Loading

segunda-feira, 10 de dezembro de 2007

Jornalismo especializado em Ciência
.
Bertrand Sousa
.
De forma resumida, podemos dizer que Jornalismo Científico é a interface entre a ciência – sua produção, seu funcionamento e suas aplicações – e o público em geral. Melo (1973, p. 24), chama a atenção para o alcance do conceito, dizendo que: trata-se de um processo social que se articula a partir da relação (periódica/oportuna) entre organizações formais (editoras/emissoras) e coletividades (públicos/receptores), através de canais de difusão (televisão, rádio, cinema, jornal, revista) que asseguram a transmissão das informações (atuais) de natureza científica e tecnológica em função de interesses e expectativas (universos culturais ou ideológicos).

Ou seja, o Jornalismo Especializado em Ciência deve estar sempre conectado com as características gerais do Jornalismo: atualidade, universalidade, periodicidade e difusão. Neste momento faz-se necessária uma diferenciação entre Divulgação Científica e Jornalismo Científico. Embora estejam muito próximos não correspondem à mesma coisa, apesar de certos autores discordarem. Pode-se dizer que ambos se destinam ao “leitor comum”, e têm a intenção de democratizar as informações (pesquisas, inovações, conceitos de ciência e tecnologia), mas a primeira não é jornalismo.

O que distingue o Jornalismo Científico da Divulgação Científica é meramente uma questão de objetivo com relação ao comunicador da mensagem. (...) Não é o objetivo do comunicador ou mesmo o tipo de veículo utilizado, mas, sobretudo, as características particulares do código utilizado e do profissional que o manipula. (BUENO, 1985, p. 20).

Para Erbolato (1981), fazer Jornalismo de Ciência é levar as descobertas científicas ao conhecimento da sociedade, de forma acessível, correta e sem desvio da verdade. Por sua vez, a Divulgação Científica não deve fugir às regras gerais de redação, necessitando apresentar-se com clareza e eliminar, sempre que possível, a aridez do assunto com um toque de humor e graça.

O Jornalismo Científico também é definido como a especialização da profissão jornalística nos fatos relativos à ciência, sobretudo no campo das Exatas, Naturais e Biomédicas. Localiza-se nas proximidades da Comunicação Científica e da Divulgação Científica, mas distingue-se destas, apresentando os conteúdos científicos como notícias, produzidas por jornalistas e orientadas ao grande público.

Na concepção de Burkett (1990), a prática do JC envolve duas definições. A primeira designa-o como a divulgação de uma série de eventos científicos feitos por cientistas. A segunda define-o como um meio de divulgação através do qual a ciência e a medicina tenta abrir novos horizontes em seus campos.

Os aspectos práticos ficam mais claros em Erbolato (1981, p. 47), quando afirma que o Jornalismo Científico pode ser desenvolvido de várias maneiras, tais como: “editoriais, reportagens e entrevistas, podendo ainda o redator especializado apresentar suas matérias em forma de flashs ou complementá-las com desenhos e fotografias”.

Um outro tipo de divulgação que merece ser caracterizada é a Disseminação Científica. Tem como público-alvo os especialistas, isto é, os próprios pesquisadores e cientistas. A Disseminação Científica manifesta-se nas revistas científicas, nos materiais (comunicações, pesquisas e ensaios) apresentados em eventos científicos e assim por diante. Logo, Jornalismo Científico, Divulgação Científica e Disseminação Científica são conceitos diferentes e revelam amostras variadas do processo de difusão de conhecimento sobre ciência e tecnologia.
.
.

Nenhum comentário: