram publicadas em quarenta veículos.

Enquanto um repórter do jornalismo tradicional tem que cumprir duas ou mais pautas por dia, na dura rotina da imprensa brasileira, um repórter da ProPublica pode levar o tempo que precisar para compor uma boa história, podendo produzir duas grandes reportagens por ano. No pacote de reportagens que os jornais publicam nesta quarta-feira, dia 23, sobre seu próprio negócio, destaca-se também a cobertura do encerramento do seminário promovido pela Associação internacional de Marketing de Jornais. A principal preocupação dos debatedores, segundo o relato da imprensa, foi a manutenção do valor percebido da mídia impressa enquanto se busca um modelo de negócio que produza lucros com a mídia digital.

O otimismo da representante do New York Times, que vem ampliando o número de seus assinantes online, não foi suficiente para os executivos brasileiros olharem um pouco além do horizonte: o fato de que 90% do faturamento das empresas jornalísticas ainda vem do papel parece bloquear qualquer tentativa de enxergar uma imprensa totalmente digital. Juntando-se as duas reportagens, é possível elaborar uma equação interessante: o jornalismo digital funciona como sistema informativo confiável e pode atrair financiadores, quando se assume como bem público. Já o jornalismo de papel, que se assume como atividade privada de interesse coletivo, ainda não enxerga seu futuro na nova plataforma, bem mais interativa.

(*) Jornalista e escritor. É autor do livro 'O Mal Estar na Globalização'.

FONTE: http://nosdacomunicacao.com.br

Por um novo conceito de comunidade


Rogério da Costa (*)

A atual interconexão generalizada entre as pessoas tem chamado a atenção de muitos teóricos sobre seus efeitos no quadro das relações individuais e igualmente na forma como os coletivos se comportam quando se constituem como redes de alta densidade. Relações individuais e coletivas, particularmente no ciberespaço, têm despertado o interesse dos estudiosos de redes sociais, dos sociólogos, etnógrafos virtuais, dos ciberteóricos, dos especialistas em gestão do conhecimento e da informação, enfim, de todos aqueles que pressentem que há algo de novo a ser investigado, que a atual vertigem da interação coletiva pode ser compreendida dentro de uma certa lógica, dentro de certos padrões, o que já era anunciado nos anos 1980 pelos analistas estruturais de redes sociais.
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Temas como "inteligência emergente" (Steven Johnson, 2001), "coletivos inteligentes" (Howard Rheingold, 2002), "cérebro global" (Heylighen et al., 1999), "sociedade da mente" (Marvin Minsk, 1997), "inteligência conectiva" (Derrick de Kerckhove, 1997), "redes inteligentes" (Albert Barabasi, 2002), "inteligência coletiva" (Pierre Lévy, 2002) são cada vez mais recorrentes entre teóricos reconhecidos. Todos eles apontam para uma mesma situação: estamos em rede, interconectados com um número cada vez maior de pontos e com uma freqüência que só faz crescer. A partir disso, torna-se claro o desejo de compreender melhor a atividade desses coletivos, a forma como comportamentos e idéias se propagam, o modo como notícias afluem de um ponto a outro do planeta etc. A explosão das comunidades virtuais parece ter se tornado um verdadeiro desafio para nossa compreensão.
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Mas, antes de tudo, é importante salientar que todo tipo de grupo, comunidade, sociedade é fruto de uma árdua e constante negociação entre preferências individuais. Exatamente por essa razão, o fato de estarmos cada vez mais interconectados uns aos outros implica que tenhamos de nos confrontar, de algum modo, com nossas próprias preferências e sua relação com aquelas de outras pessoas. E não podemos esquecer que tal negociação não é nem evidente nem tampouco fácil. Além disso, o que chamamos de preferências "individuais" são na verdade fruto de uma autêntica construção coletiva, num jogo constante de sugestões e induções que constitui a própria dinâmica característica da sociedade.
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Em meio a todo esse alvoroço no ciberespaço, um termo tão consolidado como o de "comunidade" vem sendo discutido e mesmo questionado por alguns teóricos. Alguns reclamam sua falência, com um certo tom nostálgico, lamentando seu desgaste e perda de sentido no mundo atual. Outros apontam para os focos de resistência que comprovariam sua pertinência, mesmo em meio a nossa sociedade capitalista individualizante. Mas há os que acreditam, simplesmente, que o conceito mudou de sentido.
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Num livro publicado em 2003, intitulado "Comunidade: a busca por segurança no mundo atual", Zygmunt Bauman, sociólogo reconhecido por seus trabalhos sobre o fenômeno da globalização, procura analisar o que estaria se passando atualmente com a noção de comunidade. É possível perceber uma série de conceitos em jogo no texto do autor: individualismo, liberdade, transitoriedade, cosmopolitismo dos "bem-sucedidos", comunidade estética, segurança. Bauman supõe que haja uma oposição entre liberdade e comunidade. Considerando-se que o termo "comunidade" implique uma "obrigação fraterna de partilhar as vantagens entre seus membros, independente do talento ou importância deles", indivíduos egoístas, que percebem o mundo pela ótica do mérito (os cosmopolitas), não teriam nada a "ganhar com a bem-tecida rede de obrigações comunitárias, e muito que perder se forem capturados por ela."
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(*) Professor do Programa de Pós-Graduação em Comunicação e Semiótica da PUC-SP.
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FONTE: http://www.scielo.br

PMJP lança projeto para investir em times da Capital


A Prefeitura Municipal de João Pessoa (PMJP) lançou, na tarde deste domingo (27/01), o projeto ‘João Pessoa de todas as torcidas’. A iniciativa garante investimentos de quase R$ 1 milhão para os principais clubes da Capital, o dobro do que vinha sendo destinado até 2012. Além de garantir a estruturação das equipes, o projeto trará benefícios para a rede de ensino público do Município, que passará a usufruir dos equipamentos esportivos das agremiações.
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O projeto foi lançado pelo prefeito Luciano Cartaxo, antes da partida entre Botafogo e Auto Esporte, no Estádio Leonardo Vinagre da Silveira (Estádio da Graça), em Cruz das Armas. Na oportunidade, o prefeito e o vice-prefeito, Nonato Bandeira, deram o pontapé inicial do clássico pessoense válido pelo Campeonato Paraibano. “Valorizar o futebol é valorizar a cidade como um todo. Com equipes fortes e bem posicionadas a nível nacional podemos projetar a cidade. Esperamos que os nossos clubes se destaquem nas competições e que saibam que podem contar com o apoio da Prefeitura de João Pessoa”, declarou.
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Luciano Cartaxo destacou também seu envolvimento com o esporte e sua disposição de aumentar a representatividade do futebol de João Pessoa. “Investimos muito neste projeto e garantimos um investimento fundamental para que os clubes iniciem o ano de 2013 de forma diferente. Queremos que eles consigam pagar a sua folha salarial e que também possam ser ousados na contratação de reforços. Queremos ver os times da nossa Capital alcançando um espaço cada vez maior no cenário nacional”, destacou.
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Beneficiados – O Botafogo, o Auto-esporte e o CSP serão os clubes beneficiados com o projeto. Principais representantes do futebol da Capital, eles receberão R$ 990 mil em investimentos para se estruturar de forma adequada e despontar no Campeonato Paraibano e outras competições. Do total, R$ 570 mil serão destinados ao Botafogo, R$ 240 mil para o Auto-esporte e R$ 180 mil para o CSP.
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De acordo com o secretário municipal de Esporte, Juventude e Lazer, Sérgio Meira, o critério para definição dos valores repassados para cada equipe é o resultado obtido nas competições do ano anterior. “Cada clube recebeu uma quantia referente ao seu desempenho. Este ano, os valores corresponderam ao dobro do que foi destinado a estas equipes em 2012”, revelou.
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Contrapartida social – Outro aspecto essencial no projeto ‘João Pessoa de todas as torcidas’ é a contrapartida que será oferecida pelos clubes para que possam receber os investimentos. Pelo acordo, as agremiações disponibilizam a sua estrutura física de treino para o uso dos estudantes da rede municipal de ensino, o que vai garantir a aproximação das crianças e jovens com o esporte.
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“Queremos que nossos alunos sejam contagiados pelo ambiente saudável proporcionado pelos espaços esportivos. É uma oportunidade de se relacionarem com profissionais e ver com seus próprios olhos como funciona um clube de futebol. Esperamos despertar o desejo desses garotos pela prática esportiva”, explicou o secretário Sérgio Meira.
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Clubes – A solenidade teve a presença dos representantes dos três clubes beneficiados: o presidente do Botafogo, Nelson Lira; o presidente do Auto-esporte, Emanuel Demócrito; e o presidente do CSP, Josivaldo Alves. Também estiveram no Estádio da Graça secretários municipais, vereadores e deputados estaduais.
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sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

A polêmica sobre a balcanização da Internet

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Carlos Castilho
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O assunto ainda não ganhou as manchetes da imprensa, mas já está na agenda dos estrategistas e estudiosos da comunicação há algum tempo, pois são cada vez mais claros os sinais de uma polarização entre adeptos e críticos da nova ordem mundial que está sendo lentamente implantada pelas consequências socioeconômicas e politicas da internet. A questão central é a manutenção da internet como uma rede unificada ou o seu fracionamento em múltiplas redes, cada uma com suas regras e tecnologias próprias. Não é uma questão simples, porque a linha divisória entre as duas partes não segue a clivagem tradicional entre conservadores e inovadores.
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Um estudo patrocinado pela ONU e realizado pela organização Freedom House mostrou como aumentou o controle, ou melhor, as tentativas de controle do acesso à internet na maioria dos 37 países pesquisados, entre eles o Brasil. O trabalho foca na questão das limitações ao livre acesso identificando governos repressores, cuja lista inclui tradicionais desafetos das grandes organizações jornalisticas do planeta. Mas o problema é mais amplo, porque se por um lado temos governos como os da China, de várias nações árabes, bem como da Rússia e ex-satélites soviéticos tentando controlar a internet para evitar rebeliões populares, temos, por outro, países considerados modelos de democracia, como os Estados Unidos, discutindo novas regras destinadas a criar diferentes padrões de velocidade de acesso com base no poder econômico do usuário.
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A balcanização da internet, fenômeno denominado de splinternet, pode não estar no horizonte imediato do documento da ONU, mas é uma idéia cada vez mais cogitada por tomadores de decisões em nível global em razão da crescente dificuldade dos governantes em controlar as consequências do uso da web pelos seus quase dois bilhões de usuários, especialmente aqueles afetados por instabilidade politica crônica. A fragmentação da internet poderá - teoricamente falando - facilitar o controle dos usuários, mas trata-se de uma medida que no médio e longo prazos terá consequências fatais para a economia digital e para todo o processo de produção de conhecimento em escala planetária.
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A segregação econômica, via criação de diferentes velocidades de acesso em banda larga, também vai na mesma direção. Este nacionalismo cibernético bate de frente com a tendência à globalização, que foi um dos fatores impulsionadores da criação da internet. Há, portanto, uma contradição flagrante que desafia os pensadores digitais porque anula boa parte das alternativas conhecidas. O principal dilema é a diversidade de interesses envolvidos nas tentativas de controle do acesso à rede mundial de computadores.
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Há motivos religiosos -- como os da igreja da Cientologia -- que defendem uma inviável privacidade total no uso da rede, ou a alegação de políticos australianos que propõem barreiras digitais à propagação de cultos evangélicos. Há questões morais como as alegadas pela maioria dos países árabes e pelos mórmons norte-americanos, contra a existência de sites pornográficos na internet. E a guerra de gato e rato de alguns governos contra blogueiros independentes e contra redes sociais como Facebook e Twitter, bem como o mecanismo de buscas Google. Caso todas essas iniciativas prosperem, teriamos, em teoria, um conglomerado de mini-repúblicas digitais administrando capitanias virtuais aglutinadas em função de interesses na internet e sem definição territorial clara.
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Segundo a pesquisa, o Brasil é um país onde a internet é livre, com o vigésimo nono lugar no ranking elaborado pela Freedom House, ganhando uma posição em relação à lista preparada pela mesma organização, em 2009. Estamos no bloco intermediário em matéria de inclusão digital, com um índice de 39% da população com acesso à internet, no mesmo grupo em que se encontram Turquia, Venezuela, Rússia, Arábia Saudita e China.
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A polêmica sobre a liberdade de acesso à internet está fortemente ideologizada porque a lista organizada pela Freedom House coincide com a dos países acusados de limitar a a ação das empresas jornalísticas e de violar os direitos humanos. Isto mostra como a questão da internet já foi incorporada à agenda da diplomacia mundial, num contexto bem diferente do existente na época da Guerra Fria. Tudo leva a crer que o divisor de águas não será entre governos, mas entre estes e os novos personagens surgidos na arena da comunicação depois do início da revolução digital. Estes protagonistas são os cidadãos comuns. Aí podem surgir situações curiosas como governos considerados democráticos batalhando junto com outros tidos como autoritários para manter o controle da internet e impedir que os milhões de blogueiros, twiteiros, usuários de redes sociais e do correio eletrônico ignorem o verticalismo e a hierarquização rígida dos sistemas políticos tradicionais.
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FONTE: www.observatoriodaimprensa.com.br
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Pavilhão do Chá será reaberto em JP


Após reforma e ficar fechado por mais de 2 anos, o Pavilhão do Chá, localizado no Centro de João Pessoa, será reaberto no final do próximo mês. A informação é do empresário chinês, Sun Wu, que venceu a concorrência pública realizada pela Prefeitura de João Pessoa, com a finalidade de entregar a administração do prédio a empresas particulares.
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O imóvel, que possui 95 anos de existência, é tombado pelo Instituto de Patrimônio Histórico Artístico e Cultural da Paraíba (Iphaep) e vai funcionar como um restaurante. As instalações dele estão sendo pintadas e recebendo equipamentos e mobília. “Nossa intenção é oferecer almoços e também opções de lanches durante o dia. Apesar de já termos um restaurante especializado em culinária chinesa, ainda não decidimos o cardápio que será adotado no Pavilhão, se será de comidas brasileiras ou não”, afirmou o empresário.
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(Foto: Zelma Brito http://www.panoramio.com)
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Desde que o Pavilhão do Chá foi fechado, as áreas em volta ao imóvel ficaram desertas e atraíram a presença de usuários de drogas e de homens e mulheres que fazem programas sexuais. O prédio também vinha sendo alvo de vandalismo, com paredes e pisos sujos. Por esses motivos, a reabertura do empreendimento vem gerando expectativa entre comerciantes e pessoas que transitam nas áreas do entorno do Pavilhão. O autônomo Edmilson Alves do Nascimento explica que o funcionamento do restaurante vai atrair a clientela e aumentar a movimentação de pessoas no local.
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O aposentado Antônio Vasconcelos também se mostra favorável à reabertura do Pavilhão. Com 65 anos de idade, ele conta que, em tempos atrás, o imóvel era considerado um local requintado e frequentado até por pessoas influentes da sociedade. No entanto, devido ao descaso dos governos, o prédio foi abandonado e passou a ser conhecido como ponto de prostituição e de uso de drogas. “Espero que esse restaurante dê certo, porque esse prédio faz parte da história da cidade. Foi construído em 1917 e não pode ser entregue à própria sorte, como aconteceu”, analisou.
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(Foto: Secom-JP http://www.joaopessoa.pb.gov.br)
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Prédio histórico
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Além de tombado pelo Iphaep, o Pavilhão do Chá também está inserido numa área protegida pelo Instituto Nacional de Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). O superintendente substituto do Iphan, Umbelino Peregrino, disse que a ocupação do prédio vai revitalizar uma parte considerável do Centro Histórico de João Pessoa. “Uma casa fechada, é uma casa abandonada. Mesmo que tenha sido restaurado, o Pavilhão precisava ser ocupado, porque está numa localização privilegiada e com potencial de atrair a movimentação das pessoas e canalizar até a recuperação de outros pontos do centro”, observou Umbelino.
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Através da assessoria de imprensa, o Iphaep informou que considera importante a reabertura do Pavilhão do Chá e que acompanha os trabalhos realizados pela Prefeitura Municipal de João Pessoa, envolvendo o prédio tombado, com a finalidade de manter as características estruturais originais do século passado. Disse ainda que a restauração, feita pela Prefeitura, foi analisada pelos técnicos do Iphaep, para garantir que nem mesmo um vidro que fosse colocado no lugar, altere a estrutura original do prédio.
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FONTE: http://paraibahoje.wordpress.com
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III Fórum de Mídia Livre

(clique na imagem para ampliar)

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

A Soberania Alimentar e seus desafios

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As monoculturas em larga escala para a produção de alimentos foram introduzidas e acompanhadas pelos “pacotes tecnológicos” da “revolução verde” que, ao longo dos anos, têm envenenado e empobrecido a biodiversidade. Isso tem afetado em especial as mulheres, que em muitas comunidades ao redor do mundo são as principais responsáveis por cuidar da saúde, do abastecimento de água e da produção de alimentos, atividades muito atreladas à conservação da biodiversidade.
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Enquanto muito da diversidade foi perdida, foram introduzidas e avançaram monoculturas geneticamente modificadas (transgênicas), tais como: soja, milho, eucalipto, etc., aprofundando os impactos sobre a biodiversidade. Nas suas definições, organismos oficiais, como a Food and Agriculture Organization (FAO), apoiam e fortalecem o modelo monocultural, chamando, por exemplo, uma monocultura de eucalipto transgênica de “floresta” e, com isso, desconsiderando por completo a biodiversidade imensa de uma verdadeira floresta.
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O modelo monocultural em larga escala tem sempre alegado a sua suposta “produtividade” que, no entanto, não conseguiu evitar que cerca de 1 bilhão de pessoas no mundo continuem passando fome. Vale esclarecer que essa “produtividade” está sendo contestada seriamente, inclusive pela ciência. O mais longo estudo nos Estados Unidos sobre o assunto comprovou que a agricultura sem insumos químicos é muito superior ao modelo convencional em termos de colheita e viabilidade(1). E mais: é fato que os camponeses, mesmo com todas as pressões vividas, continuam responsáveis pela produção da maior parte da comida consumida pela população mundial.
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E foram justamente camponeses e camponesas, organizados na Via Campesina, que no início da década de 90, desenvolveram o conceito de "soberania alimentar". Esse é um conceito amplo, que engloba enfoques especiais para enfrentar e estimular alternativas às políticas neoliberais que sustentam o paradigma de desenvolvimento dominante, fundamentado no comércio agrícola internacional liberalizado, na segurança alimentar baseada no comércio e produção industrial agrícola e de alimentos (agroindústria).
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Essas políticas, canalizadas em grande medida pelo “marco” internacional dado pela Organização Mundial do Comércio, pelo Fundo Monetário Internacional, pelo Banco Mundial e demais organismos da política econômico-financeira internacional, têm sido responsáveis, dentre outras coisas, pela contínua expulsão de camponesas e camponeses de suas terras. Também têm sido responsáveis pelo crescente controle de algumas empresas transnacionais sobre a cadeia produtiva da produção das sementes até a venda dos grãos, o que tem provocado uma redução da soberania alimentar.
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Dentro dessa mesma lógica, há algumas décadas, está em curso um processo de apropriação e privatização de sementes no mundo por poucas empresas transnacionais ocidentais, o que se chama “patenteamento”. Hoje em dia, muitos camponeses se veem obrigados a comprar sementes, pagando “royalties” às empresas “donas” das mesmas, que enriquecem enquanto os camponeses perdem sua autonomia para reproduzir a vida na terra. E para as empresas é estratégico ter o controle sobre todas as sementes para continuar garantir o fornecimento para os agricultores.
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Mais recentemente, surgiu o conceito dos chamados “serviços ambientais”, para os quais elementos da biodiversidade como a água, a regulação do clima e a conservação do solo passam a ser comercializados, até mesmo nas bolsas de valores, abrindo margem para a “especulação com a natureza”. O fato é que seu valor necessariamente vai depender da oferta, o que resulta na lógica perversa de quanto mais destruição, mais poderá render um “serviço ambiental”. E tudo isso é chamado de “economia verde”.
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O que significa isso para as populações locais e, sobretudo, para a biodiversidade e a soberania alimentar? Significa mais pressão sobre os recursos naturais, sobre a biodiversidade, das quais essas populações dependem, o que resultará em mais expulsão de milhares de pessoas. E se, por acaso, sua permanência for aceita, a população não poderá mais interferir nos recursos, na biodiversidade. Isso é um desrespeito à sua cultura e reduz a soberania alimentar quando, por exemplo, elas são proibidas de fazer suas roças de subsistência, o que já está ocorrendo em diversas partes do mundo. Com isso, perdem controle sobre o território, perdem sua autonomia.
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Por isso, é muito importante que as comunidades hoje em dia busquem entender plenamente as propostas chamadas “verdes” que são feitas a elas, desde o mecanismo de carbono florestal – REDD+ – até a venda de serviços ambientais. Geralmente, são apresentadas como coisas boas que beneficiariam a comunidade e melhorariam o meio ambiente. Na realidade, são mecanismos que, por sua própria lógica, tendem a piorar o meio ambiente global, e pelo controle que querem exercer sobre o território das populações indígenas, tradicionais e rurais, afetarão profundamente a soberania alimentar de milhões de pessoas no mundo que querem conservar seus modos de vida.
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FONTE: http://ponto.outraspalavras.net
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Estação do Som agita o verão em JP

