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sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

A polêmica sobre a balcanização da Internet

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Carlos Castilho
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O assunto ainda não ganhou as manchetes da imprensa, mas já está na agenda dos estrategistas e estudiosos da comunicação há algum tempo, pois são cada vez mais claros os sinais de uma polarização entre adeptos e críticos da nova ordem mundial que está sendo lentamente implantada pelas consequências socioeconômicas e politicas da internet. A questão central é a manutenção da internet como uma rede unificada ou o seu fracionamento em múltiplas redes, cada uma com suas regras e tecnologias próprias. Não é uma questão simples, porque a linha divisória entre as duas partes não segue a clivagem tradicional entre conservadores e inovadores.
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Um estudo patrocinado pela ONU e realizado pela organização Freedom House mostrou como aumentou o controle, ou melhor, as tentativas de controle do acesso à internet na maioria dos 37 países pesquisados, entre eles o Brasil. O trabalho foca na questão das limitações ao livre acesso identificando governos repressores, cuja lista inclui tradicionais desafetos das grandes organizações jornalisticas do planeta. Mas o problema é mais amplo, porque se por um lado temos governos como os da China, de várias nações árabes, bem como da Rússia e ex-satélites soviéticos tentando controlar a internet para evitar rebeliões populares, temos, por outro, países considerados modelos de democracia, como os Estados Unidos, discutindo novas regras destinadas a criar diferentes padrões de velocidade de acesso com base no poder econômico do usuário.
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A balcanização da internet, fenômeno denominado de splinternet, pode não estar no horizonte imediato do documento da ONU, mas é uma idéia cada vez mais cogitada por tomadores de decisões em nível global em razão da crescente dificuldade dos governantes em controlar as consequências do uso da web pelos seus quase dois bilhões de usuários, especialmente aqueles afetados por instabilidade politica crônica. A fragmentação da internet poderá - teoricamente falando - facilitar o controle dos usuários, mas trata-se de uma medida que no médio e longo prazos terá consequências fatais para a economia digital e para todo o processo de produção de conhecimento em escala planetária.
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A segregação econômica, via criação de diferentes velocidades de acesso em banda larga, também vai na mesma direção. Este nacionalismo cibernético bate de frente com a tendência à globalização, que foi um dos fatores impulsionadores da criação da internet. Há, portanto, uma contradição flagrante que desafia os pensadores digitais porque anula boa parte das alternativas conhecidas. O principal dilema é a diversidade de interesses envolvidos nas tentativas de controle do acesso à rede mundial de computadores.
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Há motivos religiosos -- como os da igreja da Cientologia -- que defendem uma inviável privacidade total no uso da rede, ou a alegação de políticos australianos que propõem barreiras digitais à propagação de cultos evangélicos. Há questões morais como as alegadas pela maioria dos países árabes e pelos mórmons norte-americanos, contra a existência de sites pornográficos na internet. E a guerra de gato e rato de alguns governos contra blogueiros independentes e contra redes sociais como Facebook e Twitter, bem como o mecanismo de buscas Google. Caso todas essas iniciativas prosperem, teriamos, em teoria, um conglomerado de mini-repúblicas digitais administrando capitanias virtuais aglutinadas em função de interesses na internet e sem definição territorial clara.
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Segundo a pesquisa, o Brasil é um país onde a internet é livre, com o vigésimo nono lugar no ranking elaborado pela Freedom House, ganhando uma posição em relação à lista preparada pela mesma organização, em 2009. Estamos no bloco intermediário em matéria de inclusão digital, com um índice de 39% da população com acesso à internet, no mesmo grupo em que se encontram Turquia, Venezuela, Rússia, Arábia Saudita e China.
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A polêmica sobre a liberdade de acesso à internet está fortemente ideologizada porque a lista organizada pela Freedom House coincide com a dos países acusados de limitar a a ação das empresas jornalísticas e de violar os direitos humanos. Isto mostra como a questão da internet já foi incorporada à agenda da diplomacia mundial, num contexto bem diferente do existente na época da Guerra Fria. Tudo leva a crer que o divisor de águas não será entre governos, mas entre estes e os novos personagens surgidos na arena da comunicação depois do início da revolução digital. Estes protagonistas são os cidadãos comuns. Aí podem surgir situações curiosas como governos considerados democráticos batalhando junto com outros tidos como autoritários para manter o controle da internet e impedir que os milhões de blogueiros, twiteiros, usuários de redes sociais e do correio eletrônico ignorem o verticalismo e a hierarquização rígida dos sistemas políticos tradicionais.
