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segunda-feira, 22 de março de 2010

Juventude brasileira: tradição e modernidade (parte 2)
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Hebe Signorini Gonçalves (*)
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No Brasil, a família - e a cadeia de relações que se estrutura em torno dela - ainda é uma forte referência da subjetividade, sobretudo entre as camadas mais pobres da população. As cadeias migratórias articulam-se em torno de relações de parentesco e amizade tanto no que diz respeito à busca pelo trabalho como na eleição dos locais de moradia. Admitindo que os laços de parentesco falam da tradição cultural e contrapõem-se aos padrões pós-modernos, seria preciso admitir aqui uma permanência da tradição, tornando tensos os apelos da modernidade.
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Ao descrever a vida urbana, referindo-se ao município de Curitiba, Sanchez (2001) destaca sua multiplicidade irredutível de sentidos. Lendo a cidade como um território de disputas simbólicas, de jogos e discursos em permanente confronto, a autora marca a impossibilidade de reduzi-la, e a seus cidadãos, a uma única definição. Do mesmo modo, Castro descreve a urbe como a geografia do múltiplo e do variado, lugar que acolhe uma "coletividade de indivíduos singulares na qual todos têm o direito de buscarem suas vias de expressão pessoal".
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Referindo-se mais diretamente às vivências da juventude, Pais (2003) acentua o cruzamento das trajetórias de vida que a cidade proporciona, sucessivamente aproximando e afastando estranhos, tecendo cadeias de relações que ele chama de interconectividade típica da juventude. Mas se é verdade que o jovem experimenta, circula, troca de lugares e de afetos, é preciso reconhecer também que ele organiza essas trocas segundo a lógica própria com que persegue os sentidos na cidade. Como lembra Carrano: até mesmo nos grupos com forte identificação gregária, onde as trajetórias dos sujeitos se cruzam intensamente, existem processos que fazem com que os seus membros se distanciem por outras redes de significados, configurando as variadas possibilidades de vínculos sociais que podem ser tramados nas cidades.
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Os centros urbanos brasileiros, marcados pelas enormes distâncias sociais, põem em contato territórios informados pelo simbólico e permeados pelo econômico. Nesse particular, nossa geografia urbana impõe experiências que diferem de qualquer cidade das sociedades centrais. A disparidade de renda, a presença ou ausência das benfeitorias sociais e a maior ou menor dificuldade de acesso às benesses são os elementos mais visíveis da rede de significados que o jovem deve aprender a decodificar. A convivência com o outro, na interconectividade das histórias vividas, mostra que uns têm acesso amplo ao conjunto de benfeitorias sociais, outros renunciam a elas e alguns se apropriam daquelas que lhes parecem indispensáveis. Assim, o jovem é chamado a construir ativamente as redes de significado, sob pena de sucumbir aos apelos do estranho e aos perigos da cidade. Nessa posição, que é necessariamente ativa, há de haver um nucleamento de sentidos passível de identificação. Como o jovem mapeia os territórios urbanos e com base em que premissas se move entre eles?
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A visibilidade mais ou menos explícita da distância entre os diversos grupos sociais que convivem no meio urbano - e as formas como essas distâncias são preenchidas - não é um problema menor, já que toca a temática da regulação. Castro (2001) argumenta que a ocupação da cidade por crianças e jovens só é bem-vinda quando feita nos limites da ordem prevista pelo adulto, que submete e controla o ir-e-vir do jovem pelas cidades. Para a autora, a regulação também contém seus excessos, e ela interpreta como agressão e violência o que é busca de sentido e vontade de participação.
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A pichação, com a qual o jovem quer imprimir sua marca pessoal às ruas da cidade, e a zoação, o desafio do outro por meio da galhofa e do desacato, são exemplos de atitudes comuns aos jovens, que, se contêm um viés de agressão, são também formas de reivindicação: "[...] o chamamento do outro, para que preste atenção e se volte para aquele que zoa, que reclame, que tome uma posição e que ponha limites. Na verdade, zoar pode se tornar uma forma desesperada e última de estabelecer vínculo".
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Esse atravessamento de sentidos, em que o desejo de diferenciação do jovem se confronta com os anseios de regulação e controle próprios da ordem social instituída e adulta, ganha contornos típicos numa sociedade em que a regulação se exerce a partir do doméstico. Diante da tibieza das instituições, cabe à família, e àqueles que lhe são próximos, promover em primeira instância a regulação da conduta. Como a família dará conta dessa função reguladora cujo alcance deve exceder o doméstico?
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(*) Doutora em Psicologia e integrante do Núcleo Interdisciplinar de Pesquisa e Intercâmbio para a Infância e Adolescência Contemporâneas, do Instituto de Psicologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro.
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FONTE: http://juventudesulamericanas.org.br
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quinta-feira, 18 de março de 2010

Quadro “Proteste Já”, do CQC, é censurado
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Izabela Vasconcelos
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A Band foi impedida de exibir o quadro "Proteste Já", do programa CQC, na reestréia da atração, nesta segunda-feira (15/03). A proibição foi pedida pela Prefeitura de Barueri, na Grande São Paulo, que notificou judicialmente a emissora. A ação do órgão público foi acatada pela juíza Nilza Bueno da Silva, da Vara da Fazenda Pública de Barueri.
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O quadro iria mostrar como uma TV doada a uma escola do município foi localizada na casa da diretora da instituição. De acordo com a prefeitura, a matéria não poderia ser exibida sem antes ter o direito de resposta. O apresentador do CQC, Marcelo Tas, diz que a equipe foi pega de surpresa com a decisão. “A Band recebeu a notificação no sábado, e na segunda o jurídico foi avaliar. Ficamos sabendo poucas horas antes da gravação. Estava tudo tão bem programado, o 'Proteste Já' ia ser o pilar principal, então recebemos a notícia como se o mundo fosse desabar”, conta.
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Tas informou que a Band já recorreu da decisão e aguarda a análise do caso, que deverá ser julgado ainda esta semana. O apresentador classifica a decisão como censura prévia. “Pra mim está se configurando a prática da censura velada através de decisões judiciais. Antes de publicar, o veículo é proibido. Eu só queria saber em que a juíza se baseou para tomar essa decisão. Para mim isso é censura prévia”, questiona.
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Fora a notificação inesperada, Tas comemora a reestreia. ”Foi muito vibrante, e um teste duro para a Mônica. Achamos que foi uma das melhores idas pra Brasília que tivemos”, explica ao falar da nova integrante da equipe, Mônica Iozzi, que fará a cobertura da eleição presidencial.
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O apresentador ressaltou duas novidades que lhe agradaram no programa, o quadro “Cidadão em Ação” e o “As piores notícias do mundo”. O primeiro, feito exclusivamente para o CQC brasileiro, abordou o problema de bebida e direção, e foi, em sua opinião, o que teve a melhor resposta do público.
