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quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Feliz Ano Novo!
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Funjope divulga programação do Estação Nordeste
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A programação completa do ‘Estação Nordeste’ de 2011 foi divulgada recentemente pela Fundação Cultural de João Pessoa (Funjope). Serão 17 atrações, incluindo artistas e grupos nacionais e internacionais. Nomes como o músico francês Manu Chao e a cantora Uxia, da Galícia, estão entre os convidados estrangeiros.
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Maria Bethânia, grupo Mawaca, Margareth Menezes, André Abujamra, Zeca Baleiro, Ana Carolina e Gabriel, o pensador, também vão animar as noites de sexta-feira e sábado, durante todo mês de janeiro. Os shows são gratuitos e acontecem a partir das 21h tanto no Ponto de Cem Réis como no Busto de Tamandaré.
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No primeiro dia do ‘Estação Nordeste’, quem sobe ao palco é a cantora e compositora baiana Margareth Menezes, além da paraibana Regina Brown. Os dois shows serão na sexta-feira (07/01), no Busto de Tamandaré. Nas demais sextas-feiras, a apresentações vão acontecer sempre no Ponto de Cem Réis. Já aos sábados, a programação será no Busto de Tamandaré.

Uma das atrações mais esperadas, a cantora Maria Bethânia, fará uma apresentação histórica nas areias da praia de Tambaú, em 22 de janeiro. Ela será antecedida pelo grupo paraibano Clã Brasil. Os pessoenses e os turistas que estiverem na capital paraibana no período do ‘Estação Nordeste’ terão ao todo quatro finais de semana de shows gratuitos e de qualidade. Para encerrar a programação, no sábado, 29/01, a Funjope convidou o músico francês Manu Chao. Antes, quem sobe ao palco é a banda campinense de surf music Sex on the Beach. Confira logo abaixo a programação completa do ‘Estação Nordeste’:
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07/01 (sexta-feira)
Local: Busto de Tamandaré
- Margareth Menezes
- Regina Brown
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08/01 (sábado)
Local: Busto de Tamandaré
- Gabriel, o pensador
- Sacal
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14/01 (sexta-feira)
Local: Ponto de Cem Réis
- Seu Pereira e Coletivo 401
- André Abujamra
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15/01 (sábado)
Local: Busto de Tamandaré
- Ana Carolina
- Gitana
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21/01 (sexta-feira)
Local: Ponto de Cem Réis
- Fernanda Cabral
- Mawaca
- Uxia
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22/01 (sábado)
Local: Busto de Tamandaré
- Maria Bethânia
- Clã Brasil
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28/01 (sexta-feira)
Local: Ponto de Cem Réis
- Toninho Borbo
- Zeca Baleiro
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29/01 (sábado)
Local: Busto de Tamandaré
- Sex on the Beach
- Manu Chao
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FONTE: http://www.paraiba1.com.br
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10 estratégias de manipulação midiática
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Noam Chomsky (*)
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1. A estratégia da distração. O elemento primordial do controle social é a estratégia da distração, que consiste em desviar a atenção do público dos problemas importantes e das mudanças decididas pelas elites políticas e econômicas, mediante a técnica do dilúvio ou inundação de contínuas distrações e de informações insignificantes. A estratégia da distração é igualmente indispensável para impedir que o público se interesse pelos conhecimentos essenciais, na área da ciência, da economia, da psicologia, da neurobiologia e da cibernética. “Manter a atenção do público distraída, longe dos verdadeiros problemas sociais, cativada por temas sem importância real. Manter o público ocupado, ocupado, ocupado; sem nenhum tempo para pensar; de volta à granja com outros animais";
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2. Criar problemas e depois oferecer soluções. Esse método também é denominado “problema-ração-solução”. Cria-se um problema, uma “situação” previsa para causar certa reação no público a fim de que este seja o mandante das medidas que desejam sejam aceitas. Por exemplo: deixar que se desenvolva ou intensifique a violência urbana, ou organizar atentados sangrentos, a fim de que o público seja o demandante de leis de segurança e políticas em prejuízo da liberdade. Ou também: criar uma crise econômica para forçar a aceitação, como um mal menor, do retrocesso dos direitos sociais e o desmantelamento dos serviços púbicos;
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3. A estratégia da gradualidade. Para fazer com que uma medida inaceitável passe a ser aceita basta aplicá-la gradualmente, a conta-gotas, por anos consecutivos. Dessa maneira, condições socioeconômicas radicalmente novas (neoliberalismo) foram impostas durante as décadas de 1980 e 1990. Estado mínimo, privatizações, precariedade, flexibilidade, desemprego em massa, salários que já não asseguram ingressos decentes, tantas mudanças que teriam provocado uma revolução se tivessem sido aplicadas de uma só vez;
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4. A estratégia de diferir. Outra maneira de forçar a aceitação de uma decisão impopular é a de apresentá-la como “dolorosa e desnecessária”, obtendo a aceitação pública, no momento, para uma aplicação futura. É mais fácil aceitar um sacrifício futuro do que um sacrifício imediato. Primeiro, porque o esforço não é empregado imediatamente. Logo, porque o público, a massa tem sempre a tendência a esperar ingenuamente que “tudo irá melhorar amanhã” e que o sacrifício exigido poderá ser evitado. Isso dá mais tempo ao público para acostumar-se à idéia de mudança e de aceitá-la com resignação quando chegue o momento.
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5. Dirigir-se ao público como se fossem menores de idade. A maior parte da publicidade dirigida ao grande público utiliza discursos, argumentos, personagens e entonação particularmente infantis, muitas vezes próximos à debilidade mental, como se o espectador fosse uma pessoa menor de idade ou portador de distúrbios mentais. Quanto mais tentem enganar o espectador, mais tendem a adotar um tom infantilizante. Por quê? “Ae alguém se dirige a uma pessoa como se ela tivesse 12 anos ou menos, em razão da sugestionabilidade, então, provavelmente, ela terá uma resposta ou ração também desprovida de um sentido crítico;
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6. Utilizar o aspecto emocional mais do que a reflexão. Fazer uso do aspecto emocional é uma técnica clássica para causar um curto circuito na análise racional e, finalmente, ao sentido crítico dos indivíduos. Por outro lado, a utilização do registro emocional permite abrir a porta de acesso ao inconsciente, para implantar ou enxertar idéias, desejos, medos e temores, compulsões ou induzir comportamentos e necessidades…
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7. Manter o público na ignorância e na mediocridade. Fazer com que o público seja incapaz de compreender as tecnologias e os métodos utilizados para seu controle e sua escravidão. “A qualidade da educação dada às classes sociais menos favorecidas deve ser a mais pobre e medíocre possível, de forma que a distância da ignorância que planeja entre as classes menos favorecidas e as classes mais favorecidas seja e permaneça impossível de alcançar ;
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8. Estimular o público a ser complacente com a mediocridade. Levar o público a crer que é moda, de fato, ser estúpido, vulgar e inculto;
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9. Reforçar a autoculpabilidade. Fazer as pessoas acreditarem que são culpadas por sua própria desgraça, devido à pouca inteligência, por falta de capacidade ou de esforços. Assim, em vez de rebelar-se contra o sistema econômico, o indivíduo se autodesvalida e se culpa, o que gera um estado depressivo, cujo um dos efeitos é a inibição de sua ação. E sem ação, não há revolução!;
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10. Conhecer os indivíduos melhor do que eles mesmos se conhecem. No transcurso dos últimos 50 anos, os avanços acelerados da ciência gerou uma brecha crescente entre os conhecimentos do público e os possuídos e utilizados pelas elites dominantes. Graças à biologia, à neurobiologia e à psicologia aplicada, o “sistema” tem disfrutado de um conhecimento e avançado do ser humano, tanto no aspecto físico quanto no psicológico. O sistema conseguiu conhecer melhor o indivíduo comum do que ele a si mesmo. Isso significa que, na maioria dos casos, o sistema exerce um controle maior e um grande poder sobre os indivíduos, maior do que o dos indivíduos sobre si mesmos.
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(*) Linguista, filósofo e ativista político estadunidense.
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FONTE: Centro de Estudos Politicos Econômicos e Culturais
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O jovem fala de si
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Hebe Signorini Gonçalves (*)
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Em pesquisa coordenada por Lucia Rabello de Castro, 1.300 jovens foram entrevistados na região metropolitana do Rio de Janeiro. Entre outros aspectos, eles foram indagados acerca de quais seriam, em seu entender, os principais problemas da juventude, e quais as formas de enfrentá-los.