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FONTE: www.observatoriodaimprensa.com.br
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quarta-feira, 20 de abril de 2011

De Gutenberg ao Facebook

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Flávio de Carvalho Serpa
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Que papel tiveram realmente as redes sociais e telefones celulares nas rebeliões do Oriente Médio? Muita gente deslumbrada com as novas tecnologias e serviços em rede vislumbrou, logo depois do início dos conflitos, uma nova era para a humanidade, como se o Facebook, a principal rede social mundial, com mais de meio bilhão de associados, tivesse poderes nunca antes experimentados pela humanidade para promover mudanças.
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É fato que os meios de difusão das ideias e de chamados à ação cumprem uma parte importante na evolução cultural e política da humanidade. A tecnologia da imprensa, de Gutenberg, foi efetivamente um agente novo de propagação de mudanças sociais profundas. A constatação de que as mídias são desencadeadoras de mudanças apenas quando existem condições sociais favoráveis é antiga. Mas como o contágio se propaga e qual o papel das mídias são questões que apenas na modernidade começaram a ser rastreadas.
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Revolução madura
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Quando Lênin criou o jornal Iskra (centelha), ele tinha bem claro que a ignição precisaria de uma pradaria adequada para se propagar. "Da centelha surgirá a chama" era o lema do Iskra, que cumpriu papel importante na formação do partido comunista. Para provar que a mídia não era a toda-poderosa na história, o título Iskra foi surrupiado pelos mencheviques, e foi para o brejo. O novo jornal bolchevique, o Proletári, não tinha o mesmo charme do Iskra, mas era amparado pelo decidido partido leninista.
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As rebeliões no Oriente Médio, nesse sentido, são um momento histórico privilegiado, pois dão à ciência a chance de acompanhar em tempo real o que está acontecendo e como as mudanças se desdobram. O resultado histórico vai depender muito das condições objetivas existentes em cada local. O grito do Facebook, do Twitter e das redes de jovens armados de telefones celulares teve resultados muito diversos nos países da região de falantes da língua árabe. Na Tunísia e no Egito os regimes despóticos, corruptos, burocráticos e ineficientes nem perceberam o que estava acontecendo, e quando se deram conta já era tarde demais para agir. Naqueles países, as elites nem se preocuparam em controlar as massas, a não ser pelo uso indiscriminado da força policial, o que só agravou bastante os conflitos nas ruas.
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Já no Irã e na Arábia Saudita, depois dos primeiros sustos os regimes locais passaram a combater as revoltas com as próprias armas dos desafiantes. No Irã não há mais espaço para as mídias sociais: a polícia monitora todos os suspeitos e chega em maior número nos locais de manifestação. O mesmo ocorre na Arábia Saudita e na China, onde os conteúdos perigosos ou são bloqueados, ou simplesmente derrubados com ataques de hackers chapa-branca. Isso explica um aparente paradoxo: por que a infecção não é maior em países com mais alta densidade de redes sociais? Ironicamente, nos Estados Unidos o impacto dessas redes nas mudanças sociais é limitado, quando não retrógrado. Elas ajudaram muito na mobilização para a eleição de Barack Obama, mas não conseguiram engrenar uma onda nem mesmo reformista.
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É provável que a experiência bem-sucedida do Egito não vá replicar em lugar nenhum. Mas vale esmiuçar seus detalhes para tirar lições gerais de como a revolta pode se espalhar como uma coqueluche. O egípcio Ahmer Maher pode ser considerado um dos principais estrategistas da derrota de Hosni Mubarak. Em 2008, ele abriu uma página no Facebook de apoio à greve na cidade industrial de Mahalla, usando a rede social como arma de mobilização. Ele contou ao jornalista Marcelo Ninio, enviado especial da Folha de S.Paulo, como as coisas aconteceram. Antes de adotar as tecnologias modernas, ou seja, enquanto fazia uso das formas tradicionais de organização e militância, Maher apanhou e amargou cadeia e tortura.
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"Em vez de ficarmos nas ruas, correndo o risco de sermos presos de novo, decidimos que todos criaríamos blogs para contar o que estava acontecendo no país e mobilizar mais jovens. A guerra virou digital. Em 2008, eu e uma amiga criamos uma página no Facebook para apoiar a greve dos trabalhadores da cidade industrial de Mahalla. Em apenas cinco dias a página tinha mais de 80 mil membros", disse ele à Folha. E conclui. "A internet foi apenas uma ferramenta. O que causou a revolução foi a vontade de mudar e a disposição em fazer sacrifícios."
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Portanto, desistam de fazer a revolução no conforto de uma lan house. Depois das convocações via Facebook, o próprio Maher se surpreendeu. "Pensávamos que viriam uns poucos milhares, mas apareceram 100 mil só no Cairo. A revolução estava madura, só faltava uma gota a mais de querosene para fazer tudo explodir. E essa gota foi a violência da polícia contra os manifestantes".