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FONTE: http://www.comunique-se.com.br
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domingo, 14 de março de 2010

PMJP inaugura academia ao ar livre no bairro
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As praças públicas da cidade de João Pessoa não servem apenas como um local de convívio social. Com o projeto 'Academia na Praça', o Governo Municipal também está levando mais qualidade de vida para os moradores dos bairros beneficiados. Nessa perspectiva de incentivar o exercício físico, o prefeito Ricardo Coutinho entregou neste sábado (13/03) a terceira praça com equipamentos de ginástica. A solenidade aconteceu na Praça Lauro Wanderley, no bairro dos Funcionários I.
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Assim como foi implantada nos bairros de Mangabeira (Praça do Coqueiral) e no Rangel (Praça da Amizade), a estrutura esportiva possui dez equipamentos, como simuladores de caminhadas e bicicleta, entre outros. Para montar cada academia ao ar livre, a Prefeitura Municipal de João Pessoa (PMJP) está investindo R$ 20 mil. Além da infraestrutura, os moradores também ganharam o auxílio de monitores, cuja equipe é formada por professores de Educação Física. As orientações de como utilizar cada equipamento, assim como as séries que cada porte físico suporta, serão dadas no início da manhã e no final da tarde.
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Com o projeto, a Prefeitura pretende melhorar a qualidade de vida dos pessoenses, desde os jovens até os idosos. A iniciativa também vai contemplar aqueles que não têm condições financeiras de pagar uma academia particular, que custa em média R$ 30,00 mensais.
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De acordo com pesquisas, a vida saudável está ligada diretamente com a prática de esporte. E o exercício físico continuado contribui para a melhoria do condicionamento físico, desenvolvimento da autoestima, além de fortalecer a musculatura. Nesta proposta de incentivar a prática da educação física, a Prefeitura vai entregar outras 27 academias ao ar livre em diferentes bairros da Capital, beneficiando milhares de moradores.
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FONTE: http://www.joaopessoa.pb.gov.br
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Abertas inscrições para o "Curta Olhar Paraíba"
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O programa "Curta Olhar Paraíba" é uma realização do Pólo Multimídia da Universidade Federal da Paraíba, por meio da TV UFPB. Atualmente, encontra-se em fase de pré-produção e previsto para ser veiculado ainda no primeiro semestre de 2010. O Pólo Multimídia da Universidade Federal da Paraíba convida os realizadores audiovisuais da Paraíba que tenham produzido curta-metragem nos últimos três anos a participarem do "Curta Olhar Paraíba". As inscrições estão abertas até 31 de março de 2010.
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O programa tem por objetivo exibir a produção paraibana audiovisual em curta-metragem, atendendo as diferentes regiões do Estado e a diversidade estética inerente ao formato. Além do filme, também será exibido uma apresentação/reflexão do curta-metragem pelo próprio realizador, como forma de aproximar o público espectador das idéias e da proposta audiovisual dos que fazem cinema e vídeo na Paraíba.
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Os interessados devem enviar a ficha de inscrição preenchida disponível na página eletrônica da UFPB, além de DVD contendo o curta-metragem para o Pólo Multimídia da UFPB, no período de 01 de fevereiro a 31 de março de 2010. Após esse período a produção irá selecionar os trabalhos e convidar os respectivos realizadores a participarem efetivamente do programa.
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O endereço de envio do material é o seguinte: TV UFPB / PÓLO MULTIMÌDIA, Universidade Federal da Paraíba, Campus I – Cidade Universitária, João Pessoa-PB, CEP: 58059-970. Também é possível entregar diretamente na recepção do Pólo Multimídia, no horário das 13h às 18h. Mais informações através do e-mail: diretoria@tv.ufpb.br ou pelo telefone (83) 3216-7153, com Arthur Lins ou Carlos Dowling.
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FONTE: Agência de Notícias da UFPB.
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Hegemonia e poder manipulador da mídia
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Altamiro Borges
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Com base neste poder descomunal, a mídia hegemônica sempre procurou manipular a sociedade brasileira. O bombardeio recente contra o presidente Lula, em função das suas origens nas lutas operárias e de algumas de suas políticas contrárias aos interesses da elite burguesa, não é um fato novo no país. No passado, usando o denuncismo do “mar de lama”, ela levou Getúlio Vargas ao suicídio em 1954. Contra o governo João Goulart, fez campanha por sua derrubada, alardeando o “perigo do comunismo”. Durante a ditadura militar, a Folha de S.Paulo, que ainda engana muita gente com o seu falso ecletismo, emprestou suas peruas para o transporte de presos políticos. Até o final, a Rede Globo procurou esconder a campanha das Diretas-Já, que contagiava a sociedade.
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Já na redemocratização do país, a mídia tentou criar obstáculos para o avanço das lutas operárias. Com a retomada das greves no final dos anos 70, ela tratou os grevistas como arruaceiros. Já na Constituinte de 1988, ela defendeu a principais teses neoliberais, contra as medidas de defesa da economia nacional e contra os direitos trabalhistas – conforme comprova um excelente estudo de Francisco Fonseca. Diante do risco da vitória de um candidato oriundo das lutas operárias, em 1989, ela criou a imagem do “caçador de marajás”, garantindo a vitória de Collor sobre Lula. Nos anos 90, a mídia foi a vanguardeira da implantação do neoliberalismo no país. Ela blindou a figura de FHC, pregando a privatização do Estado, a desnacionalização e a desregulamentação.
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A tsunami neoliberal, somada às mutações tecnológicas, reforçou ainda mais este monopólio. A vitória de Lula em 2002 foi encarada como um grave risco pelos “donos da mídia”; ela poderia reverter esse processo de concentração e manipulação. Exatamente por isso, a ditadura midiática sempre exerceu forte pressão sobre o novo governo. Como observa Venício Lima, “antes mesmo da revelação pública das cenas de corrupção nos Correios, em maio de 2005, o ‘enquadramento’ da cobertura que a grande mídia fez, tanto do governo Lula como do PT e de seus membros, expressava uma ‘presunção de culpa’, que, ao longo dos meses seguintes, foi se consolidando por meio de uma narrativa própria e pela omissão e/ou pela saliência de fatos importantes”.
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A revista Veja foi ao ápice da manipulação. “Entre maio de 2005 e janeiro de 2006, foram pelo menos 20 capas sobre a crise, denúncias não comprovadas sobre o comportamento ilegal de familiares do presidente (filho e irmão), sobre dinheiro ilegal proveniente da Colômbia e de Cuba para as campanhas eleitorais do PT”, lembra Venício. Já o colunista Clóvis Rossi, da Folha, jogou o seu passado no lixo e encontrou “as digitais do PT” no assassinato do brasileiro Jean Charles em Londres, em setembro de 2005. No caso da Rede Globo, que estava dependente dos empréstimos do governo, ela deu sua cartada fatal na reta final da eleição de 2006, forçando o segundo turno – conforme comprovou a histórica reportagem de Raimundo Rodrigues Pereira.
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Outra mídia é possível e urgente!