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Respire o ar da estação mais quente do ano. Ele vem carregado de notas musicais que oxigenam a mente e fazem o corpo dançar. Ele circula nos quatro cantos da cidade, ecoa no centro, percorre a praia e se mistura a brisa e ao barulho do mar. Ele é o puríssimo ar da Estação do Som, o evento que transforma João Pessoa na capital da música.
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Nas edições anteriores o festival levava o nome de estação Nordeste. Neste ano, ele se renovou, ganhou um novo nome, mas manteve a mesma identidade ao trazer, novamente para a nossa capital, artistas de peso nacional que dividem o palco com atrações locais. Uma mistura que impulsiona a cultura, leva milhares de pessoas aos shows gratuitos semanais e rende uma salva de palmas.
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Sexta-feira (20/01) – Ponto de Cem Réis
Wister – 20h
Marcelo Camelo – 22h
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Sábado (21/01) – Busto de Tamandaré
Glaucia Lima – 21h
Lulu Santos – 23h
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Sexta-feira (27/01) – Ponto de Cem Réis
Eleonora Falcone – 20h
Ivan Lins – 22h
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Sábado (28/01) – Busto de Tamandaré
Zé Viola – 21h
Frejat – 23h
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FONTE: http://joaopessoa.pb.gov.br/estacaodosom
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Jornalismo e assessoria de imprensa


Daniel Bougnoux
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Uma questão que permeia o jornalismo e que divide opiniões é se a ética do jornalismo pode ser classificada da mesma forma que a ética da assessoria de imprensa. Há os que acreditam que sim - que a ética que se impõe ao jornalismo também incide sobre a assessoria de imprensa – e os que garantem que não – argumentando inclusive que se tratam de duas profissões diferentes. Os desafios dos profissionais que atuam em assessoria de imprensa os colocam diariamente em atrito com as especificidades éticas do jornalismo, pois estes estão sujeitos ao mesmo Código de Ética dos que atuam em outras áreas da profissão. O fato é que o assunto nos divide, nos coloca frente a frente com questões delicadas que nos forçam a olhar com mais cuidado para a profissão e os desafios inerentes a ela.
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Antes de qualquer coisa é preciso compreender que a ética do profissional pode não corresponder à ética do patrão. Trabalhando em um jornal, em um site de notícias, em uma rádio, TV ou em uma assessoria de imprensa, o jornalista tem duas opções neste caso. Partindo do pressuposto de que não comungue com a ética apresentada pelo contratante cabe ao jornalista pedir demissão e procurar um emprego onde consiga conciliar ética e trabalho ou permanecer no trabalho mesmo que em algumas ocasiões isso viole suas convicções. Além do romantismo teórico não há outra opção.
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Há, no entanto, quem aponte este dilema apenas para a assessoria de imprensa, como se o jornalismo não enfrentasse esta constante luta entre a ética e a realidade das redações. O jornalista Ricardo Noblat levantou a bola em seu artigo “Assim é, se lhe parece”, publicado na revista Comunicação Empresarial nº 47, da Associação Brasileira de Comunicação Empresarial (Aberje), onde sustenta que jornalista e assessor de imprensa são duas profissões distintas. Para Noblat, o jornalismo deve ser livre, crítico e, se necessário, impiedoso, o que não seria possível em assessoria de imprensa. “O jornalismo supostamente praticado nas assessorias de imprensa pode ser livre? Pode ser crítico? E impiedoso, pode ser? Se for qualquer uma dessas coisas, ou todas ao mesmo tempo, não será um jornalismo de assessoria de imprensa. Porque não haverá assessoria de imprensa que sobreviva com um jornalismo desses. Ela simplesmente não terá clientes - nem de esquerda, nem de direita, nem de centro”, sustenta Noblat.
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Haveria então uma disparidade de objetivos entre jornalistas e assessores de imprensa, um abismo medido pelos deveres de cada atividade. Caberia ao jornalista a missão de perseguir a verdade à exaustão, praticando um jornalismo independente, fiel a quem lhe paga o salário, ou seja, o leitor, o cidadão. A missão do assessor de imprensa, por sua vez, seria a de oferecer para divulgação a verdade que melhor sirva ao seu assessorado, e se preciso, ocultar a verdade quando ela lhe for nociva, praticando um jornalismo ligado aos interesses do assessorado.
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Eduardo Ribeiro, jornalista, assessor de imprensa e diretor secretário da Associação Brasileira de Agências de Comunicação concorda. No artigo “Assessor de imprensa e jornalismo” diz que “Quem está em assessoria vive essa eterna crise de identidade, sabedor, ainda que inconscientemente, de que ao passar para o outro lado do balcão passa a ter uma outra identidade profissional, com vários pontos em comum com o jornalismo, é certo, que parece jornalismo, mas que não é jornalismo”.
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O jornalista Eugênio Bucci, em seu artigo “Profissões diferentes requerem códigos de ética diferentes” também defende a separação profissional entre jornalismo e assessoria de imprensa, diz ele: “Separar os ofícios de assessoria de imprensa e de jornalismo será um grande benefício para a profissão de jornalista, que terá direito a um Código de Ética sem ambigüidades... Será um benefício para os assessores de imprensa, que poderão aprofundar, num código específico, as particularidades do seu fazer. Mas, acima de tudo, será um grande benefício para o cidadão que tem direito à informação de qualidade”.
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Neste caminho vale citar jornalistas importantes como Ricardo Setti e Bernardo Ajzemberg que já discutiram a relação entre mídia, empresas e poder e vão mais fundo na radicalização do abismo ético que separa jornalismo e assessoria de imprensa. Para Setti, empresas e suas assessorias de imprensa existem para conspurcar a pureza da verdadeira mídia. Ajzemberg, por sua vez, alerta para os perigos exercidos pela assessoria de imprensa para o “verdadeiro jornalista”. Os dois partem do princípio de que há, de fato, um jornalismo imparcial, puro.
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O próprio Manual Nacional de Assessoria de Imprensa da Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), ao proibir que o jornalista exerça cobertura jornalística pelo órgão em que trabalha, em instituições públicas e privadas onde seja funcionário, assessor ou empregado (capítulo II, artigo 7, VI), põe por terra visões românticas que tratam a filtragem de informações por parte das assessorias de imprensa apenas como uma possibilidade e não como fato. Ora, se houvesse dúvidas sobre se a assessoria de imprensa filtra a informação de acordo com os interesses do assessorado não haveria motivo para a proibição da Fenaj. A própria Federação atesta, desta forma, uma disparidade ética entre jornalismo e assessoria de imprensa.
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Jornalista e Doutor em Comunicação pela UFRJ, Boanerges Lopes amplia o debate ao questionar em seu artigo “Assessor de Imprensa é jornalista?”, em que área do jornalismo há autonomia de fato. “Com todo respeito ao posicionamento de Noblat, podemos simplesmente perguntar: será que existe autonomia necessária para se praticar jornalismo em algum canto do mundo? Difícil responder”, diz Lopes, para quem a grande parte da experiência prática na área e da produção acadêmica sustentam que não.
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O jornalista e sociólogo Jayme Brenner acompanha o mesmo pensamento ao sustentar que não há possibilidade de manter imparcialidade ou independência (e, por conseguinte, manter-se ético) no jornalismo. Ele cita exemplos de sua experiência nos jornais Folha de São Paulo e Correio Braziliense, quando teve que amaciar reportagens que iam contra os interesses dos veículos e desafia: “... atire o primeiro ‘lead’ quem não deu uma forcinha para uma fonte, um político, um amigo ou uma empresa em suas matérias. A rigor, atire a primeira pedra quem jamais discutiu uma matéria com uma fonte de confiança...”. Quem tem a mínima experiência dentro de uma redação sabe que a ética acaba no momento em que começa o interesse do patrão. Manter o público e o privado caminhando lado a lado, sem tropeços nestas searas é tarefa hercúlea. Mais uma vez, restaria ao jornalista optar entre a busca por um trabalho que possa adequar suas obrigações com sua ética ou deixá-la de lado em certas ocasiões.
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Pesquisador do Núcleo de Estudos sobre Mídia e Política (Nemp) da Universidade de Brasília, o professor Venício A. de Lima dá uma espanada na teoria fincando pé firme na realidade das redações e das assessorias: “Qualquer estudante de jornalismo sabe (ou deveria saber), que imparcialidade e objetividade são princípios irrealizáveis na prática concreta da apuração e da redação de notícias, sejam elas de política ou de outra editoria. O que se busca no jornalismo sério e responsável é minimizar a contaminação da cobertura pelas preferências pessoais do(a) repórter e pelos interesses dos donos dos jornais, expressos nos editoriais e nas colunas de opinião dos respectivos veículos”.
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Portanto, a questão não é como deve se portar eticamente o jornalista em assessoria de imprensa, mas como podemos fazer frente, nós, simples mortais, às exigências do poder midiático enclausurado não nas mãos do leitor, mas do patrão. É nesse contexto que as relações entre mídia, poder, interesses econômicos e assessoria de imprensa deve ser debatido. No contexto das relações de interesse que encontram, se separam, batem de frente ou não, de acordo com o momento. Como diz Brenner, “singramos por entre interesses privados, públicos, pessoais, confessáveis e inconfessáveis”, em busca do equilíbrio e da decantada imparcialidade ética.
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FONTE: http://escrevinhamentos.blogspot.com
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A Internet e as relações: reais ou virtuais?


Carol Twy (*)
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Já vi esta frase acima circulando pela Internet há algum tempo. A reflexão não é nova: desde que a rede mundial de computadores passou a ganhar cada vez mais espaço e penetrar os mais diversos setores da sociedade, temos nos questionado acerca dos benefícios e malefícios que a web nos causou e ainda vem causando.
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Um das críticas mais frequentes reside na falta de contato físico presente nas relações virtuais. O ser humano é classicamente um ser marcado pela necessidade do contato. Sendo a pele o maior órgão do corpo, é também o maior receptor deste contato vindo do ambiente, ou seja, é a fronteira relacional entre o sujeito e o mundo. E as relações virtuais, por não contarem com esta característica, acabam por serem consideradas menos importantes, duradouras ou profundas do que as ditas “reais”. Mas, isso é realidade ou mito?
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Há os que defendem que a crescente utilização dos meios virtuais para as mais variadas tarefas do dia-a-dia vem modificando negativamente a forma como estabelecemos e mantemos nossos laços sociais. Através de contatos virtuais, permeados pela impessoalidade, podemos “conhecer” pessoas, trocar experiências, informações, bastando um simples clique para nos desconectarmos daquela realidade – bem diferente do “mundo real”.
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Estas modificações acabariam por reduzir nossa capacidade de desenvolver relacionamentos saudáveis no âmbito “off-line”. Tão acostumados estamos - e cada vez mais - a nos comunicar desta maneira que estaríamos nos tornando cada vez mais inábeis na comunicação “face to face” e mais dependentes da tecnologia.
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Não é exagero dizer que a internet, de fato, transformou a sociedade – fechar os olhos para esta realidade é uma grande bobagem. No entanto, será mesmo que essas transformações nos afetam tão negativamente e de fato temos que estar atentos para não nos tornarmos “escravos” da tecnologia? Voltemos à frase. Que a internet aproxima quem está longe, não há o que se questionar. Mas, será mesmo que ela afasta quem está perto? Ou será que os avanços tão drásticos que a tecnologia nos proporciona acabam por causar certo temor (temor do desconhecido) e, consequentemente, tendemos a evitá-la?
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O ser humano necessita e continuará necessitando de contato físico e as relações virtuais obviamente não podem substituir isso. Mas, tampouco, podem ser consideradas tão negativas, pois permitem uma incrível ampliação das possibilidades de contato e relacionamento entre os indivíduos. É claro que existem também inúmeras formas de utilizar este meio negativamente, já que, assim como em qualquer outro, o resultado desse uso depende do bom senso de quem utiliza.
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Trata-se de uma discussão polêmica e certamente há posicionamentos bastante divergentes. Contudo, em minha opinião, a tendência é que cada vez mais o que chamamos virtual se torne uma extensão do “real”, integrada e gerando interação entre ambos os ambientes - e isso já está acontecendo!. Ou seja, é uma questão de multiplicar as possibilidades, enriquecer, ampliar e melhorar o que já existe. O ambiente 2.0 já é uma realidade, é preciso preparo, atenção e - vale lembrar - bom senso para atuar de forma eficaz e se preparar adequadamente para os avanços que ainda estão por vir – e não serão poucos!
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(*) Estudante de psicologia, atua com gestão de mídias digitais.
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FONTE: http://www.blogmidia8.com
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domingo, 8 de janeiro de 2012