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FONTE: www.observatoriodaimprensa.com.br
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segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

O jornalista na era do conteúdo relevante

Silvia Ferreira
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Redes sociais, internet, propaganda interativa… Os recursos que garantem o sucesso das mídias digitais estão em pauta em todos os veículos de comunicação. Até aqui, o mercado navegou por múltiplas tecnologias, formatos e filosofias de trabalho, como a supremacia do design sobre o conteúdo, por exemplo. Por muito tempo, a máxima “uma imagem vale mais do que mil palavras” roubou a cena entre os profissionais de marketing.
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Nesse cenário, a figura do jornalista foi considerada a mais arcaica da comunicação social: “parou no tempo”, insistiu nas matérias mais completas, nas grandes reportagens. Em outras palavras, tentou continuar cumprindo o papel que lhe cabia: informar com foco no interesse público. Tentar dizer a leitores, telespectadores e ouvintes o que eles realmente queriam e precisavam saber.
.Claro, podemos dizer que Comunicação também é negócio e nem todos os profissionais são assim. Mas quem é jornalista conhece a luta diária para que essa missão seja cumprida diante dos prazos apertados e da pouca disponibilidade de recursos. São limitações que muitas vezes prejudicam não só a qualidade do produto final, mas também desestabilizam o ideal de vida que nos levou à escolha da profissão. Fizemos essa opção mesmo sabendo das condições adversas. E continuamos tentando cumprir o nosso papel, todos os dias.
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Para quem não desiste, como eu, aí vai uma boa notícia: Não somos mais “os incompreendidos”. Nosso foco de trabalho ganhou outro nome e ocupou o centro das atenções. Hoje, a “informação de interesse público” é chamada de “conteúdo relevante”. Para o novo marketing, isso significa trabalhar sobre quatro pilares que garantem o retorno de audiência: engajamento, entretenimento, conhecimento e prestação de serviço. Alguma novidade?
. Esses quatro pilares sempre estiveram na nossa listinha de critérios de noticiabilidade, aquela análise subjetiva do que vale a pena entrar no jornal ou não. Alguns aprenderam esses critérios na faculdade, outros simplesmente os tinham arraigados na natureza de ser jornalista. Como o Google não indexa pixels ou bytes, mas sim palavras, nosso espaço está garantido no futuro da web.
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A má notícia é que muitas agências digitais nasceram levantando a bandeira da modernidade, mas ainda são resistentes a esse cenário. A máxima agora mudou: beleza atrai, conteúdo convence. O consumidor da era digital é diferente e o chamado e-branding não pode ser focado na auto-promoção. De nada adianta marcar presença em blogs, sites, redes sociais e dispositivos móveis transmitindo uma avalanche de informações institucionais e incoerentes. Se elas não estiverem de acordo com aqueles quatro pilares – relembrando: engajamento, entretenimento, conhecimento e prestação de serviço – a estratégia de divulgação pode até ganhar fôlego, mas não se sustentará por muito tempo. Quem continuar “desprofissionalizando” seu conteúdo vai ficar pra trás.
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FONTE: http://blogzaz.wordpress.com
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Comunicação compartilhada no FSM 2011

Terezinha Vicente
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Nunca a informação e a comunicação estiveram tão disputadas no mundo. A discussão das novas tecnologias e seu papel estratégico ocuparam lugar de destaque neste Fórum Social Mundial (FSM), em Dacar. O poder político das novas ferramentas, as redes de comunicação que se transformam em grandes negócios, como lidar com tudo isso para a democratização da comunicação e a transformação da realidade estiveram em debate, com a presença do sociólogo português Boaventura de Sousa Santos. Para os participantes, é necessário que os movimentos e organizações entendam a Comunicação como estratégica e prioritária, elemento a ser incorporado em todas as lutas.
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“Penso que o grande problema que temos é o de saber quem vai se beneficiar com o Wikileaks, pois o imperialismo aprende sempre mais depressa do que as forças anti -capitalistas”, diz o professor. Ele cita como exemplo paradigmático a revolução cubana; enquanto as esquerdas na América Latina debatiam a revolução, o imperialismo tratou de criar logo uma “aliança para o progresso” a fim de combatê-la. “O Wikileaks é uma metáfora da comunicação insurgente, porque viola segredos do Estado e das corporações, porque os segredos são fundamentais para eles. Penso que temos que ter acesso às informações do Wikileaks antes de ser tratada pelos grandes meios, pois há informações importantes para os movimentos sociais que não estão a ser transmitidas”.
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Para Jamie Mccielland, da “May first people link”, organização associativa focada na discussão da internet, em Nova York, o reconhecimento do trabalho do Wikileaks, os ataques que receberam depois da divulgação das informações secretas e a resistência e mobilização que gerou no mundo, “mostra que esta discussão é mais complicada e que não estamos protegidos contra esse tipo de ataques, mas mostrou também a fraqueza do sistema capitalista, que usa as mesmas ferramentas, e que o ativismo na internet hoje é bastante representativo”.