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As eleições no Brasil, assim como a derrota do “golpe midiático” na Venezuela ou a vitória de Evo Morales na Bolívia (contra 83% das notícias opostas a sua candidatura), revelam que esta infernal máquina de manipulação de “corações e mentes” não é imbatível. Estes resultados têm, inclusive, levado partidos de esquerda, movimentos sociais e novos governantes, alvos da fúria midiática, a refletirem sobre o papel estratégico da mídia na atualidade. Alguns governantes, mais ousados e refletindo a correlação de forças internas, adotam posturas para coibir a “liberdade de empresa”, que não se confunde com “liberdade de imprensa”, como caso da RCTV venezuelana.
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No Brasil, o segundo mandato do governo Lula dá sinais de que acordou diante do poder destes monopólios. No primeiro mandato, ele só fez ceder à ditadura midiática, com a ilusão de que poderia atraí-la ou neutralizá-la, como ficou patente na adoção do padrão japonês de TV digital, bem ao gosto da Rede Globo. A pressão da ditadura midiática, porém, é violenta; já o governo continua sem nitidez de projeto, preso à lógica pragmática e conciliadora. Daí a importância da pressão da sociedade e da elaboração de plataformas visando construir, com urgência, uma nova mídia, democrática e pluralista.
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(*) Jornalista, editor da revista Debate Sindical.
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FONTE: http://altamiroborges.blogspot.com
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quarta-feira, 10 de março de 2010

Oficinas, debates e filmes na "Semana da Mulher"
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Começou nesta terça-feira (09/03) as exibições de 18 curta metragens e realizações de oficinas de cinema e debates, dentro da 'Semana de Filmes de Mulheres'. As atividades estão sendo realizadas no Teatro Lima Penante (Centro) e na Estação Cabo Branco – Ciência Cultura e Arte. Nas obras, o universo feminino se mistura a temáticas como adolescência, mercado de trabalho, relações afetivas e sociais. A realização é da Fundação Cultural de João Pessoa (Funjope) e da Coordenadoria de Políticas Públicas para Mulheres (CPPM). A programação termina no próximo sábado (13) e a entrada é franca.
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Durante todos os dias do evento será realizada a Oficina de Produção Audiovisual em Novas Mídias, ministrada por Mariah Benaglia, na Estação Cabo Branco, das 14h às 18h. As aulas têm o objetivo de difundir o segmento, utilizando-o como instrumento sócio-pedagógico. As ferramentas estudadas incluem criação de conteúdos com celulares que filmam, câmeras fotográficas digitais, webcams, pendrives e mp3 players. O resultado produzido será veiculado em redes sociais da Internet, a exemplo do Facebook, Twitter, Youtube e outros suportes.
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A partir desta quarta-feira (10/03), às 19h30, começam as exibições, sempre no mesmo horário e local. No Cineclube Tintin Clube (do Teatro Lima Penante) - localizado na Avenida João Machado, n° 67 - será exibida a ficção "Mulherzinha é a mãe ou eu precisei de uma ajuda masculina para abrir a maldita porta!". Em sequencia, ainda na quarta-feira, no mesmo local e horário, o público poderá assistir aos seguintes curtas: "Laurita", de Roney Freitas (2009, SP); "Bom dia, meu nome é Sheila", de Angelo Difanti (2009, RJ); "Ana Beatriz", de Clarissa Cardoso (2009, DF); "Handebol", de Anita Rocha da Silveira (2010, RJ); "Um par", de Lara Lima (2010, SP); "Historia triste de uma praieira", de Ana Movani (2009, MG); "Elia off", de Mariah Benaglia, Cecilia Retamoza e Suellen Brito (2009, PB). O evento tem o apoio da Associação Brasileira de Documentaristas, seção Paraíba (ABD-PB), Instituto Femina e ProJovem.
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Quinta-feira – Nesse dia serão exibidos mais três filmes, também no mesmo local e horário e dos anteriores. As obras escolhidas para o público foram: "Uma Mulher Impossível", de Márcia Derraik (RJ, 2008); "Ará", de Sheila Neumayr e Juliana Xavier (MG, 2007); e "Procura-se Janaína", de Miriam Chnaiderman (SP, 2007).
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Sexta-feira – No penúltimo dia, às 15h, haverá debate sobre a produção audiovisual feminina no Brasil, com a participação de cinco convidadas. Depois, às 19h30, terão continuidade as exibições. Na ocasião, o público presente terá a oportunidade de conferir cinco obras: "Clarita", de Thereza Jessouroun (RJ, 2007); "A saga das candangas invisíveis", de Denise Caputo (DF, 2008); "Mulheres de Mamirauá", de Jorane Castro (2008); "Nos limites da perfeição", de Pâmela Hauber (RS, 2008); e "Na madrugada", de Duda Gorter (RJ, 2008).
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Sábado – No último dia, as exibições têm início a partir das 15h30. A programação inclui: "Dreznica", de Anna Azevedo (RJ, 2008); "Eu e crocodilos", de Marcela Arantes (2008); e "Canção de Baal", de Helena Ignez (SP, 2008).
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FONTE: http://www.joaopessoa.pb.gov.br
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Utilidade pública
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Conselho de Comunicação: pauta das organizações
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Jacson Segundo
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Apesar de o debate sobre os melhores caminhos a trilhar neste momento pós 1ª Conferência Nacional de Comunicação (Confecom) ainda estar em aberto, algumas avaliações feitas por representantes do segmento da sociedade civil indicam que já há um certo grau de convergência em relação aos próximos passos a serem dados. Um deles é praticamente uma unanimidade: dar prioridade à implantação da resolução que prevê a criação do Conselho Nacional de Comunicação como um instrumento de participação social na definição de políticas públicas para a área. Além disso, há consenso sobre a importância de dar continuidade à mobilização gerada no período da Conferência para fortalecer o movimento pelo direito à comunicação e fazer pressão para que as resoluções não virem letra morta.
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A avaliação, corroborada por todos os representantes do segmento consultados pelo Observatório do Direito à Comunicação, é que a instituição do Conselho Nacional seria fundamental neste momento porque, em primeiro lugar, não seria uma medida complexa. Com um pequeno esforço do Executivo e do Congresso, ele poderia ser criado ainda antes do início do período eleitoral. Somado a isso, esse órgão poderia funcionar como local privilegiado para impulsionar a realização de todas as outras deliberações que foram aprovadas na Conferência (são 665 no total). Até o consultor jurídico do Ministério das Comunicações e principal articulador do governo na Confecom, Marcelo Bechara, sinalizou com a importância de manter os segmentos em permanente diálogo, por meio da criação do Conselho.
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Os membros do Congresso e do governo também não teriam, em princípio, muitos motivos para não implementar a proposta, já que ela contou com a adesão unânime de todos os delegados presentes na Confecom. O texto da resolução diz que, além do Conselho Nacional, devem ser criados conselhos municipais, estaduais e distrital, como instâncias de formulação, deliberação e monitoramento de políticas de comunicações no país. Eles devem ter a participação do poder público, dos empresários e da sociedade civil. Entre outras atribuições, eles podem convocar audiências e consultas públicas sobre temas diversos, incluindo a concessão ou renovação de outorgas de serviços de comunicação, e indicar a realização de conferências de comunicação.
