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terça-feira, 17 de janeiro de 2012

Estação do Som agita o verão em JP

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Respire o ar da estação mais quente do ano. Ele vem carregado de notas musicais que oxigenam a mente e fazem o corpo dançar. Ele circula nos quatro cantos da cidade, ecoa no centro, percorre a praia e se mistura a brisa e ao barulho do mar. Ele é o puríssimo ar da Estação do Som, o evento que transforma João Pessoa na capital da música.
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Nas edições anteriores o festival levava o nome de estação Nordeste. Neste ano, ele se renovou, ganhou um novo nome, mas manteve a mesma identidade ao trazer, novamente para a nossa capital, artistas de peso nacional que dividem o palco com atrações locais. Uma mistura que impulsiona a cultura, leva milhares de pessoas aos shows gratuitos semanais e rende uma salva de palmas.
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Sexta-feira (20/01) – Ponto de Cem Réis
Wister – 20h
Marcelo Camelo – 22h
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Sábado (21/01) – Busto de Tamandaré
Glaucia Lima – 21h
Lulu Santos – 23h
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Sexta-feira (27/01) – Ponto de Cem Réis
Eleonora Falcone – 20h
Ivan Lins – 22h
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Sábado (28/01) – Busto de Tamandaré
Zé Viola – 21h
Frejat – 23h
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FONTE: http://joaopessoa.pb.gov.br/estacaodosom
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sábado, 23 de julho de 2011

Festa das Neves terá mais de 50 atrações

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A capital paraibana vai receber mais de 50 atrações para comemorar seus 426 anos de fundação. Na ‘Festa das Neves 2011’, nomes como Zélia Duncan, 14 Bis, Vander Lee, Banda Black Rio, Bartô Galeno, Marcio Greyck e Banda Eddie subirão ao palco armado no Ponto de Cem Réis. A programação do evento, que começa sempre a partir das 19h, conta ainda com ‘Brincantes Brasileiros na Paraíba’, um encontro nacional de cultura popular tradicional, reunindo grupos de diversas partes do país, a exemplo do Rio Grande do Norte, Alagoas, Sergipe, Maranhão, Pernambuco, Minas Gerais e Amazonas. A realização é da Prefeitura de João Pessoa, através da Fundação Cultural de João Pessoa (Funjope).
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A programação da Festa das Neves deste ano inclui 16 shows de artistas e grupos locais e nacionais, sendo dois por noite. A abertura, no dia 30 de julho, será animada pelo cantor mineiro Vander Lee, por volta das 23h. Antes, às 21h, quem sobe ao palco é a cantora paraibana Mira Maya. Destaque também para a apresentação de Zé Lezin, no dia 3 de agosto, que vai homenagear o humorista Shaolin, que se recupera de um acidente automobilístico.
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A novidade da programação para a edição 2011 é o ‘Encontro Nacional de Cultura Popular Tradicional’, que reunirá mais 34 grupos e duplas, oriundos de diferentes regiões do Brasil. Todos vão se apresentar em palco instalado no Ponto de Cem Réis, a partir das 19h. Entre os convidados nacionais da cultura popular estão o Maracatu do Camaleão Olinda-PE), Franklin Cascaes (Florianópolis-SC), Coco do Galo Preto (Recife-PE) e Jongo do Pinheiral (RJ). Também haverá apresentações de grupos do interior paraibano como o Babau do Mestre Clóvis (Guarabira-PB), o Congos de Pombal (Pombal-PB), Reisado de Zabelê (Zabelê-PB) e a Ciranda Nova Odete de Pitar (Pilar-PB), só para citar exemplos.
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Isso sem falar de expressões bastante conhecidas na cidade, como a Ciranda de Vó Mera e seus Netinhos (Rangel), Cavalo Marinho Infantil do Mestre João do Boi (Bairro dos Novais) e Ciranda dos Tupinambás (Mandacaru), entre outros grupos e artistas. Será uma média de sete atrações por noite, incluindo shows e manifestações folclóricas.
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FONTE:
http://pmjp.hagg.com.br
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sexta-feira, 8 de julho de 2011