Torneio de Futsal Feminino nos Funcionários 1

Rômulo Halysson
Bertrand Sousa
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A prática de esportes é um habito incondicional na comunidade dos Funcionários I. É comum perceber no bairro como as atividades esportivas, nas suas mais diversas modalidades, envolvem as pessoas. De modo natural, diversas faixas etárias se encontram, dialogam e se articulam diariamente – a partir da prática esportiva – na Praça Lauro Wanderley, o “coração do bairro”, localizada em frente ao Centro de Referência da Juventude Ilma Suzete Gama.
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As primeiras horas do dia, por exemplo, são marcadas pelas caminhadas e exercícios físicos na Praça, momento em que a população local recebe orientações de profissionais do projeto ”Vida Saudável” (PMJP). Na parte da tarde, o half fica lotado com os adeptos dos esportes radicais e as quadras com o pessoal do futsal e basquete. À noite acontecem jogos vôlei e handebol, e até durante a madrugada ocorrem peladas de futsal.
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O CRJ Ilma Suzete Gama vem ao longo do tempo desenvolvendo um importante trabalho com a juventude local, sobretudo na modalidade futsal feminino. Nossa equipe, formada há 4 anos, já foi campeã de vários torneios em João Pessoa. Os treinamentos acontecem de janeiro a dezembro, sem intervalos, nas tardes de quarta e sexta-feira. A disciplina, motivação e vontade de jogar das alunas/atletas é impressionante e justifica os bons resultados alcançados.
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E falando em motivação, a principal delas acontece através da participação em torneios e competições, que proporcionam melhorias no rendimento individual e coletivo de qualquer equipe, além do aumento da experiência em nível de competição e revelação de talentos para o esporte. A partir do momento que nos propomos a organizar algo deste tipo, estamos colaborando de diversas formas com a juventude. Portanto, vem ai o “I Torneio de Futsal Feminino do CRJ Funcionários 1”. Mais informações em breve...
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A privatização da censura


Venício A. de Lima

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O artigo 220 do capítulo sobre a Comunicação Social de nossa Constituição não poderia ser mais claro: "É vedada toda e qualquer censura de natureza política, ideológica e artística". O que não está totalmente esclarecido é de onde parte a censura. Quem são os censores? Não há dúvida de que a liberdade de expressão e a liberdade de imprensa têm suas histórias vinculadas à chamada liberdade negativa (negative freedom), isto é, à liberdade de indivíduos ou grupos de indivíduos de expressar suas opiniões sem interferência externa. Na sua origem essas liberdades se referiam à ausência de restrições exercidas pelo poder absolutista, autoritário, não-democrático. Foi contra esse poder que se insurgiram alguns dos clássicos do liberalismo que continuam até hoje sendo invocados quando o tema reaparece na agenda pública, sobretudo John Milton (1608-1674) e John Stuart Mill (1806-1873).
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Muita coisa mudou desde os tempos em que os indivíduos se reuniam face a face nas suas aldeias e pequenas comunidades para discutir e decidir sobre seus problemas comuns e em que "imprensa" (press) significava o direito individual de imprimir. O desenvolvimento tecnológico e a conformação dos sistemas econômicos fizeram com que as sociedades se tornassem mais complexas e grande parte da comunicação humana fosse, aos poucos, sendo intermediada por tecnologias (mídias) e instituições (empresas privadas) que estão longe de ser meros condutores neutros através dos quais a informação circula livremente. Hoje, essas empresas de mídia – que pretendem representar a cada um de nós – se constituem em importantes e poderosos atores, tanto econômicos quanto políticos, mas, sobretudo, como atores determinantes na construção da opinião pública em todo o mundo.
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O exemplo europeu
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Não é segredo para ninguém que a "indústria das comunicações", apesar de crises financeiras localizadas, se transformou em um dos principais negócios das últimas décadas. E exemplo de concentração da propriedade no mundo globalizado ("sinergia", na linguagem dos CEOs), reduzida a alguns megagrupos privados que tendem cada vez mais a controlar o que vemos, ouvimos e lemos. Basta olhar ao redor de nós mesmos: uns poucos grupos familiares-empresariais, alguns já associados a megagrupos multinacionais, praticamente controlam as comunicações no Brasil.
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Pois bem. Será que essa nova realidade histórica altera a concepção de "liberdade negativa" em relação apenas ao poder do Estado, referida às liberdades de expressão e de imprensa, que teve sua origem nas sociedades européias do século 17? Será que a concentração da propriedade privada dos meios de comunicação tem alguma interferência na liberdade de expressão, na pluralidade de fontes e na diversidade de conteúdos, pilares da democracia representativa liberal?
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Em vários países da União Européia a resposta é definitivamente "sim". Na Alemanha, na Espanha e em Portugal, as constituições nacionais, além de impedir a censura estatal, trazem também provisões para que o Estado a) garanta a existência de uma imprensa livre e diversa; ou b) impeça a concentração da propriedade; ou c) garanta acesso a todos os grupos sociais e políticos e assegure a diversidade na mídia.
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Evidência ignorada
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Por outro lado, desde a década de 1970, o chamado PICA-Index (Press Independence and Critical Ability) incluiu entre seus indicadores as "restrições econômicas" para a aferição da liberdade de imprensa. Por "restrições econômicas" são entendidas as conseqüências da concentração da propriedade ou de problemas que decorram da instabilidade econômica das empresas jornalísticas. O próprio Press Freedom Survey, publicado anualmente pela Freedom House americana, trabalha com uma definição de liberdade de imprensa que inclui variáveis econômicas. Vale dizer, considera que restrições à liberdade de imprensa podem decorrer de outros fatores que não exclusivamente a interferência do Estado.
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Enquanto isso, entre nós, "o mercado" continua absoluto como única forma admitida pela indústria das comunicações como critério e medida das liberdades de expressão e de imprensa. Qualquer alusão à necessidade de algum tipo de regulação democrática do setor, feita por quem quer que seja, será liminarmente estigmatizada como autoritarismo, stalinismo, totalitarismo. Quase 20 anos depois do fim da ditadura, em plena democracia, continuamos a ignorar, no Brasil, a evidência de que, junto com outras atividades anteriormente consideradas como exclusivas do Estado, a censura também está sendo privatizada.
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FONTE: www.observatoriodaimprensa.com.br
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A leitura através da locação de livros

Paula de Almeida Rochetti
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A leitura é uma prática. Uma prática ensinada, aprendida, elaborada, significada e ressignificada constantemente. É uma prática que vai além da decifração do código escrito, que vai além do encontro do leitor com o texto, que ultrapassa as barreiras do tempo e do espaço. Em busca de leitura e do leitor, nos perguntamos: será que o brasileiro realmente não lê?
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Esta ideia amplamente difundida entre nós e plenamente aceita por muitos, persiste ainda, pois, dentre outros motivos, acredita-se que leitor é aquele que lê um certo tipo de literatura e que o faz de uma certa forma, criando-se assim um estereótipo de leitor. Em uma busca por leitores, encontramos uma locadora de livros, em Campinas-SP, já com 15 anos de funcionamento! Ali naquele espaço encontramos uma prática pouco conhecida: a prática de locar livros. Uma prática cheia de gestos, representações, modos de funcionamento, que são próprios deste espaço
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Quando entramos em uma locadora de livros e encontramos um leitor que escolhe um romance, conversa sobre as histórias (as lidas e as vividas), encontramos um sujeito ator e autor de uma história da leitura. Ao mesmo tempo em que pertence a um grupo de leitores de livros de aluguel, e atua (inconscientemente) de acordo com esta prática histórica, social e culturalmente constituída, está também modificando-a, sendo autor de novos gestos e significados.
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Atualmente, as formas de locação são diversificadas. O leitor pode alugar apenas um livro por vez; pode associar-se e pagar uma mensalidade pelas suas leituras; ou pode fazer seus empréstimos pela Internet e receber os livros na sua própria casa. Porém muitos leitores nem ao menos sabem que locadoras de livros existem. Nessa locadora encontrada, mais de 1.200 leitores já foram cadastrados. Eles tem mais de seis mil títulos a disposição. Os livros mais procurados por eles são os livros para lazer, em sua maioria os romances recém-lançados. Através da locação eles lêem, em média, quatro livros ao mês. Podem também aproveitar as revistas e jornais que ficam a disposição.
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Percebemos que os leitores da locadora sentem necessidade de compartilhar suas leituras e a forma como significaram os textos lidos. A locadora de livros oferece um espaço onde as práticas de leitura de cada um podem ser compartilhadas. O simples fato de um livro ser o mais procurado já apresenta um movimento do grupo, e o leitor, que não conversou efetivamente com outro leitor sobre o livro, pode retirá-lo com a segurança de que foi aceito pelo grupo ao qual pertence.
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Outro aspecto da locação diz respeito à importância de um mediador para estas relações. No caso da locadora de Campinas, é a proprietária da locadora quem faz todas as trocas, acolhe os comentários, associa mentalmente os leitores e faz novas indicações. Enfim, a locação de livros é uma prática que nos apresenta uma certa maneira de ler, com leitores e leituras legítimas.
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FONTE: Revista Mundo Jovem, ano 48, n° 412.
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Brasil lidera ranking de combate à fome

Luana Lourenço
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O Brasil lidera pela terceira vez o levantamento da organização não governamental (ONG) ActionAid, que lista os países que mais combatem a fome. Desta vez, o anúncio de mais investimentos para a agricultura familiar levou o Brasil ao topo do ranking. Malauí, Ruanda, Etiópia e Tanzânia completam as cinco primeiras posições. O relatório lista resultados do Programa Fome Zero, que levou à redução da desnutrição infantil em 73% entre 2002 e 2008, e elogia a inclusão do direito à alimentação na Constituição Federal em fevereiro de 2010.
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A iniciativa mais recente do País no combate à insegurança alimentar, segundo a ONG, foi o anúncio de R$ 16 bilhões para o Plano Safra da Agricultura Familiar 2011/2012, para investimentos na produção de alimentos, geração de renda no campo e organização econômica de agricultores familiares, assentados da reforma agrária e povos e comunidades tradicionais. Apesar dos bons resultados, segundo a ActionAid, o Brasil precisa avançar na distribuição de terras, uma das mais desiguais do mundo. De acordo com o relatório, 56% da terra agricultável estão nas mãos de 3,5% dos proprietários rurais. Os 40% mais pobres têm apenas 1% dessas terras.
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“O país precisa resolver a profunda desigualdade no acesso à terra e assegurar que os novos processos de crescimento não gerem novas exclusões por meio do deslocamento das populações. E ainda há 16 milhões de pessoas em situação de extrema pobreza, altamente vulneráveis à fome. Essas pessoas são profundamente excluídas, são necessárias políticas públicas muito específicas e desenhadas para esse grupo”, avaliou o coordenador da ActionAid Brasil, Adriano Campolina.