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Este novo órgão não se confunde com o Conselho de Comunicação Social, criado pela Constituição de 1988. Este último demorou onze anos para ser implementado, funcionou por quatro anos e, desde 2006, não está mais ativo. Sua reativação também foi aprovada na Confecom, porém, ele não é considerado tão prioritário como o Conselho Nacional de Comunicação. No entanto, na análise dos representantes da sociedade civil, nem essa proposta nem as demais vão virar realidade se não houver pressão social para isso. “Foram quase 700 propostas aprovadas e sem uma agenda comum será complicado avançar. Para exigir qualquer resolução o movimento precisa estar organizado, pressionando”, acredita Carolina Ribeiro, integrante do Intervozes – Coletivo Brasil de Comunicação Social.
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Espaços de articulação
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Uma das maneiras de se construir uma agenda comum entre os movimentos seria com a realização de fóruns com este fim. É o que defende a jornalista do Portal Vermelho, Renata Mielli, membro da Comissão Paulista Pró-Conferência e uma das delegadas do estado à etapa nacional. “O principal agora é manter a articulação. Se os movimentos que se organizaram forem tomando decisões isoladas, isso é ruim. Precisa ter uma atuação conjunta. É preciso, nos estados e em nível nacional, constituir comissões, como foram as pró-conferência, que foram um local de articulação. Não sei se é preciso manter a mesma estrutura [das comissões pró-conferência], mas algum espaço de discussão dos movimentos precisa continuar”, opina.
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É o que já vem ocorrendo em alguns estados, como o Rio de Janeiro. O jornalista e membro da Comissão Estadual Pró-Confecom Álvaro Britto explica que a ideia do movimento local em relação às propostas aprovadas na Conferência é definir prioridades gerais, sem prejuízo daquelas que são específicas das organizações. “Provavelmente em março, o Rio realizará um grande encontro com os delegados e observadores que foram à etapa nacional e outros militantes da democratização da comunicação para definir essas prioridades. Até lá, estamos estimulando a reorganização das regionais e realizando o debate de avaliação”, informa Britto.
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A forma que a sociedade civil deve adotar para continuar trabalhando conjuntamente, porém, ainda não está muito desenvolvida. Para alguns, é importante, por exemplo, manter a continuidade das comissões pró-conferência. Tanto em nível nacional quanto estadual. Para a representante do Conselho Federal de Psicologia na coordenação executiva do Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação (FNDC), Roseli Goffman, essa não seria a saída adequada no momento. “Existem diferenças dentro do movimento social, mas são de forma e não de conteúdo. A CNPC (Comissão Nacional Pró-Conferência) teve sua função. Agora a pauta é união. Negociar as pautas possíveis, fazer pautas conjuntas”, disse ela.
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“Temos que promover eventos estaduais e nacionais, desenvolver parcerias. Dar oportunidade para a voz popular não se separar, dando oportunidade para que as pessoas falem e ouvir as novas ideias”, disse Roseli, que também acredita que o momento eleitoral será importante, pois “nenhum candidato poderá negar o processo [da Conferência], que envolveu tanta gente”. Segundo ela, o FNDC já está preparando um evento nacional – ainda sem data – para discutir o cenário pós Confecom.
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FONTE: www.direitoacomunicacao.org.br
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Jornalismo Investigativo no Brasil
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Regiane Santos Barbosa
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Os jornais brasileiros só adotaram a reportagem investigativa após a ditadura militar. O Estado de S.Paulo, em 1976, é o primeiro a incorporar a prática. O Estadão publicou três matérias, intituladas "Assim vivem os nossos superfuncionários", que abalaram o País ao revelar a boa vida dos ministros e altos funcionários instalados em Brasília e capitais federais.
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Infelizmente, a prática da investigação jornalística no Brasil ainda é tímida. Cleofe Monteiro de Sequeira publicou em seu livro "Jornalismo Investigativo: o fato por trás da notícia", um estudo feito pelo jornalista Carlos Chaparro sobre a evolução dos gêneros jornalísticos como forma discursiva nos os últimos cinqüenta anos da imprensa brasileira, enfocando o jornalismo diário praticado nos principais jornais impressos do nosso país.
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Na amostra de 1995, a reportagem investigativa ocupava apenas 2,32% do espaço total da Folha de S.Paulo e 1,73% em O Globo; na amostra de 1945-1994, 0,20% no Estado de S.Paulo, e 0,50% no Jornal do Brasil. Segundo Carlos Chaparro, o mercado jornalístico, em especial as redações dos meios impressos, caracterizam-se por pressões do negócio e às tensões impostas pelo ritmo da produção industrial, criando detalhadas rotinas administrativas, para controlar e otimizar, sob o ponto de vista gerencial, a seleção e a produção do noticiário. No exercício dessa competência, boa parte do tempo é ocupada em atividades de depuração, no mar de informações que jorram das fontes cada vez mais organizadas. E não há tempo, nem estrutura, nem cultura, para pensar o aprofundamento dos fatos.
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Diante dessa realidade, as redações preferem jornalistas que sejam eficientes organizadores de dados provenientes de releases ou fatos mal-apurados in loco "que posteriormente transformam em notícias insípidas, sem contextualização, que servem para desinformar o leitor ao invés de informá-lo", uma vez que a fragmentação e a superficialidade das informações impedem a plena compreensão do fato que está sendo reportado ao leitor.
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Os jornais oferecem aos leitores inúmeras informações no formato de notícias e reportagens curtas. Mas será que estes fatos mal-apurados e maquiados em textos superficiais atendem ao direito básico do cidadão de informação? Uma vez que esses dados, números, estatísticas, pesquisas de opinião, que chegam prontas aos e-mails dos repórteres, sem nenhuma descrição de quais métodos utilizaram para obter aquele resultado.
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Uma das falhas do jornalismo atual é a ausência de investigação. A maioria dos repórteres acredita em todos os relatos e documentos que chegam as suas mãos. Assim, documentos que deveriam ser ponto de partida viraram pontos de chegada. Portanto, a reportagem investigativa passou a ser encarada, por grande parte dos veículos de comunicação, como um "jornalismo fiteiro". Pois na maior parte dos casos, o jornalismo se resume à simples coleta e reprodução de fitas.
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FONTE: www.observatoriodaimprensa.com.br
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O rádio como perspectiva acústica da cidade
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Cida Golin
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Linguagem temporal, o rádio mantém um vínculo visceral com a cidade. Reflete sua sonoridade, funciona como um relógio das rotinas diárias, organiza e reproduz os ciclos e as temporalidades locais: o despertar para o trabalho, a conversa descompromissada na hora do cafezinho, a hora do rush, a solidão do insone na madrugada. Cada emissora enquadra o ouvinte em um estilo próprio de pontuação e ritmo. Funciona, na perspectiva de Schafer, como uma espécie de parede, massa sonora comprimida, feita de repetições, envolvendo o sujeito na ausência do silêncio.