Sobre o conceito de cultura

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Idelber Avelar
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“Cultura” é daquelas palavras escorregadias, aparentemente simples, que com frequência são usadas com sentidos não só diferentes, mas antagônicos. Mais produtivo que estabelecer qual é a definição “correta” de cultura seria observar quais os sentidos adquiridos pela palavra ao longo do tempo e o que eles nos dizem sobre os seus referentes no mundo real. É o que tento fazer na coluna deste mês.
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Palavras-Chave, do marxista britânico Raymond Williams, obra publicada no Brasil pela Boitempo, é um ótimo guia do assunto. “Cultura” vem do verbo latino colere, que combinava vários sentidos: cultivar, habitar, cultuar, cuidar, tratar bem, prosperar. Do sentido de habitar derivou colonus. Têm, portanto, origens comuns as ideias de colonização, culto e cultura. Já em Cícero (106 a.C. - 43 a.C.) aparece o sentido de cultura como “cultivo da alma”, mas é mesmo a partir do Renascimento que se consolida a analogia entre o cultivo natural e um desenvolvimento humano. É nesse sentido que Thomas More, Francis Bacon ou Thomas Hobbes, nos séculos XVI ou XVII, falam de “cultura da mente” ou “cultura do entendimento”. É uma metáfora derivada da analogia com o sentido material, agrícola do termo.
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A naturalização dessa metáfora fez com que se cristalizasse o sentido de cultivo humano, e nos séculos XVIII e XIX o termo “cultura” começa a aparecer como autossuficiente, dissociado do objeto desse cultivo. Até o século XVIII, tratava-se sempre da cultura de alguma coisa, fossem plantações, animais ou mentes. A partir daí “o processo geral de desenvolvimento intelectual, espiritual e estético foi aplicado e, na prática, transferido para as obras e práticas que o representam e sustentam”. Em outras palavras, firma-se ali o sentido de “cultura” como um bem que alguns possuem e outros não. Esse sentido permanece conosco, quando dizemos que alguém é “culto” ou “tem cultura”. É uma acepção excludente da palavra, que com frequência ganha contornos, inclusive, aristocráticos.
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Com a antropologia, no final do século XIX e, especialmente, no século XX, volta-se às raízes materiais do conceito de cultura, mas agora com ênfase na sua universalidade humana. “Cultura” passa a ser entendida como o conjunto de valores, crenças, costumes, artefatos e comportamentos com os quais os seres humanos interpretam, participam e transformam o mundo em que vivem. Nenhuma comunidade humana está excluída dela, embora, também com a antropologia, solidifique-se o processo que faz de “cultura” um substantivo passível de ser usado no plural. As culturas humanas são múltiplas, diferentes, irredutíveis entre si e, acima de tudo, não são hierarquizáveis. Na acepção antropológica do termo, não há sentido em se falar de mais ou menos cultura, ou de culturas superiores ou inferiores a outras. Há uma veia radicalmente relativista na concepção antropológica de cultura, que se realiza em sua plenitude na obra de Franz Boas.
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Nos debates sobre política cultural, é sempre instrutivo observar com qual sentido cada interlocutor usa o vocábulo “cultura”. Do ponto de vista antropológico, não teria sentido dizer, por exemplo, “levar cultura para o povo”, posto que qualquer povo está inserido em sua cultura — ele não seria povo sem ela. Mas é frequente que assim se designe a função dos Ministérios ou das Secretarias da cultura. Tampouco teria sentido, exceto na acepção excludente e aristocratizante apontada acima, falar de “produtores de cultura” como uma classe à parte, diferente daqueles que seriam seus meros consumidores. Mas não é incomum, em discussões sobre política cultural, a desqualificação de interlocutores como sujeitos que supostamente estariam “fora” da cultura ou que não seriam “da área” da cultura. Ora, não há seres humanos vivendo em sociedade que estejam fora da cultura.
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O uso excludente do termo se reproduz quando se igualam os “produtores de cultura” à chamada “classe artística”. Essa é a sinédoque — redução do todo a uma de suas partes — que me parece mais daninha nas discussões sobre política cultural. A cultura é a totalidade das formas em que um povo produz e reproduz suas relações com os sentidos do mundo. Reduzi-la às indústrias cinematográfica, teatral e fonográfica é reeditar a exclusão segundo a qual alguns produzem cultura e outros a consomem. Implicitamente, é ignorar e desprezar o fazer cotidiano de milhões de brasileiros. Não há por que um pequeno conjunto de profissionais das citadas indústrias, concentrados principalmente em duas cidades brasileiras, se apresentarem como os representantes da área de responsabilidade do Ministério da Cultura. Essa redução atende a interesses nada republicanos e é incompatível com uma concepção democrática de cultura.
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Um Estado que tivesse democratizado completamente sua concepção de cultura seria então, no limite, um Estado em que cineastas, atores e compositores não fossem percebidos como sujeitos da cultura mais que pedreiros, domésticas ou camponeses. Seria um Estado em que a conversa jamais incluísse expressões como “pessoas que não são da área da cultura”. Seria um Estado onde a ideia de “levar cultura ao povo” não fizesse sentido. Seria um Estado que soubesse encontrar, valorizar e construir pontes entre os muitos fazeres culturais que já estão acontecendo em seu território. Um Estado onde seria impensável que um agente do poder público se apresentasse como representante dos “criadores de cultura”, a não ser que com essa expressão o agente se referisse à totalidade dos que vivem sob a égide desse Estado. Seria um Estado que genuinamente captasse a cultura como a totalidade dos sentidos do fazer humano.
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Mais que nomes, cargos, tendências, correntes e conchavos, os acalorados debates em torno do Ministério da Cultura que têm tido lugar no Brasil nos últimos meses são uma oportunidade para que se repense essa questão de fundo: qual é a compreensão de cultura que queremos, quais são as visões e conceitos de cultura que fazem justiça à nossa experiência como povo.
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FONTE: http://www.revistaforum.com.br
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quarta-feira, 9 de março de 2011