Como diz o professor Boaventura, em 2003 foi fundamental a informação rápida na justificativa dos EUA para a invasão do Iraque, mas a luta não foi eficaz. Agora, vimos semanas atrás como a informação pode ser rápida e eficaz, no caso da Tunísia e do Egito. “Não queremos Cairos globais, mas muitos Cairos ao mesmo temo, penso que o desafio é sincronizar nossos movimentos, fazendo pressão de maneira convergente”. Para o intelectual, ligado desde o início ao FSM, este é nosso grande desafio. “Somos capazes de sincronizar ações a nível nacional, ainda não somos capazes de sincronizar ações a nível internacional, para desestabilizar os governos contra outro mundo possível”.
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Sincronizar ações é necessário
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“Como obter informações não divulgadas pelo Wikileaks?”, pergunta Boaventura. “Para isso o Fórum Social Mundial deveria mudar. Faço o desafio ao Conselho Internacional, no sentido de dar mais capacidade à comissão da comunicação, pois há muitas informações úteis aos movimentos e quando tivermos essas informações será possível tratá-las. Assim, deveríamos formar uma comissão de investigação. Esse é o meu grande desafio, para que pudéssemos nos beneficiar de todas as informações disponibilizadas pelo Wikileaks."
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Como as informações foram divulgadas, o papel dos jornalistas, a mediação da grande mídia, são aspectos questionados por Hilde Stephansen, ativista de comunicação, da Goldsmiths, universidade de Londres. “Precisamos refletir como a grande mídia foi responsável pela mediação, como a mídia alternativa pode trabalhar com o wikileaks de forma similar, pois a comunicação envolve essa coisa dialógica, que vem e vai , precisamos falar do processo, não basta falarmos de tecnologia”. Este aspecto, assim como a questão da falta de privacidade que temos ao utilizar estas ferramentas, foi bastante questionado pelos presentes.
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Ferramenta política, poderosa em si mesma, “a Internet e o uso das tecnologias está no contexto das disputas mundiais pelo tipo de mundo que temos e o mundo que queremos ter”, diz Rita Freire, coordenadora da Ciranda, que faz a cobertura desde o primeiro encontro em Porto Alegre. O conceito de comunicação compartilhada “foi cunhado pelo FSM, quando se introduziu o acordo entre comunicadores e mídias alternativas de como utilizar as tecnologias de modo coletivo e colaborativo, uma proposta que tem acompanhado os 10 anos do FSM, incorporando novas iniciativas de comunicação”.
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FONTE: http://www.revistaforum.com.br
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sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

Limites à propriedade da mídia
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Bia Barbosa
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O mesmo princípio que determina a separação entre empresas produtoras de conteúdo e empresas operadoras de rede, que fazem a gestão da infraestrutura, é o que está por trás de regulações de impõem limites à propriedade dos meios de comunicação em diversos países. Trata-se da garantia da pluralidade e da promoção à competição e à inovação. "Regular o setor como um todo é importante para evitar a concentração da propriedade e evitar a dominância de mercado", disse Wijayananda Jayaweera, Diretor da Divisão de Desenvolvimento da Comunicação da Unesco. "As democracias colocam regras contra a concentração da propriedade porque o Estado não pode simplesmente deixar o mercado agir. No Brasil, por exemplo, seria importante regular o controle dos meios, introduzindo limites para a propriedade cruzada", avaliou Toby Mendel, consultor da Unesco.
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O mecanismo já é empregado há muito tempo em países como Inglaterra, Estados Unidos, Portugal e França, onde um mesmo grupo econômico, por exemplo, se detém 3 concessões de TV aberta, não pode ter concessões de rádio que alcancem mais de um milhão de ouvintes, tampouco publicar um jornal. "Nenhum grupo pode ter a maioria do mercado de TV, de rádio e da imprensa escrita, porque isso certamente geraria um problema de pluralismo", explicou Gabla. "Num cenário de convergência, a atuação de um órgão regulador é necessária justamente por isso. Em 2009, a TF1 [principal canal de TV aberta] comprou dois canais de TV digital, reduzindo a diversidade. Por isso temos a prerrogativa de regular economicamente o mercado, para fazer com que o pluralismo esteja sempre presente", alertou.
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Foi este o principal objetivo da Lei de Serviços de Comunicação Audiovisual, aprovada recentemente na Argentina, e que recebeu tantas críticas dos grandes meios de comunicação do país. Antes da nova lei, vigorava no país uma legislação do período da ditadura militar, que propiciou um cenário de alta concentração da propriedade da mídia. "Chegamos a um nível em que o problema não era apenas econômico; criou-se um oligopólio totalmente incompatível com uma sociedade democrática", relatou Gustavo Bulla, diretor nacional da Autoridade Federal de Serviços de Comunicação Audiovisual, órgão regulador argentino. "Apesar do custo político, a presidenta Cristina Kirchner decidiu revogar a lei da ditadura porque concluiu que seria impossível modificar a ordem social injusta que existe no país com o sistema de comunicações concentrado como ele é hoje", disse.