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No momento em que o rádio se redirecionou, principalmente a partir dos anos 1960, deixando a sala de visitas e o entretenimento para a televisão, passou cada vez mais a contemplar notícias e prestação de serviços locais, aproximando-se da cultura da comunidade onde opera. Qualquer manual para iniciantes recomenda que a pauta do veículo privilegie temas próximos, critério de relevância: aquilo que se vê e se conversa na rua, uma informação urgente, um acidente de trânsito, um assalto, o buraco da rua, as reivindicações dos bairros.
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Nesse sentido, passa a ser um espelho da cidade onde está inserido, traduzindo na linguagem cíclica e temporal o ritmo cotidiano. A programação em fluxo, tendência de importantes emissoras de radiojornalismo, corrobora a metrópole contemporânea como o lugar do movimento incessante, da multidão, do deslocamento em vias expressas. A programação radiofônica não somente mimetiza a aceleração temporal como ajuda a propagá-la na rapidez da fala, na ausência de pausas ou silêncios, no ritmo incessante da velocidade. No entanto, em cidades pequenas, ao contrário da pressa e do trânsito caótico, o obituário e informações sobre baixas e internações hospitalares ganham visibilidade e tratamento de serviço ou notícia.
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O rádio mantém uma profunda relação com o espaço social mais próximo, preocupa-se com o entorno, e busca situar-se nele; promove a inter-relação de espaços a partir do local; cria um pulsar rítmico do cotidiano, sincronizando pelo tempo as atividades de uma comunidade. Como observa Canclini, ao se pautar pelas experiências diárias da cidade, os meios eletrônicos de comunicação simulam superar e integrar um imaginário urbano desagregado, sobretudo em grandes centros. Logo, estar informado é participar de uma comunidade.
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Lewis Munford sublinha o quanto a cidade, na sua origem, deve à aldeia as relações de ordem, estabilidade e vizinhança no compartilhamento do ritmo vital entre os que nascem, trabalham, casam, agonizam e morrem. As cidades antigas, por exemplo, não cresciam além dos limites físicos do corpo humano, das distâncias das caminhadas ou da audição. “Na Idade Média, ficar dentro do alcance dos sinos de Bow definia os limites da City de Londres”. Antes da Revolução Industrial, o trabalho estava associado ao ritmo da canção (cantos dos marinheiros, dos camponeses e das oficinas) e aos sons da rua, às vozes dos ambulantes, dos pregoeiros, dos mendigos ou dos músicos à margem.
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Dentro da luta pela organização e racionalização burguesa do espaço público, aos poucos, a voz (em especial dos grupos menos favorecidos) foi sendo abafada, ao contrário de sons institucionais como o da igreja ou dos motores que rompiam o silêncio comum. Na categoria dos sons comunitários, que precisam ser fortes para se destacar no ambiente, a sirene (primeiro da fábrica, depois do automóvel) tomou o lugar do sino na evolução do espaço urbano. O futurismo, ao participar da construção da cidade moderna, poetizou o ruído, fascinado pela estridência do metal, pela sonoridade do automóvel, das ferrovias ou das multidões.
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FONTE: A Expressão Radiofônica de uma Cartografia Sonora:
estudo da série Porto Alegre,
paisagens sonoras.
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segunda-feira, 1 de março de 2010

Festival de Vídeo: inscrições até dia 5 de março
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As inscrições para o 1º Festival de Vídeo 'Estação Cabo Branco' foram prorrogadas até o dia 05 de março. O evento acontece de 08 a 10 de abril, na Estação Cabo Branco – Ciência, Cultura e Artes, localizada no bairro do Altiplano, com apoio da Fundação Cultural de João Pessoa (Funjope). A ficha de inscrição e o regulamento podem ser baixados no portal www.festvideocabobranco.com.br. Para participar basta seguir as informações que constam no regulamento. As inscrições são gratuitas e só podem ser feitas via Sedex.
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O Festival vai dar prêmios em dinheiro a título de incentivo. A premiação será atribuída nas categorias, Documentário, Ficção, Experimental e Animação. O primeiro lugar de cada categoria receberá o valor de R$ 1.500,00, havendo ainda, dois prêmios especiais, sendo um deles, concedido pelo júri do Festival, em menção honrosa, e outro por votação popular. Os dois prêmios terão o valor de R$ 1.000,00, cada. Segundo os organizadores, o 1º Festival de Vídeo Estação Cabo Branco surge com o objetivo de incentivar e divulgar a produção de audiovisual de toda a Paraíba, buscando a valorização do que existe de melhor no Estado, sem perder de vista as raízes culturais e dando apoio ao contemporâneo.
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Programação – De acordo com a programação do Festival, as noites dos dias 8 e 9 de março estão reservadas para a Mostra Competitiva de Curta-metragem. As Sessões Jovens e as oficinas ocorrerão nas tardes dos dois dias. Já no dia 10, acontece o encerramento com a premiação e apresentações culturais. Poderão participar todos os vídeos realizados em qualquer plataforma, desde que finalizados em DVD. O evento vai ocorrer em dois turnos. À tarde ocorrerão atividades de oficina e sessões de vídeo para os estudantes da rede pública municipal. À noite estará reservada para a Mostra Competitiva dos Curtas.
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Serão oferecidas 100 vagas de oficinas para os estudantes das escolas da rede pública de João Pessoa. Os jovens vão participar da oficina de "Formação do Olhar Crítico em Audiovisual", divididos em duas turmas de até 50 participantes em salas especialmente preparadas e equipadas para assistir a vídeos com temas relevantes e ligados à juventude, educação, cultura, etc. Eles vão debater os temas abordados e aprender formular pequenas críticas à medida que aguçam o olhar. Já a Sessão Jovem acontecerá sempre à tarde, no cine-auditório, com exibição de vídeos e conteúdo direcionado aos estudantes da rede pública da Capital.
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Serviço – A Estação Cabo Branco – Ciência, Cultura e Artes está localizada na avenida João Cirillo Silva, s/n, Altiplano Cabo Branco. Mais informações pelo telefone (81) 8835.8890 e (81) 3236.6894, falar com Tiago Martins, diretor do 1º Festival de Vídeo Estação Cabo, ou ainda pelo e-mail festvideocabobranco@gmail.com
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FONTE: http://www.joaopessoa.pb.gov.br
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Dica cultural: evento
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Local: Nova Acrópole / João Pessoa-PB
Av. Monteiro da Franca, 1734 - Manaíra (próximo ao Habib's)
Mais informações: (83) 3268-0632 / joaopessoa@acropole.org.br
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Interatividade: ferramenta para o Jornalismo
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Ana Cristina Calábria
Luis Gustavo do Prado Brunelli
William Penna Crispim
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Ao abordar o tema interatividade como uma ferramenta para o jornalismo, “carregamos” uma infinidade de outros assuntos correlacionados, característicos de uma sociedade complexa e envolta em um contexto cultural. Não há como estudar o jornalismo on-line sem antes explicar o que é parte dele, o computador, a Internet, a cibercultura e o ciberespaço. A tecnologia não é um agente autônomo separado da sociedade e da cultura. Ela é um ângulo de análise do sistema social e tecnológico, dependente do restante dos efeitos das atividades humanas. Existem interações indissolúveis nas atividades humanas - pessoas vivas e pensantes; entidades materiais naturais e artificiais; idéias e representações.
