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terça-feira, 1 de abril de 2008

Mídia e violência no Brasil
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Bertrand Sousa

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Qual seria a principal consequência das coberturas "policialescas" da realidade urbana no Brasil? A mídia ajuda a propagar o pânico e a insegurança nas grandes cidades. E faz isso sem maiores preocupações, posando de defensora dos "fracos e oprimidos" pela violência. Indo um pouco mais além, podemos dizer que o sistema midiático brasileiro está funcionando como um "relações públicas", fazendo a ligação da sociedade com os poderes constituidos, uma "linha direta com a cidadania", numa cruzada inquisitória por justiça e paz.

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É uma grande pretenção da mídia querer se colocar como solução ou alternativa para a dramática história da luta contra o crime no Brasil. Querendo ser uma espécie de tribunal público, uma instância com plenos poderes para julgar. E neste julgamento a sociedade seria a maior vitima, enquanto a mídia desempenha vários "papéis", tais como: investigadora, vítima (como no caso Tim Lopes), testemunha de acusação, juíza, etc.

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A melhor maneira da mídia ajudar na questão da violência é cumprir seu papel social de trasmitir informações - verídicas, de preferência - com qualidade e profundidade (o que a autora chama ironicamente de "esclarecer os cidadãos"). Os mass media não devem ficar provocando as pessoas e/ou autoridades a fazerem justiça a qualquer custo, de forma imediatista e passando por cima de tudo e todos. Não pode se deixar levar pela "radicalização punitiva" e nem "passar por cima de garantias fundamentais como o direito ao devido processo legal, anulando conquistas históricas resultantes das revoluções liberais de fins do século XVIII, e que fundamentariam a idéia moderna de cidadania."
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De acordo com Sylvia Moretzon, "(...) uma análise mais ampliada dessa ocupação de espaços não pode ignorar que se trata de uma estratégia empresarial muito bem conduzida no contexto do neoliberalismo: a redução do tamanho do Estado é compensada pela responsabilidade social de empresas cidadãs, de acordo com a formulação de uma nova ética de co-responsabilidade (entre Estado, empresas e sociedade civil) que mascara conflitos e valoriza indiscriminadamente iniciativas voltadas para fazer o bem."
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Com essa afirmação a autora desmascara a estratégia de todo o sistema midiático nacional (e talvez mundial), que aliado aos governantes e a burguesia controla o passado, o presente e o fututo da nação. E como a mídia faz isso? Através do domínio da consciência coletiva, da manipulação da opinião pública de acordo com macro-interesses empresariais e governamentais. E dessa forma, o sistema se perpetua. A História do Brasil nos mostra isso claramente.
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No final das contas - do sistema capitalista em que a mídia brasileira está inserida - o lucro é o que interessa e nada mais. Se der pra ganhar mais dinheiro as custas do medo das pessoas e ainda fazer elas acreditarem que estão recebendo um ótimo serviço de informção, um exemplo de cidadadania a ser seguido, a mídia o fará. Pelo menos é assim que ela está utilizando seu famoso "quarto poder".

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