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Os resultados mostram que as questões relacionadas à violência, à droga e ao tráfico despontam como os principais problemas citados. Na descrição dos jovens, é a associação violência-droga-tráfico a resposta mais significativa. Observe-se que não se trata de problemas isolados que se potencializam, mas de uma única questão expressa em três vertentes indissociáveis, constituindo uma unidade discursiva. No entender dos jovens entrevistados, violência-droga-tráfico constitui um problema porque impõe um risco real - a ameaça à segurança pessoal - e uma limitação simbólica - representada no sentimento do medo que conforma os modos de viver e circular na cidade.
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Não há como escapar: polícia e traficantes aparecem como faces do mesmo problema; amigos de antes ingressam na marginalidade e não podem mais compartilhar espaços nem tampouco histórias de vida; freqüentar os bares, os pontos de encontro, é atitude que requer um esmiuçar constante dos riscos envolvidos; a ida à escola deve considerar, a cada dia, se é possível ir, ficar e voltar. A praça, que nas comunidades mais pobres é o lugar da vida social, nem sempre está disponível para a brincadeira, o namoro, o encontro com os amigos. Assim descrita, a vida nas comunidades emerge como o lugar de uma forma bastante peculiar de socialização, em que será necessário ao jovem exercitar a percepção, ficar esperto4 para escapar das inúmeras armadilhas que as trocas sociais oferecem. É preciso resistir à tentação do ganho fácil, empreender um esforço da vontade para aplicar-se nos estudos e formar um capital pessoal que mais adiante, transpostos os muitos obstáculos, possa vir a garantir um emprego que permita ao jovem apresentar-se à sociedade, finalmente, como adulto.
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O destaque aos dados coletados na comunidade de Bom Retiro serve para desmistificar a crença de que a violência decorre das atividades ligadas ao tráfico de drogas. Ali não há referência ao tráfico, mas, ainda assim, a droga é o problema mais citado; ela se conecta à violência pela via subjetiva, não pelas disputas de quadrilha pelo mercado da droga. No entender dos jovens residentes nessa comunidade em particular, o uso de drogas é uma escolha do sujeito, condicionada em grande parte pelos problemas que ele não quer ou não pode enfrentar: porque tem a cabeça fraca ou porque, diante das dificuldades com os pais em casa, elegeu a droga como uma resposta fácil para seus problemas.
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O julgamento moral que condena o uso da droga será aplicado, assim, às conseqüências que ela acarreta para o sujeito: a droga impede a dedicação aos estudos, esforço necessário na construção de um futuro estruturado com base no emprego sólido e nas relações afetivas estáveis. A droga compromete as relações de amizade e vizinhança, pois, drogado, o jovem se sente superpoderoso e quer matar todo mundo. Ao deslocar o tráfico, pode-se assim pôr em relevo as escalas de valor que orientam certas percepções do jovem: o núcleo de sentido em suas falas é a cabeça fraca, que afasta o jovem do emprego e da vida em família, e introduz a violência na esfera de suas relações pessoais. Mais que a segurança pessoal, preocupa o comprometimento de projetos de futuro que têm como rumo e norte a estabilidade econômica e afetiva. Consciente das dificuldades a superar, o jovem deixa transparecer que só a cabeça forte o levará até lá.
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Não se trata de negar o risco das ruas, reconhecido como real. Todos os entrevistados fazem referência a uma violência que é difusa, que está em todo lugar, que alimenta seus medos e condiciona suas escolhas. O enfrentamento dessa dificuldade específica pede a ação dos setores públicos, em particular da polícia, instância que identificam como a responsável pelo controle da criminalidade urbana. Mas, incontinenti, apontam a polícia como parte do problema, pois ela é corrupta, entra nas comunidades pra esculachar, estabelecendo uma tensão que potencializa o medo e a violência, em vez de reduzi-los.
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Na ausência do público como fonte de suporte para a vida social até mesmo no que diz respeito ao controle da criminalidade, o jovem ressente-se da ausência do Estado. Diante de um poder público que não tem feito muita coisa, refluem sobre a família todas as expectativas de suporte e apoio. Não faço a mínima idéia de com quem ele [o jovem] pode contar hoje além da família, resume um entrevistado. Na frase: "a família é tudo", repetida por um contingente expressivo de jovens entrevistados, desenha-se a chave da construção de suas subjetividades. O apoio da família, vital para ampliar a chance de realizar os projetos de vida, é praticamente o último reduto de seus sonhos. É um apoio que se traduz na presença física - conversar, acompanhar a vida dos jovens e ser companheiro nos momentos difíceis - e também no esteio econômico, que permite a eles atravessar a fase da vida em que não podem se sustentar.
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(*) Doutora em Psicologia, integrante do Núcleo Interdisciplinar de Pesquisa e Intercâmbio para a Infância e Adolescência Contemporâneas, do Instituto de Psicologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).
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FONTE: http://juventudesulamericanas.org.br
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A verdade ganhará sempre
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Julian Assange (*)
Tradução Paula Sequeiros
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Em 1958 o jovem Rupert Murdoch, então proprietário e editor de The News de Adelaide, escreveu: “na corrida entre segredo e verdade, parece inevitável que a verdade ganhe sempre”. A sua observação talvez reflectisse a revelação do seu pai, Keith Murdoch, de que as tropas australianas estavam a ser sacrificadas desnecessariamente nas costas de Gallipoli por comandantes britânicos incompetentes. Os britânicos tentaram calá-lo, mas Keith Murdoch não se deixou silenciar e os seus esforços levaram ao fim da campanha desastrosa de Gallipoli.
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Quase um século depois, a WikiLeaks está também a publicar destemidamente factos que precisam ser publicados. Cresci numa cidade rural de Queensland, onde as pessoas diziam o que lhes ia na alma de forma franca. Desconfiavam dum governo grande, como algo que pode ser corrompido se não for vigiado cuidadosamente. Os dias negros da corrupção no governo de Queensland, antes do inquérito Fitzgerald, são testemunho do que acontece quando os políticos amordaçam os meios de comunicação para não informarem a verdade.
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Essas coisas calaram-me fundo. A WikiLeaks foi criada em torno desses valores centrais. A ideia, concebida na Austrália, era usar tecnologias Internet em novas formas de informar a verdade. A WikiLeaks cunhou um novo tipo do jornalismo: o jornalismo científico. Trabalhamos com outros serviços informativos para trazer as notícias às pessoas, mas também para provar que é verdade. O jornalismo científico permite-nos ler uma história nas notícias, a seguir clicar online para ver o documento original em que é baseada. Dessa forma podemos ajuizar por nós mesmos: a história é verdadeira? O jornalista informou-nos com precisão?
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As sociedades democráticas precisam de meios de comunicação fortes e a WikiLeaks é uma parte desses meios. Os meios de comunicação ajudam a que o governo se mantenha honesto. A WikiLeaks revelou algumas verdades difíceis sobre as guerras do Iraque e do Afeganistão e sobre histórias incompletas da corrupção corporativa. Houve quem dissesse que sou anti-guerra: para que conste, não sou. Às vezes as nações têm de ir à guerra, e há guerras justas. Mas não há nada mais errado do que um governo mentir ao seu povo sobre essas guerras e depois pedir a esses mesmos cidadãos e cidadãs que arrisquem as suas vidas e os seus impostos com essas mentiras. Se uma guerra for justificada, então digam a verdade e as pessoas decidirão se a apoiam.
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Se você tiver lido alguns dos diários de guerra do Afeganistão ou do Iraque, algum dos telegramas da embaixada dos Estados Unidos ou alguma das histórias sobre as coisas que a WikiLeaks reportou, pondere como é importante para todos os meios de comunicação serem capazes de informar estas coisas livremente. A WikiLeaks não é o único editor dos telegramas da embaixada dos Estados Unidos. Outros serviços informativos, incluindo o britânico The Guardian, o americano The New York Times, o El Pais (da Espanha) e a Der Spiegel, da Alemanha, publicaram os mesmos telegramas editados.
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Mas é a WikiLeaks, como coordenador desses outros grupos, que apanhou com os ataques e acusações mais maldosos do governo dos Estados Unidos e dos seus acólitos. Fui acusado de traição, embora seja australiano, não um cidadão dos EUA. Houve dúzias de apelos graves nos EUA para que eu fosse "retirado" por forças especiais dos Estados Unidos. Sarah Palin diz que devo ser “acossado como Osama bin Laden”, um projecto de lei republicano apresenta-se ao Senado dos Estados Unidos tentando que me declarem “uma ameaça transnacional” e se desembaracem de mim consequentemente. Um conselheiro do gabinete do Primeiro-Ministro canadiano apelou à televisão nacional para que eu fosse assassinado. Um blogger americano pediu que meu filho de 20 anos fosse raptado e maltratado sem nenhuma razão, senão para apanharem-me.