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Pierre Lévy (1999) discute que não há como romper esta conexão e estudar um caso isoladamente. A tecnologia faz parte do homem assim como o homem faz parte dela. As técnicas não são somente imaginadas, fabricadas e ou reinterpretadas durante seu uso pelos homens. O próprio uso intensivo das ferramentas constitui a humanidade. Durante este artigo iremos discutir o ciberespeaço, a cibercultura e relacionamento entre usuário e a Internet, já que o número de pessoas que têm algum tipo de acesso à rede no Brasil é superior a 30 milhões.
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O ciberespaço
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O ciberespaço nada mais é que o novo espaço dos meios de comunicação que surge da interconexão mundial dos computadores. São as várias máquinas conectadas a uma rede por cabos, onde é possível a troca de informações entre os usuários. Ele [o ciberespaço] permite a combinação de vários modos de comunicação. Encontramos, em graus de complexidade crescente: o correio eletrônico, as conferências eletrônicas, o hiperdocumento compartilhado, os sistemas avançados de aprendizagem ou de trabalho cooperativo e, enfim, os mundos virtuais multiusuários.
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Lévy (1999) atribui ao termo ciberespaço não apenas a infra-estrutura material da comunicação digital, mas também o universo de informações que ela contempla, assim como os seres humanos que “navegam” e alimentam este sistema. Vilches (2003) completa o raciocínio de Lévy, afirmando ser o ciberespaço o espaço de pensamento e de experiências humanas, formado pela coabitação de antigos meios (rádio, televisão) e novas formas de hiper-realidade. Sabemos também que o digital encontra-se no início de sua trajetória e que a Internet no Brasil completa dez anos recentemente. A interconexão continua em ritmo acelerado e muito se discute sobre os próximos padrões da comunicação, mas dificilmente se chegará a um determinante, pois a mudança é constante e ilimitada.
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O que estaria acontecendo hoje, no que se refere à mudança e à interconexão, seria uma desintegração do indivíduo clássico, isolado na tribo, já que o esgotamento da perspectiva individualista favorece um “tribalismo” contemporâneo que descreve a vontade de estar junto, de compartilhar emoções. Nascem e multiplicam-se, então, as “comunidades emocionais” no ciberespaço. São as comunidades virtuais, constituídas por um grupo de pessoas que se correspondem mutuamente por meio de computadores interconectados. Daí a importância da nova media, a Internet, funcionando como um dos vetores de comunhão, englobando a televisão, o rádio e o jornal impresso.
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Essa transformação estaria ligada às idéias de Vilches (2003) sobre migração digital. A evolução do modo humano de aproximar-se da maquina permite uma experiência de gestor. O internauta acessa a rede para buscar por si próprio tudo de que necessita, assim desprende-se da massa indiferenciada para entrar em contato com outros usuários e outras formas de consumo ativo.
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Michael L. Dertouzos (2000) vai mais longe. Para ele a primeira geração alfabetizada em computação já está ingressando no mercado da mídia. São os homens e as mulheres familiarizados com teclados, discos de dados, monitores de vídeo e a Internet. As habilidades antes aprendidas em escritórios e escolas estão sendo aplicadas em casa, transformando os indivíduos em aldeões urbanos: meio cosmopolitas sofisticados, viajando pelo mundo virtual; e meio caipiras, passando mais tempo em casa cuidando da família. Desse modo, a interatividade permite aos usuários utilizarem as mídias para organizar seu espaço e seu tempo, e não o inverso, como acontecia com os meios tradicionais baseados na manipulação das imagens e dos sons, a partir de um centro emissor.
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A comunicação na Conferência de Cultura
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Mariana Martins
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As questões que tratam das comunicações estão inseridas no 1º eixo temático do Texto Base da 2ª Conferência Nacional de Cultura, intitulado “Produção Simbólica e Diversidade Cultural”. Dentro desse eixo, existem quatro pontos e, dentre eles, o de “Cultura, Comunicação e Democracia”. Vale ressaltar que, antes de chegar aos eixos, o documento fala um pouco da visão que o Ministério da Cultura (MinC), órgão responsável pela convocação dessa conferência, adotou para trabalhar as políticas de cultura do País.
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Primeiramente o texto diz que a cultura, desde a gestão do ex-ministro Gilberto Gil - empossado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 2002 - é vista pelo MinC a partir de três dimensões: a simbólica, a cidadã e a econômica. O texto diz ainda que “os direitos culturais são direitos humanos e devem constituir-se como plataforma de sustentação das políticas culturais”. Mais adiante, o documento ressalta que a cultura é um elemento estratégico da nova economia, que se baseia na informação, na criatividade e no conhecimento.
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Ao iniciar o único ponto do texto em que fala da comunicação, o documento faz a seguinte contextualização: “As atividades relacionadas à informação estão adquirindo importância crescente no mundo atual. A produção, difusão e acesso às informações são requisitos básicos para o exercício das liberdades civis, políticas, econômicas, sociais e culturais. O monopólio dos meios de comunicação (mídias) representa uma ameaça à democracia e aos direitos humanos, principalmente no Brasil, onde a televisão e o rádio são os equipamentos de produção e distribuição de bens simbólicos mais disseminados, e por isso cumprem função relevante na vida cultural.” Mais abaixo o texto fala da integração entre cultura e comunicação. “Tão necessário quanto reatar o vínculo entre cultura e educação é integrar as políticas culturais e de comunicação”, aponta o documento.
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A segunda parte deste trecho do texto base aponta a necessidade de se regulamentar o capítulo Da Comunicação Social da Constituição Federal. Este capítulo, dentre outras coisas, prevê que sejam estabelecidas regras para que se promova a regionalização e a veiculação de produção independente, o que pode ser claramente entendido como o estabelecimento de cotas a serem respeitadas pelos concessionários de rádio e TV.
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Os fóruns de cultura e de comunicação, diz ainda o documento, “devem unir-se na luta pela regulamentação dos artigos da CF/88 relativos ao tema. Entre eles o que obriga as emissoras de rádio e televisão a adaptar sua programação ao princípio da regionalização da produção cultural, artística e jornalística, bem como o que estabelece a preferência que deve ser dada às finalidades educativas, artísticas, culturais e informativas, à promoção da cultura nacional e regional e à produção independente (art. 221)”.