Segundo ele, pode ser compartilhada com outros países a experiência brasileira em iniciativas de transferência de renda e políticas de proteção social e segurança alimentar, como os programas de merenda escolar e de construção de cisternas em regiões semiáridas. Na avaliação global, o levantamento aponta que apesar de recentes avanços no combate à fome e à insegurança alimentar, o mundo está prestes a enfrentar uma agravamento da crise de oferta de alimentos. Entre as causas estão os efeitos das mudanças climáticas e a perspectiva de aumento de preço dos alimentos, que deverá levar mais 44 milhões de pessoas à pobreza. De acordo com a ActionAid, a demanda de terras para a produção de biocombustíveis deve continuar inflacionando o preço dos alimentos.
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De acordo com Campolina, a crise econômica também deve frear os esforços internacionais de combate à fome. “Em um ambiente de crise há menos recursos disponíveis tanto para a ajuda externa quanto para o investimento doméstico em agricultura, o que pode levar a uma diminuição dos recursos que poderiam ser destinados à agricultura familiar e sustentável. Apesar que boa parte do que se ouviu até hoje sobre promessa de ajuda dos países ricos não constitui novos recursos”, acrescentou o coordenador executivo.
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A ONG sugere que o G20 (grupo das 20 maiores economias do mundo) inclua a crise alimentar na pauta de sua próxima reunião, em novembro, em Cannes, na França, e se comprometa, por exemplo, a garantir investimentos às pequenas propriedades dos países pobres e a frear a especulação de terras para a produção de biocombustíveis. “O G20 tem que tomar as medidas concretas para cumprir a prioridade de combater a fome. A prioridade não pode ser salvar grupos financeiros que especulam com commodities agrícolas ao custo da fome das populações pobres. É preciso investir em pequenos agricultores que produzem alimentos para consumo local e dinamizam mercados domésticos, apoiar a criação de estoques de alimentos nacionais e regionais e controlar a especulação financeira com produtos agrícolas”, defendeu o coordenador.
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FONTE: http://www.conversaafiada.com.br
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segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

2012: seja bem vindo!

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Caros leitores, amigos e seguidores, depois de algum tempo estamos de volta! Neste ano que se inicia devemos retomar a frequência normal de postagens aqui no Comunicarte, mantendo a qualidade que vocês já conhecem e trazendo para o debate diversos temas que acompanhamos diariamente em outros blogs, sites e redes sociais. Acabamos de ultrapassar a marca de 62.000 acessos e vamos em frente! Um forte abraço para todos(as) e #Feliz2012
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terça-feira, 11 de outubro de 2011

Ponto CEMtífico movimenta Centro da Capital

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Iniciação científica e qualificação para o mercado de trabalho são alguns dos objetivos a serem alcançados pelo projeto Ponto “Cem”tífico, lançado no dia 03/10, no Ponto de Cem Réis. O evento é comemorativo à Semana Nacional de Ciência e Tecnologia, com o tema “Mudanças Climáticas, desastres naturais e prevenção de riscos”, mas a Prefeitura Municipal de João Pessoa (PMJP) vai realizar cursos, oficinas, workshops, palestras e apresentações culturais até o próximo dia 28, com a entrega de 400 certificados. As inscrições estão abertas e a programação ocorre de segunda a sexta-feira das 8h às 18h e, aos sábados, das 9h às 13h.

“Nós queremos levar o conhecimento científico e tecnológico à população de João Pessoa e por isso trouxemos diversas ações que realizamos em nossa gestão. Mas no Ponto de Cem Réis muito mais pessoas terão acesso a estas informações de ciência e tecnologia, podendo se capacitar para a vida pessoal, porque aqui estamos tratando também de uma iniciação, mas também na vida profissional, porque alguns cursos podem gerar trabalho e renda”, frisou o secretário de Ciência e Tecnologia, Marconi Maia.

De acordo com ele, na montagem da estrutura no Ponto de Cem Réis, diversas pessoas já demonstraram interesse e já queriam fazer as inscrições nos cursos e oficinas. Marconi Maia disse que serão entregues em torno de 400 certificados de participação. “Estamos trabalhando com políticas públicas sérias, com dignidade e fácil acesso aos cidadãos”. O Ponto “Cem”tífico é formado pelos projetos da Secitec (Estações Digitais, Casa Brasil e Estação da Moda), com a participação de órgãos municipais, entre eles, a Estação Cabo Branco – Ciência, Cultura e Artes, Departamento de Gestão Curricular e Departamento de Informática Educativa da Secretaria Municipal de Educação e Cultura (Sedec), Secretaria de Desenvolvimento Social (Sedes) e Secretaria de Meio Ambiente (Semam).

Uma das usuárias das estações digitais, Maria Angélica, representou todos os alunos dos cursos da Secitec na solenidade de lançamento do projeto. “Eu agradeço muito à PMJP pela realização de todas estas atividades. Se não fosse a Estação Digital eu estaria uma ignorante na área de informática”. Já o representante dos instrutores, Vitor Santos, convidou a todos os presentes a participarem das atividades do Ponto “Cem”tífico.

O superintendente regional do Trabalho e Emprego, Inácio Machado, e o presidente da Fundação de Amparo e Pesquisa da Paraíba (Fapesq), Cláudio Furtado, destacaram a iniciativa da PMJP em difundir a ciência e a tecnologia para a população, em um esforço concentrado que dura todo o mês de outubro. “Esta é uma ação louvável e não apenas os jovens terão acesso a este tipo de conhecimento”, disse Inácio Machado. Já o deputado João Gonçalves destacou que a população é a maior beneficiada com o projeto Ponto “Cem”tífico. “Quem ganha é o povo”, falou ele.

O coordenador regional da Semana Nacional de Ciência e Tecnologia, Fernando Medeiros, reconheceu a ousadia da PMJP em realizar o evento pelo mês inteiro. “Em âmbito nacional o evento começa no dia 17 deste mês, mas a PMJP tem uma visão avançada em relação ao tema. O melhor de tudo é que a população terá acesso gratuito”.

No estande da Secretaria de Educação e Cultura, a coordenadora de informática educativa do Departamento de Gestão Curricular, Janilde Guedes, destacou a realização do V Workshop de Tecnologia na Educação: Novas Tecnologias, voltado aos monitores e professores da rede de ensino. “Nós temos desenvolvido um trabalho importante na área de robótica. Nossos alunos ocuparam a 14ª posição em uma competição nacional e foram a única equipe de escola pública no País a participar”, frisou ela.

Participantes – O DJ de 24 anos, Alisson de Carvalho, vai aproveitar a oportunidade para se capacitar em sua área de atuação. “Quando soube que ia ter este curso para DJ corri para me inscrever, porque é gratuito e a concorrência é grande. Espero aprender bastante e melhorar a qualidade do meu trabalho”, disse ele. Segundo o instrutor do curso, Henrique de Shivas, há apenas 20 vagas disponíveis. “Na Casa Brasil a duração é dois meses, mas aqui vamos fazer algo mais dinâmico e ministrar o curso em um mês, com carga horária de 20 horas”, diz ele, que também é instrutor de produção musical. As adolescentes Carol Ferreira e Elizabeth da Silva ficaram entusiasmadas com as atividades e se interessaram em participar dos cursos da área de informática. “A gente já usa a Estação Digital na Ilha do Bispo, mas agora queremos aprofundar um pouco neste assunto”, disse a estudante Carol.