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E os australianos devem observar sem qualquer orgulho a alcoviteirice ignominiosa desses sentimentos pela Primeira-Ministra Gillard e pela Secretária de Estado dos Estados Unidos Hillary Clinton, que não tiveram uma palavra de crítica para com os outros meios de comunicação. Isto acontece porque o The Guardian, o The New York Times e a Der Spiegel são antigos e grandes, enquanto a WikiLeaks é ainda jovem e pequena. O governo de Gillard está tentando matar o mensageiro porque não quer a verdade revelada, incluindo informações de seus feitos diplomáticos.
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Houve alguma resposta do governo australiano às numerosas ameaças públicas de violência contra mim e outro pessoal da WikiLeaks? Poder-se-ia ter pensado que um primeiro-ministro australiano iria defendendo os seus cidadãos contra tais coisas, mas houve apenas reclamações não inteiramente genuínas de ilegalidade. Da Primeira-Ministra, e especialmente do Procurador-Geral, espera-se que tratem os seus deveres com dignidade e acima das querelas. Fiquem descansados, esses dois vão tratar de salvar a sua própria pele. Não o farão.
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Sempre que a WikiLeaks publica a verdade sobre abusos cometidos por agências dos Estados Unidos, os políticos australianos entoam um coro provavelmente falso com o Departamento de Estado: “Vai arriscar vidas! Segurança nacional! Vai pôr as tropas em perigo!” Depois dizem que não há nada importante no que a WikiLeaks publica. Não podem ser verdade ambas as coisas. Qual delas é?
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Não é nenhuma. A WikiLeaks tem uma história de publicação com quatro anos. Durante esse tempo mudamos governos inteiros, mas nem uma pessoa, que se saiba, foi mal-tratada. Mas os EUA, com a conivência do governo australiano, mataram milhares só nestes últimos meses. O Secretário da Defesa dos Estados Unidos Robert Gates admitiu numa carta ao Congresso dos EUA que nenhuma fonte de informação ou métodos sensíveis tinham ficado comprometidos pela revelação dos diários de guerra afegãos. O Pentágono afirmou que não houve nenhuma prova de que os relatórios da WikiLeaks tinham levado alguém a ser mal-tratado no Afeganistão. A NATO em Cabul disse à CNN que não pôde encontrar nem uma pessoa que precisasse de protecção. O Departamento Australiano de Defesa disse o mesmo. Ressaltamos que nenhuma tropa australiana ou fontes nossas foram prejudicadas por nada que publicamos.
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(*) Fundador e redator-chefe da WikiLeaks.
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FONTE: http://www.novae.inf.br
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quinta-feira, 9 de dezembro de 2010


Prefeitura divulga atrações de fim de ano em JP
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A Fundação Cultural de João Pessoa (Funjope) divulgou as atrações do fim de ano na Capital Paraibana. Todas as atividades vão acontecer no Busto de Tamandaré, Estação Cabo Branco e na UFPB. A programação de fim de ano de João Pessoa começa no próximo dia 25/12, com o já tradicional Concerto de Natal. A partir do dia 26/12, tem início o Festival 'Música do Mundo', reunindo nomes da música instrumental, e termina com a festa de réveillon. A programação do Estação Nordeste, que movimenta a cidade em janeiro, está sendo fechada pela Funjope.
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O 'Concerto de Natal' será executado pela Orquestra de Câmara da Cidade de João Pessoa (OCCJP), com participação do Coro Vozes da Infância, formado por crianças da rede municipal. A regência será do maestro Gustavo de Paco. A apresentação está marcada para começar a partir das 19h, da sexta-feira (25/12), em palco armado à beira-mar, em frente ao Busto de Tamandaré. Já no dia seguinte, às 20h, terá início o festival instrumental 'Música do Mundo', que esse ano abraça o evento 'Paraibass', com master class, workshops e concertos realizados tanto no Busto de Tamandaré quanto na Estação Cabo Branco e na própria UFPB. Este ano a universidade junta-se à PMJP na realização desta conexão entre os dois projetos.
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Na programação do 'Música do Mundo', que vai até o dia 30/12, foram incluídos artistas de renomes nacionais e internacionais, ligados à música brasileira, ao jazz e à música erudita. Entre eles estão Itiberê Zwarg, baixista da banda de Hermeto Pascoal, que dirige no Rio de Janeiro uma orquestra formada por jovens seguidores do legado do mestre alagoano.
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O público poderá conferir ainda no ´Música do Mundo' a apresentação de Dengue & Banda, que é o baixista da Nação Zumbi; do uruguaio Milton Masciardi; de Arthur Maia, que foi músico de Djavan e há anos trabalha com Gilberto Gil; entre outras atrações. Nesta versão 2010, as noites do Festival serão encerradas sempre com uma jazz band. No elenco, estão a Jerimum Jazz Band, de Natal, a Campina Jazz Band, de Campina Grande, e a Experimental Jazz Band, de João Pessoa.
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Réveillon – Logo no começo da noite do dia 31/12, os DJs paraibanos Guirraiz e Chico Correia apresentam remixes de música nordestina, com ênfase na paraibana. Em seguida, Jorge Vercillo, um dos artistas mais tocados nas rádios brasileiras nos últimos cinco anos, entra com uma bela combinação de música para dançar e romantismo. Depois a festa continua com a apresentação de frevos, prenunciando o carnaval, ao som da Orquestra Sanhauá.
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Presépio da Cultura – Durante o mês de dezembro e estendendo-se até o dia 6 de janeiro, a Prefeitura manterá uma programação de cultura popular ao pé da árvore de natal instalada na Ponta do Seixas, nas proximidades da Estação Cabo Branco. Haverá muita lapinha, coco de roda e ciranda no Presépio da Cultura.
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FESTIVAL MÚSICA DO MUNDO – 2010
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De 26 a 30 de dezembro, no Busto de Tamandaré, Estação Ciência e Departamento de Música da UFPB (oficinas) apresentam: 'Música do Mundo' abraça o festival 'III Paraibass'. Confira a programação completa dos shows no Busto de Tamandaré - iniciando sempre às 20h:
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26/12 (domingo)
- Caninga Trio
- Duo Groove / Primata
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27/12 (segunda-feira)
- Itiberê Zwarg & Quinteto da Paraíba
- Valmir Vieira & Banda 5 de Agosto
- Jerimum Jazz Band
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28/12 (terça-feira)
- Sizão Machado & Banda
- Itamar Collaço & Banda
- Campina Jazz Band
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29/12 (quarta-feira)
- Dengue & Banda
- Fernando Nunes & Banda
- Michael Pipoquinha & Experimental Jazz Band
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30/12 (quinta-feira)
Arthur Maia & Banda
Adail Fernandes & PBJazz
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31/12 (sexta-feira)
DJ Guirraiz
Chico Correia
Jorge Vercillo
Orquestra Sanhauá
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FONTE: http://www.joaopessoa.pb.gov.br
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A importância da língua inglesa para os jovens
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Marina Freire (*)
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O post de hoje vai ser um pouco diferente do primeiro. Eu, como adoradora da língua inglesa, vou tentar fazer um incentivo aos jovens e até mesmo aos adultos para começarem a estudar essa língua que continua sendo totalmente necessária nos dias de hoje, muito mais do que antes.
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Atualmente, um bom currículo exige que você fale ao menos duas línguas estrangeiras. Mas, se você domina o inglês, que é o idioma comercial predominante no mundo, então conta como um ponto extra! O mercado de trabalho, tanto para marinheiros de primeira viagem, como para aqueles que buscam se superar cada vez mais, está mais exigente, e podem ter certeza que se você manja do inglês, pode ser uma porta que se abre para a contratação ou quem sabe, uma promoção!
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Esse recado vai principalmente aos jovens, cujos pais os matriculam nas culturas e eles não se interessam, vão por obrigação, e isso, quando vão! Gente, vamos focar no futuro! Temos que pensar grande, portanto, havemos de aproveitar todas as oportunidades. Portanto, se não você acha que não tem jeito, inglês não é pra você, eu vou lhes dar duas dicas essenciais e facílimas que funcionaram 100% comigo...
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Primeiro, assista sempre a filmes com áudio em inglês e legendas em português. Prestem atenção nas expressões e nas falas, pois ajuda muito! Segundo, escute musicas internacionais, tente ler a letra e ver se entende algo, para depois ver a tradução; porque existem músicas tão fáceis...