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A aposta de redigir um pré-projeto de lei foi feita em 2008. O documento elaborado pelo governo teve como esqueleto um manifesto com 21 pontos elaborado pela Coalização por uma Comunicação Democrática", que reúne mais de 300 organizações sociais e acadêmicas de toda a Argentina. O pré-projeto foi colocado em discussão em 24 fóruns populares e contou com a contribuição direta de mais de 10 mil pessoas. Recebeu 1300 sugestões, foi aprimorado e então enviado ao congresso em agosto de 2009. Depois de muito embate, inclusive na Justiça, a lei finalmente entrou em vigor.
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Entre as regras previstas para propriedade estão o limite de 10 outorgas de rádio ou TV aberta (antes eram 24). Na TV a cabo, nenhuma empresa pode deter o controle de mais de 35% dos assinantes. O cabo, na Argentina, tem uma penetração de 65% dos lares. Criou-se também uma reserva de um terço do espectro da TV aberta para as emissoras privadas sem fins lucrativos (comunitárias, universitárias, etc).
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O órgão responsável por regular o mercado hoje é a Autoridade Federal de Serviços de Comunicação Audiovisual, uma autarquia independente do Poder Executivo. Seu corpo diretor conta com 7 pessoas: 3 indicadas pelo Parlamento, 2 pelo Executivo e 2 por um conselho de 38 membros representantes da sociedade civil. "Tacharam o governo de autoritário, mas historicamente na Argentina todas as decisões sobre os meios de comunicação sempre foram tomadas apenas pelo Poder Executivo. Agora é que existem colorações partidárias e representações sociais diferentes", lembra Gustavo Bulla. "Os movimentos sociais tomaram a questão da comunicação como uma de suas bandeiras centrais porque perceberam que, pela primeira vez, se está discutindo poder na Argentina".
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A desconcentração dos mercados também é tida por países democráticos como um mecanismo estratégico para o estímulo à competição e à inovação tecnológica. Na União Européia, após a diretiva aprovada para o bloco que regulou o cenário de convergência, o preço dos serviços de telecomunicações caiu 14% e o número de canais se multiplicou exponencialmente. "A agenda digital para a Europa tem como meta criar um círculo virtuoso para a economia digital, aumentando a demanda por serviços, multiplicando a produção de conteúdo, garantindo segurança, inovação, inclusão digital e acesso rápido", afirmou Harald E. Trettenbrein, Chefe Adjunto da Unidade de Políticas de Audiovisual e de Mídias para a Sociedade de Informação e Mídia da Comissão Europeia.
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FONTE: http://www.direitoacomunicacao.org.br
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quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Regulação garante pluralidade e competição
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Bia Barbosa
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Um processo que está em curso e que ninguém vai deter. Assim o ministro Franklin Martins, da Secretaria de Comunicação da Presidência da República, definiu a convergência tecnológica de mídias no país, durante um seminário internacional realizado recentemente em Brasília. “O futuro é a convergência. Em pouco tempo, para o cidadão será indiferente se o sinal vem da radiodifusão ou das empresas de telecomunicações. E regular o setor neste cenário é um desafio necessário. Sem isso não há segurança jurídica, nem como a sociedade produzir um ambiente onde o interesse público prevaleça sobre os demais”, afirmou.
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Em busca de respostas e alternativas para enfrentar tamanho desafio, o governo brasileiro convidou uma série de especialistas e representantes de órgãos reguladores de outros países para apresentar ao público brasileiro como cada uma dessas nações tem lidado com essas questões. A idéia não é copiar modelos, mas, considerando a realidade brasileira, beber da experiência internacional.
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“Com tantos novos atores provendo conteúdo para o mercado, a regulação da infra-estrutura é algo importante para a convergência”, afirmou Dimitri Ypsilanti, Chefe da Divisão de Informação, Comunicação e Política do Consumidor da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico), que conta com 33 países membros. “Nossas pesquisas mostram que as pessoas estão migrando da televisão para a busca de conteúdo na internet. Da perspectiva de uma organização econômica, as novas tecnologias de informação e comunicação tem um impacto significativo na geração de empregos e oportunidades”, acrescentou.
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Na França, por exemplo, o rápido desenvolvimento da economia digital foi facilitado pela vontade dos organismos de regulação e pela existência de um marco regulatório atualizado. "A harmonização da política da União Européia para o setor é muito avançada, o que facilita o desenvolvimento interno de cada país", explicou Emmanuel Gabla, diretor adjunto do Conselho Superior de Audiovisual francês.