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Justamente este trecho sobre a regulamentação da
Constituição é que, ao lado do primeiro parágrafo que acusa o fato de a formação de monopólios na comunicação de ser uma ameaça a democracia, serviu de mote para a reação dos empresários de mídia. Na lógica empresarial, estabelecer normas para o setor da comunicação e fazer com que sejam cumpridas deve ser considerado como censura, mesmo que estas normas sejam obrigações constitucionais previstas para concessionários de um serviço público – as emissoras de rádio e televisão.
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A exposição desta lógica nos grandes veículos da mídia tradicional tem obedecido um roteiro que quase sempre ignora a apresentação das opiniões expressas nos documentos pelos atores responsáveis, quando não deixa de citar o próprio processo que deu origem as propostas. No caso da CNC, tanto o MinC como movimentos historicamente ligados às análises e demandas expostas no texto base da conferência não foram ouvidos. Os textos cuja leitura não foi feita por aqueles que atacam a Conferência Nacional de Cultura, aponta o secretário, mostram que a questão da democratização dos meios de comunicação é parte da maioria dos tratados e convenções internacionais assinadas pelo Brasil, inclusive a Convenção da Diversidade Cultural da Organização das Nações Unidas, de 2005, e também da Agenda 21 da Cultura, aprovada em Barcelona em 2004.
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FONTE: http://www.direitoacomunicacao.org.br
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Educação básica: reflexões e propostas
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Um diagnóstico sucinto da educação básica no Brasil aponta tanto para alguns avanços, quanto para a permanência de graves problemas. Por um lado, deve ser celebrada a universalização do acesso ao ensino fundamental, o recuo contínuo do analfabetismo e a recente aprovação pelo Congresso Nacional da Emenda Constitucional n.º 59, que torna obrigatório o ensino desde a pré-escola até o fim do ensino médio. Por outro lado, são extremamente preocupantes os índices de repetência, os maiores da América Latina, apesar de sensível melhora nos últimos 10 anos; causa apreensão também a elevada evasão: aproximadamente 1 milhão de crianças abandonam a cada ano o ensino fundamental, e o problema continua, com gravidade ainda maior, no ensino médio.
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A combinação de repetência com evasão faz com que menos de 70% dos alunos concluam o ensino fundamental na série ou ano correspondente a sua idade, enquanto somente cerca de 50% dos alunos concluem o ensino médio na série ou ano correspondente a sua idade. Para isso contribui, em primeiro lugar, o desinteresse dos alunos gerado por conteúdos e metodologias inadequados e pela capacitação insuficiente de muitos professores; em segundo lugar, está a aspiração do jovem de baixa renda em ingressar logo no mercado de trabalho, como forma de abrandar imediatamente a privação material em que vive.
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Assim, para reverter a atual tendência à repetência e à evasão, é preciso melhorar a qualidade do ensino e garantir uma maior adequação de conteúdos e metodologias. Convém também oferecer aos alunos a possibilidade de escolha entre um ensino médio predominantemente universalista e teórico, preparatório para a vida acadêmica, e um ensino médio predominantemente técnico e prático. É preciso igualmente prover novos estímulos econômicos, além do Bolsa Família, para que os alunos permaneçam na escola até a conclusão do ensino médio.
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Com medidas que incidam diretamente sobre a vida escolar dos alunos, é preciso desenvolver um conjunto de iniciativas que disponibilizem à população novos espaços educacionais, sobretudo na mídia eletrônica, com destaque para a TV aberta, à qual praticamente a totalidade da população brasileira tem acesso. Em termos objetivos: a TV aberta deve se tornar um grande espaço de promoção da educação e do livro, assim como de outras celebridades, os estudiosos e os escritores, sem prejuízo do interesse por atores, cantores, etc.
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A propaganda governamental, embora seja proibida por lei de ostentar os nomes e imagens de autoridades, é na prática, em boa parte dos casos, um mero instrumento de autopromoção dos governantes que, sob o pretexto de prestarem contas à população, fazem o autoelogio de seus mandatos. As polpudas verbas destinadas a esse tipo de propaganda podem perfeitamente ser destinadas à produção de programas educacionais, a serem veiculados tanto na TV pública quanto na comercial. Ao mesmo tempo, o poder público necessita fortalecer os laços legítimos com a iniciativa privada no sentido de favorecer o avanço da pesquisa no país, que deve passar a ser não somente científica e acadêmica, como ocorre quase sempre hoje em dia, mas também tecnológica e empresarial. Isso certamente contribuirá, direta e indiretamente, para o aumento da oferta de vagas destinadas a profissionais qualificados, o que por sua vez servirá como um estímulo a mais para que as famílias e os indivíduos invistam em educação.
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Ao lado dessas sugestões, apresento a seguir algumas propostas voltadas ao avanço da educação no Brasil: a) educação básica, em tempo integral na rede pública; b) aumento do piso salarial nacional mínimo do professor da educação básica, com novos aportes de recursos federais; c) instituição de parcela salarial variável vinculada ao desempenho do profissional de educação; d) universalização da inclusão digital, com a venda subsidiada de computadores a todas as famílias que tenham alunos matriculados nas escolas públicas e a disponibilização de sinal gratuito de alta velocidade para a internet em todo o DF; e) redução drástica dos preços dos livros, por meio de política agressiva de subsídios e outros incentivos à impressão e comercialização de livros em todo o território nacional.
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FONTE: http://www.psbnacamara.org.br
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quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

Dica cultural: evento
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América Latina: arte no circuito internacional
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Leonor Amarante
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Antes de qualquer reflexão que se faça sobre arte contemporânea, primeiro há que se afirmar que não existe uma arte latino-americana, e sim uma produção realizada por artistas nascidos ou radicados em países da América Latina. Esse equívoco já permitiu, em outras décadas, que os centros hegemônicos se dessem o direito de determinar o que era, ou não, obra de arte contemporânea e minimizar tudo o que vinha do Continente. Hoje a situação mudou e os artistas da América Latina estão mais presentes nas exposições internacionais realizadas por bienais, galerias e instituições culturais nos cinco Continentes.
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Nos últimos anos, a discussão entre universalismo e localismo foi intensificada, e alguns artistas transcenderam a discussão e se posicionaram com destaque frente à chamada arte internacional. Ainda jovens, alguns deles chegaram ao mercado mundial e fazem parte de uma constelação que dá brilho ao circuito internacional. Os artistas aqui reunidos, nos últimos anos encontraram seus caminhos e hoje se destacam no cenário.
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A pintura da brasileira Beatriz Milhazes faz a cabeça da América: ela tornou-se, nos últimos tempos, a preferida dos colecionadores de arte. O colorido explosivo de suas telas às vezes é identificado com as cores vibrantes do Brasil. Ela se movimenta no limite do decorativo com atitudes libertárias e se impõe no mercado, resistindo às várias vertentes abstratas. As pinceladas singulares, com gestos precisos, nascem a partir de elementos figurativos. Formalista para alguns e romântica para outros, ela compõe “arabescos” apoiados por várias superfícies de cores vivas e justapostas. Beatriz hierarquiza a figura e a submete a ritmos distintos, espontâneos e livres. Talvez seja a chave do sucesso da artista, hoje disputada pelos colecionadores de vários países. A lógica do realismo exige que se entenda o processo estético do ponto de vista da matéria e Beatriz a domina globalmente.
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Se a pintura ainda seduz colecionadores, grandes exposições como bienais continuam inundadas de performances e instalações. Revezando-se nessas duas poéticas, o mexicano Peña Gómez coloca em xeque o “sistema de arte”. Polêmico e vulcânico, é um dos expressivos representantes do espírito vanguardista de experimentalismo estético e comportamental. Ele transpôs o circuito institucional de museus e galerias e ganhou as ruas com ações que geram estranhamento. Faz da inventividade e do prazer, combustíveis de suas instalações/performances, nas quais o público é protagonista. Suas críticas político-sociais chegam a confundir o espectador, que não sabe se está assistindo a um teatro, uma manifestação política ou a uma simples intervenção na rua.
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Com trânsito pelas Américas, Jorge Macchi é um dos artistas argentinos expressivos da atualidade. Gerardo Mosquera, crítico cubano e diretor do Novo Museu de Arte Contemporânea de New York, o considera o argentino mais influenciado pelos brasileiros. No Brasil, seu trabalho se impôs depois da participação no Panorama da Arte Brasileira, organizado pelo Museu de Arte Moderna de São Paulo - MAM e na individual na galeria Luísa Strina. Embora intimista, ganhou notoriedade na Bienal de São Paulo, palco ideal para as obras de grandes dimensões. Multimídia, Macchi começou nas artes estudando piano, portanto não é por acaso que a música aparece em trabalhos seus em parceria com músicos.
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Crítica social, humor e grafismo eletrônico movem o trabalho de Martin Sastre, o jovem uruguaio, autor de obras pontuais que adensam o repertório de estratégias capazes de ajudar a compreender o momento social e político da América. Sastre alavancou sua trajetória depois de participar da II Bienal do Mercosul, onde realizou a primeira obra sobre o atentado de 11 de setembro a ser exibida numa exposição de grande porte. Fundiu cenas do filme E O Vento Levou com imagens das Torres Gêmeas transmitidas pela TV no momento do acidente. Sastre usa uma linguagem internacional para chegar a uma problemática local, e utilizando humor e versatilidade no registro dos acontecimentos metaforiza o que é real e discute tanto o papel como a identidade do artista contemporâneo.
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O cotidiano também interessa ao chileno Patrick Hamilton. Sua “pintura” une sociedade e cultura num discurso visual direto, com gramática utilizada pela publicidade. Seu universo é povoado por objetos do cotidiano, como serrotes, facas, machadinhas, que ele glamouriza com superfícies estampadas, criando “natureza mortas” trabalhadas a partir da fotografia e, como ele mesmo afirma, sarcasticamente, “prontas para a foto”. Hamilton dá novas formas às imagens já existentes do mundo para ressaltá-las, sugerindo uma leitura mais precisa da realidade. Seus objetos harmonizam imagens recolhidas nos meios de comunicação massivos, para criar outra leitura da realidade, convertendo-a muitas vezes em discurso sócio-político.
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Com novas identidades, esses objetos assumem outros desafios estéticos, colocam em xeque os avanços da cultura globalizada que banaliza os imaginários concebidos em formato de mercado. Seu imaginário discute as padronizações de memória e a neutralização do presente, transformando-os em clichês, quase publicitários. Toda obra de arte é uma composição e decomposição do momento do artista, do lugar onde ela é gerada e consumida. Assim se passa com a produção feita na América Latina. Podemos imaginá-la eterna no circuito de arte, mas não podemos esquecer que cada obra tem seu tempo e momento de existência. Seja latino-americana ou não.
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FONTE: www.memorial.sp.gov.br/revistaNossaAmerica
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EBC: os desafios incluem a inovação
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Mariana Martins
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A discussão da inovação no conteúdo da Empresa Brasil de Comunicação (EBC), sugere também uma discussão sobre a inovação tecnológica que bate às portas dos sistemas de comunicação no mundo, comerciais ou públicos. Contudo, as mídias consideradas públicas no Brasil sofrem mais por terem passado um longo período de poucos investimentos, seja em pessoal ou em tecnologia.
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Para Gabriel Priolli, jornalista e especialista em TV pública, “a mídia pública, de modo geral, ainda está no século XX, quando não, ainda estamos no século XIX. Estamos debatendo mídias que em sua maioria são unidirecionadas, sem interatividade e por isso estamos perdendo até a audiência infantil. A televisão generalista aberta pode ser coisa do passado em um futuro relativamente breve."
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O professor da Universidade de Brasília e também Coordenador do Laboratório de Políticas de Comunicação (Lapcom), Murilo César Ramos, também refletiu sobre esta questão do modelo da mídia brasileira, ao qual deve estar subordinado todo o debate sobre a EBC. Ramos lembra que os Estado Unidos já passa por uma crise muito grande no modelo de televisão generalista. Como o Brasil herdou o modelo americano de comunicação, centrado em um sistema predominantemente comercial, é capaz que esta crise também aqui chegue. “Há uma tendência de segmentação e daí você começa a ver o fim desse modelo generalista. Pode-se dizer que a Band, por exemplo, já é quase uma tevê segmentada”, comenta Ramos.
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Contrariando esse modelo e, portanto, admitindo a comunicação diferentemente de um mercado ao sabor das audiências, Ramos coloca que o modelo da televisão aberta generalista, ao contrário, não é o paradigma na Europa, onde prevalece o conceito da Radiodifusão de Serviço Público. “O futuro da TV aberta vai depender da política pensada para TV pública nesse espaço. Um país como o Brasil pode prescindir de uma TV generalista?”, compara Ramos.
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Novas políticas e marco regulatório
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Para pensar uma nova normatização para comunicação, que se faz urgente diante de tantas inovações tecnológicas e, como também pontuou Ramos, não se pode deixar de incluir nas discussões o conceito de Radiodifusão de Serviço Público. “Na nova normatização esse conceito tem que ser tratado com muito carinho. Eu entendo, por exemplo, que o 223 [Artigo 223 da Constituição Federal que trata sobre a complementaridade dos sistemas privado, público e estatal de comunicação] é uma armadilha. Mesmo a TV comercial, ela deve ser de serviço público. Devemos colocar um elemento central nesse debate que é o de Radiodifusão de Serviço Público, que é fundamental não só para as [emissoras] públicas como para as comerciais”, conclui Ramos.
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A necessidade de novas políticas para as comunicações - além do novo marco regulatório, que já está em andamento com a própria criação da EBC - também foi assunto recorrente durante o seminário. O clamor por novas políticas deixou claro também a necessidade de interface entre setores como comunicação e cultura, por exemplo.
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FONTE: www.direitoacomunicacao.org.br
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