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Hoje, posso dizer que estou a um passo de falar fluentemente o inglês, e devo grande parte disso as músicas e aos filmes. Depois, aos centros de línguas que já estudei. C’mon people, o inglês é uma delícia, e tenho certeza que vocês irão descobrir uma paixão escondida. Sem contar que pra qualquer lugar do mundo que viajemos, a nossa comunicação será quase que basicamente pelo inglês.
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(*) Estudante, louca por música, cinema e fotografia.
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FONTE: http://www.canalpb.com.br
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Os latifúndios de ideias
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Ladislau Dowbor (*)
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A concentração de renda e a destruição ambiental continuam sendo os nossos grandes desafios. São facetas diferentes da mesma dinâmica: na prática, estamos destruindo o planeta para a satisfação consumista de uma minoria, e deixando de atender os problemas realmente centrais. Como explicar que, com tantas tecnologias, produtividade e modernidade, estejamos reproduzindo o atraso? Em particular, como a sociedade do conhecimento pode se transformar em vetor de desigualdade em escala mundial?
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O prêmio Nobel Kenneth Arrow considera que os autores de “Apropriação indébita: como os ricos estão tomando a nossa herança comum”, Gar Alperovitz e Lew Daly, “se baseiam em fontes impecáveis e as usam com maestria. Todo mundo irá aprender ao ler este livro”. Eu, que não sou nenhum prêmio Nobel, venho aqui contribuir com a minha modesta recomendação, transformando o meu prefácio em instrumento de divulgação. Mania de professor, querer comunicar o entusiasmo de boas leituras. E recomendação a não economistas: os autores deste livro têm suficiente inteligência para não precisar se esconder atrás de equações.
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A quem vai o fruto do nosso trabalho, e em que proporções? É a eterna questão do controle dos nossos processos produtivos. Na era da economia rural, os ricos se apropriavam do fruto do trabalho social, por serem donos da terra. Na era industrial, por serem donos da fábrica. E na era da economia do conhecimento, a propriedade intelectual se apresenta como a grande avenida de acesso a uma posição privilegiada na sociedade. Mas para isso, é preciso restringir o acesso generalizado ao conhecimento, pois se todos tiverem acesso, como se cobrará o pedágio, como se assegurará a vantagem de minorias?
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Um argumento chave desta discussão, é naturalmente a legitimidade da posse. De quem é a terra, que permitia as fortunas e o lazer agradável dos senhores feudais? Apropriação na base da força, sem dúvida, legitimada em seguida por uma estrutura de heranças familiares. Uma vez aceito, o sistema funciona, pois na parte de cima da sociedade forma-se uma aliança natural ditada por interesses comuns. Na fase industrial, um empresário pega um empréstimo no banco – e para isso ele já deve pertencer a um grupo social privilegiado – e monta uma empresa. Da venda dos produtos, e pagando baixos salários, tanto auferirá lucros pessoal como restituirá o empréstimo ao banco. De onde o banco tirou o dinheiro? Da poupança social, sob forma de depósitos, poupança esta que será transformada na fábrica do empresário. Aqui também, vale a solidariedade dos proprietários de meios de produção, e o resultado de um esforço que é social será em boa parte apropriado por uma minoria.
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Mudam os sistemas, evoluem as tecnologias, mas não muda o esquema. Na fase atual, da economia do conhecimento, coloca-se o espinhoso problema da legitimidade da posse do conhecimento. A mudança é radical, relativamente aos sistemas anteriores: a terra pertence a um ou a outro, as máquinas têm proprietário, são bens “rivais”. No caso do conhecimento, trata-se de um bem cujo consumo não reduz o estoque. Se transmitimos o conhecimento a alguém, continuamos com ele, não perdemos nada, e como o conhecimento transmitido gera novos conhecimentos, todos ganham. A tendência para a livre circulação do conhecimento para o bem de todos torna-se portanto poderosa.
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A apropriação privada de um produto social deve ser justificada. O aporte principal de Alperovitz e de Daly, neste pequeno estudo, é de deixar claro o mecanismo de uma apropriação injusta – Unjust Deserts – que poderíamos explicitar com a expressão mais corrente de apropriação indébita. Ao tornar transparentes estes mecanismos, os autores na realidade estão elaborando uma teoria do valor da economia do conhecimento. A força explicativa do que acontece na sociedade moderna, com isto, torna-se poderosa.
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Para dar um exemplo trazido pelo autor, quando a Monsanto adquire controle exclusivo sobre determinada semente, como se a inovação tecnológica fosse um aporte apenas dela, esquece o processo que sustentou estes avanços. “O que eles nunca levam em consideração, é o imenso investimento coletivo que carregou a ciência genética dos seus primeiros passos até o momento em que a empresa toma a sua decisão. Todo o conhecimento biológico, estatístico e de outras áreas sem o qual nenhuma das sementes altamente produtivas e resistentes a doenças poderia ter sido desenvolvida – todas as publicações, pesquisas, educação, treinamento e ferramentas técnicas relacionadas sem os quais a aprendizagem e o conhecimento não poderiam ter sido comunicados e fomentados em cada estágio particular de desenvolvimento, e então passados adiante e incorporados, também, por uma força de trabalho de técnicos e cientistas – tudo isto chega à empresa sem custo, um presente do passado”. Ao apropriar-se do direito sobre o produto final, e ao travar desenvolvimentos paralelos, a empresa canaliza para si gigantescos lucros da totalidade do esforço social, que ela não teve de financiar. Trata-se de um pedágio sobre o esforço dos outros.
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O conhecimento não constitui uma propriedade no mesmo sentido que a de um bem físico. A caneta é minha, faço dela o que quiser. O conhecimento, na medida em que resulta de um esforço social muito amplo, e constitui um bem não rival, obedece a outra lógica, e por isto não é assegurado em permanência, e sim por vinte anos, por exemplo, no caso das patentes, ou quase um século no caso dos copyrights, mas sempre por tempo limitado: a propriedade é assegurada por sua função social – estimular as pessoas a inventarem – e não por ser um direito natural.
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O merecimento é para todos nós um argumento central. Segundo as palavras dos autores, “nada é mais profundamente ancorado em pessoas comuns do que a idéia de que uma pessoa tem direito ao que criou ou ao que os seus esforços produziram”. Mas na realidade, não são propriamente os criadores que são remunerados, e sim os intermediários jurídicos, financeiros e de comunicação comercial que se apropriam do resultado da criatividade, trancando-o em contratos de exclusividade, e fazem fortunas de merecimento duvidoso. Não é a criatividade que é remunerada, e sim a apropriação dos resultados: “Se muito do que temos nos chegou como um presente gratuito de muitas gerações de contribuições históricas, há uma questão profunda relativamente a quanto uma pessoa possa dizer que “ganhou merecidamente” no processo, agora ou no futuro.”
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As pessoas em geral não se dão conta das limitações. Hoje 95% do milho plantado nos EUA é de uma única variedade, com desaparecimento da diversidade genética, e as ameaças para o futuro são imensas. Teremos livre acesso às obras de Paulo Freire apenas a partir de 2050, 90 anos depois da morte do autor. O livre acesso às composições de Heitor Villa Lobos será a partir de 2034. Isto está ajudando a criatividade de quem? Patentes de 20 anos há meio século atrás podiam parecer razoáveis, mas com o ritmo de inovação atual, que sentido fazem? Já são 25 milhões de pessoas que morreram de Aids, e as empresas farmacêuticas (o Big Pharma) proíbem os países afetados de produzir o coquetel, são donas de intermináveis patentes. Ou seja, há um imenso enriquecimento no topo da pirâmide, baseado não no que estas pessoas aportaram, mas no fato de se apropriarem de um acúmulo historicamente construído durante sucessivas gerações.
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Nesta era em que a concentração planetária da riqueza social em poucas mãos está se tornando insustentável, entender o mecanismo de geração e de apropriação desta riqueza é fundamental. Os autores não são nada extremistas, mas defendem que o acesso aos resultados dos esforços produtivos devam ser minimamente proporcionais aos aportes. “A fonte de longe a mais importante da prosperidade moderna é a riqueza social sob forma de conhecimento acumulado e de tecnologia herdada”, o que significa que “uma porção substantiva da presente riqueza e renda deveria ser realocada para todos os membros da sociedade de forma igualitária, ou no mínimo, no sentido de promover maior igualdade”.
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Um livro curto, muito bem escrito, e sobretudo uma preciosidade teórica, explicitando de maneira clara a deformação generalizada do mecanismo de remuneração, ou de recompensas, que o nosso sistema econômico gerou. Trata-se aqui de um dos melhores livros de economia que já passaram por minhas mãos. Bem documentado mas sempre claro na exposição, fortemente apoiado em termos teóricos. Na realidade o livro abre a porta para o que podemos qualificar de teoria do valor, mas não da produção industrial, e sim da economia do conhecimento, o que Daniel Bell qualificou de “knowledge theory of value”. A Editora Senac tomou uma excelente iniciativa ao traduzir e publicar este livro. Vale a pena. (www.editorasenacsp.com.br)
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(*) Professor de Economia e Administração da PUC-SP.
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FONTE: http://www.outraspalavras.net
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Regulação garante pluralidade e competição
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Bia Barbosa
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Um processo que está em curso e que ninguém vai deter. Assim o ministro Franklin Martins, da Secretaria de Comunicação da Presidência da República, definiu a convergência tecnológica de mídias no país, durante um seminário internacional realizado recentemente em Brasília. “O futuro é a convergência. Em pouco tempo, para o cidadão será indiferente se o sinal vem da radiodifusão ou das empresas de telecomunicações. E regular o setor neste cenário é um desafio necessário. Sem isso não há segurança jurídica, nem como a sociedade produzir um ambiente onde o interesse público prevaleça sobre os demais”, afirmou.
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Em busca de respostas e alternativas para enfrentar tamanho desafio, o governo brasileiro convidou uma série de especialistas e representantes de órgãos reguladores de outros países para apresentar ao público brasileiro como cada uma dessas nações tem lidado com essas questões. A idéia não é copiar modelos, mas, considerando a realidade brasileira, beber da experiência internacional.
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“Com tantos novos atores provendo conteúdo para o mercado, a regulação da infra-estrutura é algo importante para a convergência”, afirmou Dimitri Ypsilanti, Chefe da Divisão de Informação, Comunicação e Política do Consumidor da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico), que conta com 33 países membros. “Nossas pesquisas mostram que as pessoas estão migrando da televisão para a busca de conteúdo na internet. Da perspectiva de uma organização econômica, as novas tecnologias de informação e comunicação tem um impacto significativo na geração de empregos e oportunidades”, acrescentou.
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Na França, por exemplo, o rápido desenvolvimento da economia digital foi facilitado pela vontade dos organismos de regulação e pela existência de um marco regulatório atualizado. "A harmonização da política da União Européia para o setor é muito avançada, o que facilita o desenvolvimento interno de cada país", explicou Emmanuel Gabla, diretor adjunto do Conselho Superior de Audiovisual francês.
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O marco legal europeu separa a regulação por camadas: conteúdo, serviços de comunicação eletrônica (telefonia, dados e vídeo) e infraestrutura (redes fixas, móveis, cabo, etc). "A partir disso, aprovamos uma lei francesa específica sobre economia digital, para garantir a segurança jurídica necessária para o desenvolvimento econômico na internet. A legislação hoje determina o que é regulado ou não neste universo; e nos permitiu fazer a ponte entre os diferentes setores", acrescentou Gabla.
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O mesmo aconteceu na Espanha, que no ano passado aprovou medidas urgentes em matéria de telecomunicações para garantir a universalização da TV digital. Atualmente, as operadoras não operam um único serviço, mas recebem uma banda do Estado e podem, através dela, oferecer canais digitais de TV, transmissão de dados e comércio eletrônico. No entanto, quem produz conteúdo não pode deter o controle também da estrutura de transmissão. No caso espanhol, o programador de um canal de TV contrata o serviço de um operador de rede para distribuir seu conteúdo. A mesma idéia de separação funcional e estrutural é adotada por diversos países membros da OCDE.
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FONTE: www.direitoacomunicacao.org.br
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terça-feira, 23 de novembro de 2010

Jornalismo para gerar capital social nas comunidades
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Carlos Castilho
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O jornalismo, como o conhecemos hoje em dia, está agonizante não porque seus valores e rotinas tenham se esgotado, mas porque a realidade onde ele se insere mudou. A teoria do jornalismo atual foi concebida num contexto em que a indústria da comunicação, da qual faz parte a indústria dos jornais, era quem ditava as normas no relacionamento entre emissores e receptores de notícias, um tipo particular de informação.
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A norma estava baseada no princípio de que as notícias eram um produto que precisava ser processado numa linha de produção e comercializado para gerar lucros capazes de manter a atividade industrial das empresas de comunicação. Mas a avalancha informativa provocada pela internet mudou este esquema. A notícia tornou-se um elemento essencial na formação do capital social nas comunidades, uma função mais relevante que a mero produto mercantil, destinado a garantir a sobrevivência de corporações da mídia.
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Com isso, o jornalismo tende a ser cada vez menos uma atividade industrial e mais uma função social. O que era um exercício retórico torna-se uma necessidade concreta. Até hoje, o discurso do jornalismo como função social era usado para amenizar o seu compromisso empresarial. Agora, a atividade jornalística passa a ser, cada vez mais, associada a geração de um fluxo de informações voltada para o desenvolvimento da confiança mútua entre membros de comunidades sociais. Não se trata de filantropia jornalística. Pelo contrário.
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A geração de capital social em comunidades é um pressuposto para o desenvolvimento econômico em bases sustentáveis, a meta futura vista como a mais viável para a sociedade atual garantir sua sobrevivência futura. Valores jornalísticos como urgência, ineditismo e exclusividade tendem a perder importância porque estão associados a interesses e estratégias corporativas. Em compensação a veracidade, contextualização, interatividade e diversidadetornam-se simplesmente essenciais à manutenção da base de confiança que dá aos cidadãos condições de viver em comunidades.
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Estes são alguns dos elementos básicos para uma reflexão sobre o novo papel do jornalismo num contexto no qual a preocupação social começa a ser reconhecida como relevante não por militantes políticos ou ativistas ambientais, mas por pensadores que procuram entender para onde as novas tecnologias da informação e da comunicação estão nos levando.
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O tema é complexo demais e precisa ser debatido pelo maior número possível de pessoas. Mesmo que a discussão seja caótica, demorada e, em alguns momentos possa parecer inconclusiva. Não temos outra alternativa, pois estamos entrando naera do conhecimento coletivo e da sabedoria das multidões.
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O jornalismo é uma das atividades mais afetadas pelas transformações geradas pelas novas tecnologias da informação e comunicação. E tudo indica que ele vai continuar sob o impacto de mudanças que tendem a afastá-lo cada vez mais do contexto mercantil. Para uns é um sonho, para outros um pesadelo.
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FONTE: http://carloscastilho.posterous.com
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Salão Internacional do Livro da Paraíba
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Rafael Oliveira
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Os números do I Salão Internacional do Livro da Paraíba, que vai até o dia 28 próximo, no Espaço Cultural José Lins do Rego, em João Pessoa, impressionam. O evento reúne cerca de 100 toneladas de livros, distribuídos em 80 estandes. Os visitantes podem contar com a variedade de 80 mil títulos de 450 editoras nacionais e internacionais à disposição. Um número pequeno, mas que também faz uma grande diferença, é o valor do livro mais barato encontrado na feira: apenas R$ 3.

De acordo com Robério Paulo Silva, um dos coordenadores do salão e presidente RPS Eventos e representante da Associação Nacional de Livrarias, todos estes números criam expectativas que são comemoradas nos dias da feira. "Com o movimento que estamos tendo, a previsão de vendas ao público e negócios com livrarias é de mais de R$ 5 milhões. Estamos com a expectativa de que mais de 300 mil pessoas passem pelos estandes do Salão Internacional do Livro", diz. O movimento ainda era tímido no sábado, primeiro dia da feira, mas os expositores já perceberam um aumento no movimento. "A tendência é de que, aos poucos, quando a feira está sendo conhecida, o movimento seja cada vez maior", afirma o revendedor de livros Antônio Carlos.
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Para aumentar o movimento, os organizadores trouxeram convidados como o cantor e escritor Arnaldo Antunes, o professor de português Pasquale Cipro Neto, e os escritores Mário Prata, Nélida Pinõn, Fabrício Carpinejar, Marina Colasanti e Mário Prata, que participarão de palestras, shows e sessões de autógrafos. Além das editoras nacionais, há expositores de Portugal, Espanha, Argentina, Venezuela, México, França e Peru. O evento também conta com diversos espaços destinados ao público de todas as idades, com oficinas para adultos e crianças, palestras, workshops, atrações musicais e teatrais.
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Crédito para professores
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Muitos professores estiveram presentes no Salão do Livro durante todo o domingo (21/11) para fazerem suas inscrições no projeto Credilivro, que beneficiou os primeiros mil professores com um cartão magnético de R$ 100 para compra de livros nos estandes do Salão. De acordo com o subsecretário de Cultura do Estado e presidente do comitê organizador do Salão, Davi Fernandes, "houve um atraso no repasse de verbas do convênio Sebrae e Governo do Estado, e por isso os bonus não puderam ser fornecidos de imediato. Por isso, solicitamos aos professores interessados que deixassem uma ficha com seus dados para que pudéssemos entrar em contato com eles", disse.
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FONTE: http://www.jornalonorte.com.br
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Crime, castigo e mídias
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Luís Carlos Lopes (*)
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O drama da violência urbana continua pairando sobre as cabeças do Brasil, como algo compreendido de modo torto. Nas grandes mídias, predomina a espetacularização. Esta consiste em descrever, narrar e ‘mostrar’ os fatos sem qualquer compromisso maior com suas veracidades e sem um apetite analítico profundo apreciável. Há uma forma – um modo de divulgar – que é seguida melancolicamente.
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As notícias, os comentários e as imagens divulgadas constroem versões que pretendem convencer a todos que nada mais deve ser dito. As grandes mídias se postam como oniscientes e onipresentes. Elas seriam capazes de saber exatamente o que ocorreu, para além da necessidade do exame político, social e jurídico que, em alguns casos, continua após a difusão. As mídias escolhem – pautam – o que deve ser noticiado e comentado, insistem em alguns casos e abandonam outros. Suas versões, isto é, representações, seriam pretensamente as únicas confiáveis. O crime de grande impacto social é divulgado ad nausea. Aproveita-se da comoção social e as manifestações populares são estimuladas e incorporadas ao processo de espetacularização.
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No passo seguinte, as notícias vão rareando, os comentários se esvanecendo até serem sepultados. É verdade que esses podem voltar, se isto for necessário à lógica mercantil que preside o jornalismo. Isto se processa em suas imensas variações comunicacionais, proporcionadas pelo rádio, pela TV e pela imprensa escrita. Na Internet, ressoam ecos disto tudo e se podem encontrar notícias, comentários e análises que tentam ir além das superfícies.
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A criminalidade e a ação policial são acompanhadas cotidianamente pelas audiências. O espetáculo da violência atrai o grande público e é explorado comercialmente por vários meios de comunicação, inclusive pelo cinema brasileiro. O cinema norte-americano criou uma matriz produtiva com inúmeros filmes e séries para TV que tratam do mesmo assunto. A indústria cultural de lá e, recentemente, a de cá, viram neste filão um meio de faturar audiências e bilheterias, ganhando somas fabulosas com o fenômeno da violência urbana.
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O que a ação criminosa fatura é muito pouco comparável com os lucros estupendos auferidos pela difusão jornalística e ficcional. A diferença é que esta última ganha muito sem fazer jorrar uma gota de sangue real. A primeira, além de implicar em gastos estatais altíssimos para sua repressão, consiste em uma atividade humana das mais perigosas que ceifa vidas dos três lados do confronto. São vitimados lumpens, população civil e membros das forças repressivas.
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Há quem compare isto a uma guerra, ou mesmo a uma guerra civil. Todavia, pelo menos no Brasil e nos EUA, não é exatamente isto o que ocorre. As guerras nacionais e civis têm bandeiras, interesses territoriais e seguem a lógica da violência entre populações e exércitos mobilizados para tal. O que se tem no Brasil são operações sem maior sincronia, com casos contrários excepcionais, envolvendo os foras-da-lei e as forças policiais. Pequenos grupos enfrentam milhares de agentes das forças oficiais.
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No Brasil, os civis são vitimados fortemente por serem os mais fáceis alvos do crime. Eles são corriqueiramente atingidos nos confrontos entre os grupos armados. Dentre os civis, os mais pobres são estatisticamente os mais afetados. É possível viver décadas em uma grande cidade do Brasil sem jamais ser assaltado ou presenciar um tiroteio. Isto dependerá de onde se mora e de que lugares se freqüenta. Nas regiões mais pobres da cidade e em suas periferias, a violência torna quase impossível viver sem estar próximo de algum ato de barbárie. Ela chega, obviamente, às regiões mais ricas, onde há maior estardalhaço, quando tal acontece. Nos bairros pobres, o estupro, o furto, o assalto à mão armada e o assassinato entraram na normalidade social, tal é sua repetição.
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As mídias brasileiras em suas peças destinadas ao grande público tratam do problema da violência urbana de modo bastante irresponsável. Não raro usam de palavras chulas e preconceituosas para se referir à complexa relação entre as polícias e os criminosos. Estes são chamados de ‘vagabundos’, como houvesse trabalho para todo mundo. Quando há tortura, se cunha a expressão ‘esculachar’, para se referir a esta ignomiosa prática. Copiam-se as gírias dos envolvidos. O assassinato puro e simples é chamado de ato de resistência ou de oportunidade e por aí em diante. O ainda mais grave é a demonização de quem invoca os direitos humanos. Estes são denominados como protetores dos criminosos, ironizados e vistos com imensa desconfiança.
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O fascismo deste modo de ver o problema é escamoteado das mais diversas maneiras. Diz-se que há uma guerra civil e que cada um deve escolher o seu lado. O consumidor de drogas é visto, não como um doente, e sim como alguém que seria o verdadeiro responsável pelo tráfico. O criminoso, como quem estaria melhor se estivesse morto, justificando-se as inúmeras execuções extrajudiciais. A tal guerra de que falam seria a dos ‘cidadãos de bem’ contra os criminosos e qualquer expediente seria a princípio válido, incluindo-se os possíveis e corriqueiros efeitos colaterais. Defendem que o medo deveria se incutido de modo radical, esquecendo que isto é feito no Brasil desde a época da escravidão e que jamais funcionou. Seus partidários mais radicais não discutem com ninguém estas idéias, simplesmente as impõem com a ajuda das mídias e com apoio de forças políticas importantes.
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O erro ainda mais grave é o desaparecimento da questão social e política. No Brasil, se está apreendendo rápido a lógica norte-americana do crime como fruto do livre-arbítrio bíblico. O criminoso ‘escolheria’ entre o mal e o bem e seria o único responsável por estas escolhas. As suas condições de vida desde do nascimento nada teriam a ver com seus atos. As políticas sociais de Estado em nada influenciariam suas decisões. As pressões midiáticas e publicitárias para que todos comprem de tudo não seriam responsáveis pelos seus atos. O indivíduo, visto como alguém isolado, é que escolheria livremente seu percurso na vida. Esta lenda fortemente defendida nas mídias degenera em efeitos catastróficos.
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Os que defendem essas idéias ‘esquecem’ que as taxas de delinqüência são bem menores em países onde a renda nacional é mais dividida. O combate ao desemprego, o acesso à educação e aos bens culturais têm um papel muito significativo na luta contra a barbárie. Uma justiça que se importe com os problemas sociais, seja praticada de modo mais justo e possua o seu controle feito de fora do seu aparato seria de bom alvitre. Governos empenhados em melhorar o nível de vida da população ajudariam bastante.
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Por fim, os inimigos de qualquer modernização no tratamento do problema da violência urbana fingem não saber que quando se fala em direitos humanos não se está defendendo criminosos, ao contrário. Estes direitos seriam para todos, incluindo os policiais que também são vítimas de políticas públicas equivocadas. As vítimas, que seriam mais respeitadas e protegidas. Seriam criados direitos de cidadania, no lugar de privilégios de classe, tão comuns no Brasil.
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A defesa dos Direitos Humanos implica prender criminosos de qualquer origem social ou cor com base em uma legislação e uma estrutura prisional que os respeite como pessoas, sem deixar de puni-los exemplarmente por seus crimes. Significa melhorar a distribuição de renda para combater o crime na sua origem. Tem o fito de terminar de uma vez por todas com a tortura e com as execuções extrajudiciais que deveriam ser motivos de vergonha para um país que já está entre as dez nações mais ricas da face da Terra.
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(*) Luís Carlos Lopes é professor e escritor.
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FONTE: www.cepec.org1@gmail.com
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Viradão Esportivo mobiliza jovens pelo País
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Nos dias 13 e 14 de novembro, aconteceu a segunda edição do "Viradão Esportivo", evento promovido pela Central Única das Favelas (CUFA), cujo objetivo é a inclusão social através da prática esportiva. Com 33 horas ininterruptas de atividades em toda Paraíba, de forma gratuita, o Viradão trouxe este ano modalidades como:
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Downhill, que aconteceu no dia 14/11 no Bairro de Fagundes, em Campina Grande; Fitnnes, que aconteceu no bairro Castelo Branco, em João Pessoa; Aeróbica na penitenciária Júlia Maranhão, em Mangabeira; INLINE no bairro José Pinheiro, em Campina Grande; SURF no bairro de Intermares, em Cabedelo e LE PARKOUR que aconteceu no dia 14/11 no Bairro José Pinheiro, em Campina Grande, entre outras ações espalhadas por todo o Estado.
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Em Campina Grande, uma caminhada a favor da saúde aconteceu às margens do açude velho com o professor de Educação física Fabrício Gonçalves, além de um café da manhã rico em vitaminas e proteínas, tendo em vista que uma refeição saudável de manhã equilibra o organismo, limitando a nossa compulsão a alimentos ricos em açúcar e gordura.
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Na Vila Olímpica Plínio Lemos, ocorreram shows com Beto Cabeça e Atômico MC,;workshops de capoeira com o grupo Capoeira Brasil; xadrez com Dudu Pimenta; Jiu-jitsu com os atletas da Bola de Neve; e graffiti com Thiago TV. Todos(as) fizeram parte da programação esportiva e cultural.
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Também tivemos a Batalha na Vila, um campeonato de Skate que teve o propósito de divulgar o skate na região, e também um trabalho social, envolvendo parceiros como a Myllys que vem com o mesmo objetivo de ação social e divulgação do esporte. “O skate tem a importância de promover a saúde, melhorar auto-estima e direcionar para uma vida social com os outros participantes criando uma oportunidade de vida para eles”, comenta Jason Alexander.
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O tema do Viradão este ano foi “Educação”, e as atividades se estendeu por todo o Estado e veio em parceria com a Tv Paraíba, Secretaria de Saúde, entre outros. O lançamento oficial aqui na Paraíba aconteceu no sábado (13/11) na Praça Bela, Funcionários II, com Stremo Sport, além de shows de rap.
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FONTE: http://www.cufaparaiba.org
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sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Dia pelo Fim da Violência contra a Mulher
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Para marcar o Dia Internacional pelo Fim da Violência contra a Mulher, 25 de novembro, a Prefeitura de João Pessoa (PMJP), através da Secretaria de Políticas Públicas para as Mulheres (SPPM), esta promovendo uma série de ações. As atividades acontecem em parceria com outras secretarias do município e integram também a Campanha dos 16 Dias de Ativismo.
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A primeira atividade da programação foi o debate sobre 'Gênero, masculinidade e violência', que aconteceu nesta quinta-feira (18/11), tendo como público alvo os homens da Gestão Municipal. Outro destaque é a Mobilização da Juventude contra a Violência à Mulher, cujo objetivo é alertar para o crescente número de jovens violentadas na Paraíba. Esta ação, programada para o dia 26/11, será realizada em parceria com o Projovem Municipal.
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Durante todo este mês também acontecem intervenções na programação do Circuito das Praças, com distribuição de material informativo sobre a temática da violência contra a mulher, realizada pela equipe da Secretaria das Mulheres e do Centro de Referência da Mulher Ednalva Bezerra.
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Segundo a Secretária de Políticas para as Mulheres, Nézia Gomes, resgatar esta data é reafirmar o compromisso da Gestão Municipal com o enfrentamento da Violência contra a Mulher. "A Prefeitura sempre resgata as datas de luta do movimento de mulheres e o 25 de novembro é uma data importante porque mobiliza a sociedade para a problemática da violência de gênero. E este ano, nosso foco serão os homens da gestão e a juventude, principalmente as meninas, que desde cedo vem encarando a violência dentro e fora de casa", afirmou Nézia Gomes.
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A data – 25 de novembro foi escolhido como o Dia Internacional pelo Fim da Violência contra a Mulher durante o 1° Encontro Feminista Latino-americano e do Caribe, em 1981, e adotado oficialmente pela ONU em 1999. A data marca o assassinato das revolucionárias Irmãs Mirabal, a mando do então ditador da República Dominicana, Rafael Trujillo, em 25/11/1961. A data tornou-se emblemática e passou a ser um dia internacional de protesto contra a violência de gênero.
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FONTE: www.joaopessoa.pb.gov.br
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Quem são os donos da notícia na era digital?
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Alessandra Jarussi
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A comunicação na atualidade e a convergência de mídias foram tema da 4ª edição do Media On, evento internacional promovido pelo portal Terra em parceria com o Itaú Cultural, realizado semana passada em São Paulo. Durante três dias, profissionais das principais mídias eletrônicas e impressas do Brasil e de outros países discutiram os rumos do jornalismo. Mas as estrelas do evento foram mesmo YouTube, Twitter, Orkut e Facebook.
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Segundo Matthew Eltringham, da BBC, as redes sociais vão nos levar para um jornalismo mais honesto. Responsável pelo programa de treinamento de jornalistas em mídias sociais na emissora britânica, ele afirmou que o desafio da BBC e de todos os outros veículos de comunicação é justamente trazer os jornalistas para essa realidade das mídias sociais. O presidente da AgênciaClick, Abel Reis, considera a profissão de jornalista como uma das mais promissoras da atualidade, mas, para ele, os cursos da área ainda não absorveram o impacto do digital no mercado da comunicação.
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A jornalista Silvia Bassi, do IDG Brasil, definiu bem: todos os jornalistas devem começar a carreira com humildade porque não são mais os donos da notícia. Enquanto assistíamos ao debate, tweets eram projetados no telão do auditório em tempo real, e, além da platéia poder participar, internautas de outros Estados e países podiam enviar perguntas pela Internet.
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No painel sobre o que os anunciantes valorizam - conteúdo x audiência, o presidente da DM9, Sérgio Valente, foi categórico: anunciante não é mecenas, ele quer resultado. E explicou a importância de percebermos como a audiência se comporta de um jeito diferente em cada mídia. Por exemplo, no cinema, nós mergulhamos no entretenimento; em casa, com o controle remoto na mão, seja assistindo à TV ou a um DVD, é o entretenimento que mergulha em nós. O último painel do evento foi o mais concorrido e lotou o auditório do Itaú Cultural.
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Mediado pelo apresentador Marcelo Tas, do CQC, o fenômeno da Internet, Mystery Guitar Man, participou direto dos Estados Unidos pelo telão. Ele mostrou um outro lado da comunicação, em que vida pessoal e empresarial se confundem. O brasileiro, que mora nos EUA desde a adolescência, conta que demora de 12 a 20 horas para fazer um vídeo e posta seus trabalhos duas vezes por semana no YouTube. Para ele, isso não é uma obrigação, mas, sim, um hobby. E a relação do Mystery Guitar Man com os anunciantes é totalmente diferente do que o comum no mundo da publicidade. Ele tem total liberdade para fazer um vídeo sobre o produto sem interferência externa, sem nenhum briefing.
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Os outros debatedores desse painel, Paulo César Siqueira, do blog Mas Poxa Vida, e o jornalista e publicitário Pablo Peixoto demonstram que o internauta busca algo do amador. Sucesso na Internet e até reconhecido nas ruas, PC Siqueira diz que nunca escreve nada: apenas coloca a câmera e vai falando. Já Pablo Peixoto, que ficou conhecido pelo vídeo “Dunga em um dia de fúria”, conta que sempre faz um roteiro e, questionado sobre câmeras e programas de edição que utiliza, ele sentencia: para quem quer obter sucesso com seus vídeos na Internet, o importante não é a técnica, mas, sim, o texto. A conclusão desses três dias de debates é que todas as empresas, todos os canais de comunicação, já estão nas mídias sociais, quer queiram ou não, direta ou indiretamente. O importante é se conscientizar e aprender a lidar com isso a seu favor.
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FONTE: http://jovempan.uol.com.br
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Direitos da Juventude: uma visão profissional
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Ladyane Ribeiro (*)
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De acordo com o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) instituído em 1990, e mais especificamente o Art. 60. “é proibido qualquer trabalho a menores de quatorze anos de idade, salvo na condição de aprendiz”. Uma medida expressamente clara e concisa, uma conquista para a democracia sob o viés de direitos, que enxerga a criança e o adolescente enquanto sujeito em processo de desenvolvimento, um avanço no que diz respeito ao antigo Código de Menores que encarava a questão como jurisprudência, ou seja, toda a medida era passível de medida judicial.