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O marco legal europeu separa a regulação por camadas: conteúdo, serviços de comunicação eletrônica (telefonia, dados e vídeo) e infraestrutura (redes fixas, móveis, cabo, etc). "A partir disso, aprovamos uma lei francesa específica sobre economia digital, para garantir a segurança jurídica necessária para o desenvolvimento econômico na internet. A legislação hoje determina o que é regulado ou não neste universo; e nos permitiu fazer a ponte entre os diferentes setores", acrescentou Gabla.
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O mesmo aconteceu na Espanha, que no ano passado aprovou medidas urgentes em matéria de telecomunicações para garantir a universalização da TV digital. Atualmente, as operadoras não operam um único serviço, mas recebem uma banda do Estado e podem, através dela, oferecer canais digitais de TV, transmissão de dados e comércio eletrônico. No entanto, quem produz conteúdo não pode deter o controle também da estrutura de transmissão. No caso espanhol, o programador de um canal de TV contrata o serviço de um operador de rede para distribuir seu conteúdo. A mesma idéia de separação funcional e estrutural é adotada por diversos países membros da OCDE.
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FONTE: www.direitoacomunicacao.org.br
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sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Quem são os donos da notícia na era digital?
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Alessandra Jarussi
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A comunicação na atualidade e a convergência de mídias foram tema da 4ª edição do Media On, evento internacional promovido pelo portal Terra em parceria com o Itaú Cultural, realizado semana passada em São Paulo. Durante três dias, profissionais das principais mídias eletrônicas e impressas do Brasil e de outros países discutiram os rumos do jornalismo. Mas as estrelas do evento foram mesmo YouTube, Twitter, Orkut e Facebook.
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Segundo Matthew Eltringham, da BBC, as redes sociais vão nos levar para um jornalismo mais honesto. Responsável pelo programa de treinamento de jornalistas em mídias sociais na emissora britânica, ele afirmou que o desafio da BBC e de todos os outros veículos de comunicação é justamente trazer os jornalistas para essa realidade das mídias sociais. O presidente da AgênciaClick, Abel Reis, considera a profissão de jornalista como uma das mais promissoras da atualidade, mas, para ele, os cursos da área ainda não absorveram o impacto do digital no mercado da comunicação.
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A jornalista Silvia Bassi, do IDG Brasil, definiu bem: todos os jornalistas devem começar a carreira com humildade porque não são mais os donos da notícia. Enquanto assistíamos ao debate, tweets eram projetados no telão do auditório em tempo real, e, além da platéia poder participar, internautas de outros Estados e países podiam enviar perguntas pela Internet.
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No painel sobre o que os anunciantes valorizam - conteúdo x audiência, o presidente da DM9, Sérgio Valente, foi categórico: anunciante não é mecenas, ele quer resultado. E explicou a importância de percebermos como a audiência se comporta de um jeito diferente em cada mídia. Por exemplo, no cinema, nós mergulhamos no entretenimento; em casa, com o controle remoto na mão, seja assistindo à TV ou a um DVD, é o entretenimento que mergulha em nós. O último painel do evento foi o mais concorrido e lotou o auditório do Itaú Cultural.
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Mediado pelo apresentador Marcelo Tas, do CQC, o fenômeno da Internet, Mystery Guitar Man, participou direto dos Estados Unidos pelo telão. Ele mostrou um outro lado da comunicação, em que vida pessoal e empresarial se confundem. O brasileiro, que mora nos EUA desde a adolescência, conta que demora de 12 a 20 horas para fazer um vídeo e posta seus trabalhos duas vezes por semana no YouTube. Para ele, isso não é uma obrigação, mas, sim, um hobby. E a relação do Mystery Guitar Man com os anunciantes é totalmente diferente do que o comum no mundo da publicidade. Ele tem total liberdade para fazer um vídeo sobre o produto sem interferência externa, sem nenhum briefing.
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Os outros debatedores desse painel, Paulo César Siqueira, do blog Mas Poxa Vida, e o jornalista e publicitário Pablo Peixoto demonstram que o internauta busca algo do amador. Sucesso na Internet e até reconhecido nas ruas, PC Siqueira diz que nunca escreve nada: apenas coloca a câmera e vai falando. Já Pablo Peixoto, que ficou conhecido pelo vídeo “Dunga em um dia de fúria”, conta que sempre faz um roteiro e, questionado sobre câmeras e programas de edição que utiliza, ele sentencia: para quem quer obter sucesso com seus vídeos na Internet, o importante não é a técnica, mas, sim, o texto. A conclusão desses três dias de debates é que todas as empresas, todos os canais de comunicação, já estão nas mídias sociais, quer queiram ou não, direta ou indiretamente. O importante é se conscientizar e aprender a lidar com isso a seu favor.
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FONTE: http://jovempan.uol.com.br
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domingo, 19 de setembro de 2010

A importância da revisão na comunicação online
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Newton Alexandria
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Antes de tudo, quero destacar que, apesar de este texto vir com o título acima, também se direciona, de alguma forma, a outros formatos de escrita e publicação. Com indivíduos e organizações produzindo e replicando conteúdos e informações, aumentando sensivelmente a cada dia a comunicação on-line, é perceptível, na mesma medida, a necessidade de uma redação clara, correta e organizada também por este meio – a Internet. E para que isso aconteça, é preciso que quem escreve se preocupe com o leitor, se preocupe em se fazer entender.
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O que para o autor parece claro, para o leitor pode não parecer; por isso, devem-se respeitar as regras gramaticais, de concordância, de organização das ideias, dentre muitas outras. Parece óbvio, mas, seja por ansiedade de publicar, por puro desleixo ou mesmo pelo fato de o autor ter tido uma educação escolar defasada e não contar com ajuda de um profissional preparado, é que vemos web afora um sem número de sites, blogs, peças de marketing e propaganda, etc.
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Com erros de redação em geral, que vão de aceitáveis a crassos. Erros que afetam, em primeiro lugar, a compreensão pelo leitor, que, pelo formato digital, se torna mais fugaz, urgente e quer a informação de bandeja, compreensível, inteligível. Praticamente dez entre dez pessoas apresentam erros de português. E essa constatação não é de quem está acima de qualquer erro e é perfeito; é uma constatação de quem processa textos variados e trabalha com a complexidade da nossa língua diariamente.
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Todos erramos; faz parte da natureza humana. Mas a maioria dos erros, principalmente na Internet, ocorre porque as pessoas estão mais preocupadas em passar ou repassar a informação e menos preocupadas com a qualidade dela, sem se deter, mesmo sem a ajuda de um revisor profissional, na leitura e releitura atenta do texto. Devemos ficar alertas que o leitor é transitório e veloz e terá estas características potencializadas diante de erros e de uma comunicação com falhas, rejeitando-a, se não de repente, gradativamente. Na Internet, a leitura é breve e ligeira, mas a escrita deve ser apurada, criteriosa.
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Quando partimos para uma abordagem de sites e blogs institucionais, corporativos e profissionais, devemos estar mais atentos ainda, pois a credibilidade dos profissionais, dos produtos, das marcas e das organizações, ainda que não ao pé da letra, são afetados pelo conteúdo de má qualidade, que, mesmo não sendo algo tangível, também é consumível e reflete a imagem de quem o oferece. Uma questão que por não ter, muitas vezes, a atenção necessária, nem se chega à conclusão de que tenha causado o afastamento do leitor ou do consumidor. Digo por experiência própria, pois, não raro, visito sites e blogs com layouts impecáveis, mas que pecam no quesito preocupação com os textos e com o leitor/consumidor, e, até inconscientemente, e sem avisar, acabo não voltando àquela página.
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Tenho visto casos de erros em marketing e publicidade nos quais a atuação de um revisor poderia evitar o constrangimento, os prejuízos financeiros e de imagem. Apenas um exemplo: um e-mail marketing de um grande varejista com o preço de promoção maior que o preço normal. Obviamente, algo não acadêmico para melhorar a escrita é ler, ler e ler. Bula de remédio? Não. Saúde!!!
Concurso para adolescentes comunicadores
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A iniciativa, com inscrições abertas até 24 de setembro, tem o objetivo de conscientizar e mobilizar adolescentes comunicadores no combate ao trabalho infantil e sobre as consequências causadas a meninos e meninas cujos direitos ainda não são garantidos com prioridade absoluta.
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O Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) promove o evento em parceria com a Rede Social Sonico. O patrocínio é da Fundação Telefônica e da Organização Internacional do Trabalho (OIT). O concurso, além de mobilizar contra o trabalho infantil, também busca fortalecer a Rede Regional de Adolescentes Comunicadores (LACVOX) e comemorar o Ano Internacional da Juventude das Nações Unidas, que resgata o valor da participação de jovens na criação de políticas, programas e projetos de interesse dessa faixa etária da população.
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Gratuito e aberto a todos os meninos e meninas, de 9 a 18 anos, da América Latina e do Caribe, o concurso permite aos participantes produzir suas peças como indivíduos, grupos ou escolas, seja em espanhol, inglês ou português. As categorias selecionadas variam de 9 a 14 anos e de 15 a 18 anos, sendo escolhidas a melhor reportagem de rádio, melhor reportagem de imprensa escrita, melhor reportagem de TV, melhor reportagem fotográfica e melhor pôster/cartaz.
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A avaliação será feita tendo como critérios o método de pesquisa, o tratamento da informação, a originalidade e a criatividade com que o tema do trabalho infantil será tratado em relação aos direitos das crianças. Os trabalhos inscritos devem, imprescindivelmente, se referir ao tema do trabalho infantil e como esta problemática se relaciona com os direitos da criança e do adolescente, tal como à educação, ao desenvolvimento saudável e à participação, defendidos na Convenção sobre os Direitos da Criança.
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Os ganhadores terão a oportunidade de viajar para Bogotá e Colômbia, nos dias 3 e 4 de novembro para apresentar suas propostas no III Encontro Internacional contra o Trabalho Infantil, promovido pela Fundação Telefônica, com o apoio da OIT. Além disso, mediante sua participação no III Encontro, poderão debater sobre o trabalho infantil com especialistas e fazer suas contribuições para encontrar soluções conjuntas. Os ganhadores também serão capacitados para a produção de materiais audiovisuais e farão a cobertura do III Encontro como parte dessa experiência integral de aprendizagem.
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Os interessados devem preencher o formulário que está no site do Concurso LACVOX 2010. Já os participantes brasileiros devem enviar seus trabalhos para o Escritório da Representante do Unicef no Brasil, em Brasília, no endereço: SEPN 510, Bloco A – 2º andar, Brasília, DF, 70750-521.

terça-feira, 27 de julho de 2010

XXXI Enecom inicia suas atividades
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Visando fomentar o debate sobre a comunicação popular, o XXXI Encontro Nacional de Estudantes de Comunicação esta ocorrendo este ano em João Pessoa-PB. Até o dia 1 de agosto mais de 500 estudantes de todo o Brasil estarão na UFPB convivendo, discutindo, trocando experiências, se divertindo, se formando, a fim de construir uma comunicação contra-hegemônica.
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Mas que é o Enecom? O Enecom é uma confluência de pessoas, idéias, projetos – de vida e de sociedade. Um espaço coletivo onde é possível conhecer coisas e dar-se a conhecer. Um espaço essencial para entendermos porque lutar pela democratização da comunicação, pela qualificação do ensino de comunicação, pelo fim das opressões (racial, sexual, de classe). É convivendo que conseguimos conhecer a nós mesmos. E perceber que, afinal de contas, temos diferenças, mas temos que caminhar juntos porque o que temos em comum é muito maior.
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Palavras são importantes num encontro, mas não só. Não se trata meramente de acumular informações, de conhecer sotaques diferentes, fazer contatos. É muito mais do que isso. Mas, então o que é o Enecom? Impossível dizer em palavras o que só pode ser sentido. Objetivamente são painéis, apresentações de trabalhos (acadêmicos e empíricos), vivências junto a movimentos sociais, grupos de discussão e trabalho e convivência ininterrupta. E isso é muita coisa, mas não
diz quase nada comparado ao que é, de fato, o Enecom. A mobilização para o encontro já iniciou há tempos. Os militantes da Enecos vêm realizando pré-encontros em seus respectivos estados a fim de propagandear as bandeiras da executiva e dar uma palhinha do que será este grande encontro.
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O Coletivo Comjunto, que organiza o Enecom 2010, utiliza “Parahyba” no lugar de João Pessoa , o nome da capital, pois é parte de um movimento que se posiciona contrariamente ao atual nome da cidade, e luta pela troca por Parahyba, antigo nome da cidade, com origens indígenas. O coletivo entende que o nome foi modificado em momento de forte comoção popular, logo após a morte do ex-presidente do estado, João Pessoa, em 1930, e foi um artifício político para martirizar e encampar historicamente uma campanha a seu favor. Além disso, entende-se uma extrema personalização e um erro histórico de se expor o ex-presidente como um revolucionário das causas populares.
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Faz parte desse movimento também a negação da bandeira do estado, Paraíba, em suas cores e seus símbolo lingüístico. O “Nego” inscrito na bandeira remonta à negação do então presidente do estado da Paraíba, João Pessoa, ao convite enviado por Washignton Luís, presidente do Brasil à época, para apoiar o candidato à direção do país Júlio Prestes, partidarista de Washington. Assim, era o passo para encaminhar à candidatura à vice-presidência de Getúlio Vargas, em 1930.
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Sobre as cores, o vermelho se apresenta como o sangue “derramado” por João Pessoa quando foi assassinado por João Dantas em Recife, motivado, entre outras versões, por questões pessoais, pois equipes policiais do estado haviam invadido a residência de Dantas e publicizado cartas de amor de Anayde Beiriz, professora e poeta que, à época, passou pelo imenso escândalo de ter namorado um homem, ainda solteira. No entanto, na intenção de martirizar João Pessoa como um revolucionário, diz a história normativa que ele foi morto pela oposição. O preto simboliza o “luto” no qual toda a Paraíba entrou pela morte do então presidente do estado e candidato à vice-presidência da República.
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