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Vislumbrar tais mudanças legais na forma de enfrentar uma das expressões da questão social parece incoerente ao constatarmos que o trabalho infantil trata-se de uma realidade constante, e o mais perverso é que simplesmente utiliza-se de precárias condições de inserção. O trabalho infantil causa danos irreversíveis, tanto pelo aspecto físico como psicológico, e isso é um fato. Mas o Brasil tende a considerar que basta somente colocar a criança na escola e com isso se resolve o problema, se é que a intenção seja resolver mesmo o problema. Para tal implementa-se um programa para o aumento de matriculas nas escolas, além de inúmeras medidas que só estabelece precárias condições de inserção, uma vez que uma “solução” paliativa não dará conta da dimensão de uma expressão social.
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Não basta colocar o jovem que trabalha na escola. Mesmo porque esse mesmo jovem não terá condições de se manter matriculado por muito tempo, o que se pode observar com a evasão escolar que vem aumentando drasticamente. E caso venha a permanecer na escola o índice de aprendizado será ínfimo; um jovem cansado do trabalho, com auxilio de profissionais que não estão preparados para atender tal demanda não poderá ter o mesmo rendimento educacional.
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O que se torna pertinente é ressaltar que se trata de uma questão complexa e principalmente global, proveniente do sistema social vigente. A partir disso, é possível visualizar que medidas paliativas têm somente o viés de camuflar a realidade sem de fato agir no foco que embala a questão social.
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Enquanto isso milhares de crianças sofrem sem ter o direito conquistado pelo Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) de fato garantidos. O aparente avanço de direitos esconde uma prática ainda regida pelo Código de Menores; mas também não podemos simplesmente naturalizar tal continuísmo, porque há uma Lei que precisa ser cumprida em prol da efetividade do ECA.
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Educação deve ser entendida no seu aspecto estruturante como formador do ser humano e como tal um instrumento indispensável para a transformação da sociedade, como já anunciava Paulo Freire. O ECA é um importante instrumento reflexivo, que na prática profissional se revela fundamental para a análise social embutida na trama social, pelo seu comprometimento com o direito, a liberdade, a autonomia dos sujeitos no respeito a diversidade. E principalmente em contraposição a qualquer padrão social, que longe de priorizar o indivíduo, serve como instrumento coercitivo. Tais práticas precisam ser rompidas a partir do exercício constante que integre reflexão e ação.
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(*) Assistente social do Ministério da Justiça.
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FONTE: http://infojovem.spaceblog.com.br
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Ser inteligente saiu de moda?
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Luis Pellegrini

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"Nada mais brega do que bancar o inteligente", afirmam, sem nenhuma vergonha na cara, muitos estudantes ingleses a seus boquiabertos professores. Diante do fato, alguns dos mais brilhantes catedráticos decidiram se reunir na tentativa de explicar o fenômeno. Resultado? Se ainda não foi banido pelos professores, o adjetivo clever (inteligente) está muito perto disso.
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Decidiu-se inclusive que, daqui por diante, será preciso tomar cuidado antes de chamar de inteligentes os melhores alunos. Porque, segundo uma pesquisa, são exatamente os melhores da turma os que mais correm risco de cair na prática do bullying (assédio físico ou psicológico aos colegas) para tentar se livrar da pecha de cê-dê-efes. Os professores estão convencidos de que os estudantes, após serem definidos como "inteligentes", se sentem de algum modo marcados. E por isso reagem adversamente. Provas disso? Em numerosos casos, muitos deles se recusam inclusive a retirar os prêmios escolares que ganharam por medo de serem ridicularizados pelos colegas.

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Simon Smith, um professor de Essex, foi um dos primeiros a afirmar que, "entre os estudantes de hoje, ser inteligente simplesmente não está mais na moda". "Falei com muitos deles", explica Smith, "e descobri que, na sua opinião, ser inteligente significa, sobretudo, ser chato, possuir uma personalidade sem graça, ser o queridinho dos professores e outras coisas que não podem ser repetidas em público". Seu alerta é sério!
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Existe, no entanto, um outro aspecto, mais sociológico, ligado aos desenvolvimentos de uma sociedade tipicamente consumista que se agarra aos "mitos" do espetáculo e das celebridades do momento. Ou seja, não mais os grandes escritores e compositores, os cientistas e filósofos, não mais os grandes empreendedores, nem sequer os megagaviões da bolsa de valores e dos bancos constituem os padrões de sucesso e de afirmação social a serem perseguidos. A culpa deve ser atribuída, sobretudo, aos atuais modelos e cânones de celebridade que contribuem para bloquear os jovens, afastando-os do sucesso acadêmico.
.Cita-se por exemplo um self-made-man como Alan Sugar, popularmente conhecido como "Barão Sugar", empresário britânico, conhecidíssimo personagem da mídia e consultor político. Nascido de família humilde no East End, região pobre de Londres, ele é hoje dono de uma fortuna estimada em US$ 1,2 bilhão. A exemplo de outros homens e mulheres de sucesso contemporâneos, Sugar não costuma ler livros e gosta de se vangloriar das notas baixas que alcançou na escola. Outro exemplo é o do jogador de futebol David Beckham, "um dos tantos protagonistas da vida inglesa na atualidade que não dá, no entanto, a impressão de possuir capacidades intelectuais particulares".
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Não menos deprimente foi o panorama desenhado por Ann Nuckley, administradora escolar em Southwark, bairro no sul de Londres. Ela contou que muitos estudantes da sua escola recusam frequentar os estágios e receber os prêmios por suas conquistas. "Preferem adotar como modelo as celebridades do momento, aqueles personagens que transitam pelas revistas de fofoca social, ou as que analisam nos mínimos detalhes a gloriosa existência do último garotão que, da noite para o dia, saiu do anonimato para a luz do estrelato graças a um papel na novela da televisão."
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O que fazer diante do quadro? Os 34 mil membros da Associação dos Professores da Inglaterra não têm nenhuma intenção de permanecer passivos. Primeira medida: decidiu-se cancelar o substantivo "fracasso escolar", substituindo-o pelo conceito de "sucesso adiado". Parece meio paliativo, mas, enfim, é alguma coisa. Talvez fosse o caso, lá como aqui, de pressionar as autoridades para que comecem a afirmar que cultura e inteligência são coisas boas, e delas a gente gosta. E procurar as verdadeiras razões dessa perigosa inversão de valores que caracteriza nosso atual momento histórico, no qual os grandes são esquecidos e desprezados e os medíocres são elevados ao olimpo dos deuses de curta duração.
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Quando procuramos as causas de hecatombes do gênero (sim, trata-se de uma hecatombe, inclusive do ponto de vista espiritual), melhor não permanecer na superfície. As razões estão sempre mais embaixo e dizem respeito à inquestionável falência ético-filosófica da nossa civilização da produtividade e do consumismo insustentáveis. Que adolescência é sinônimo de crise é coisa mais que sabida, e desde sempre. Pelo menos desde quando os adolescentes éramos nós, inquietos e mudos, ávidos de experiências, perigosos e em perigo. Éramos rebeldes, sim, contra tudo e todos que se contrapunham a nossos desejos. Não confiávamos no bom senso nem na escala de valores dos mais velhos e, como é natural em quem se encontra na fase dos verdes anos, éramos todos donos da verdade absoluta e dela não abríamos mão. Ilusões cujo ímpeto o tempo se encarregou de arrefecer e até mesmo apagar.
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Mas, que me lembre, nunca ouvi nenhum jovem da minha geração afirmar que ser inteligente é ser brega. O que mudou? Segundo o jornalista italiano Michele Serra, "explodiu o mecanismo que regula a relação entre os direitos e os deveres". Ou, para tentar dizer melhor, entre os desejos e seus limites. Pois vivemos numa era em que, cada vez mais, se perde a consciência dos limites e todos, sobretudo os mais jovens, acham que podem tudo e que nada lhes pode ser negado.
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Como poderia ser diferente? A multiplicação dos desejos, no mundo contemporâneo, é contagiosa, exponencial e estruturalmente vital para a multiplicação do consumo. Toda a arte infernal da propaganda comercial contemporânea, por exemplo, é baseada no estímulo desmesurado do desejo. Como fazer, assim sendo, para que a alta criação intelectual, científica ou artística continue sendo mais importante do que a sola vermelha do último sapato desenhado por Christian Louboutin? Ou que o mais recente ensinamento espiritual do Dalai Lama seja considerado mais valioso e interessante do que o último escândalo na vida de Paris Hilton? Entre outros exemplos...
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FONTE: http://www.terra.com.br/revistaplaneta

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