Simpósio Internacional de Arte Contemporânea

Este mês será realizado em Campina Grande o evento Arte na Contemporaneidade: Pensamento, Criação e Ato de 15 a 19 de março. Como parte da programação, haverá o "I Simpósio Internacional de Arte e Cultura Contemporânea de Campina Grande", que vai reunir educadores, artistas, críticos de arte e gestores para realizar conferências sobre o tema Arte na Contemporaneidade. Além do Simpósio, está prevista a realização de Workshops e de um Festival de Artes.
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O Simpósio será realizado em 15, 16 e 17 de março no Palácio das Artes Suellen Carolini, em Campina Grande/PB. A abertura será no dia 15/03, às 20h com a Aula Magna do paraibano Paulo Sérgio Duarte. O crítico de arte e professor é referência na história da arte da Paraíba. Ele participou da criação do Núcleo de Arte Contemporânea-NAC/UFPB (1978, João Pessoa-PB).
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Entre educadores do Núcleo de Pós-Graduação em Artes Visuais UFPB/UFPE, estão: Lívia Marques, que vai abordar a necessidade do estudo da arte na contemporaneidade; Madalena Zaccara, que deve indicar a evolução das artes na Paraíba; e o artista e professor, José Rufino, que discorre sobre arte contemporânea e memória política - tema que norteia sua própria produção. Fred Svendsen e Dyógenes Chaves também participam do Simpósio Internacional. Enquanto o artista visual Svendsen dá conferência sobre arte conceitual e arte contemporânea, Chaves — que também é crítico de arte e curador — deve propor reflexões sobre o papel da crítica na arte contemporânea.
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Do Porto, em Portugal, estão confirmadas as participações de Gabriela V. Pinheiro — para falar sobre arte contemporânea no espaço das cidades — e Maria de Fátima Lambert, que realiza conferência sobre curadoria contemporânea, o novo museu. Temas como Mercado e Políticas Públicas também têm relevância no Simpósio. O diretor da revista FMQ? (Fome de Que?), Franz Lima, comenta sobre o mercado cultural do Estado e Chico César, atual secretário de Cultura, aborda a política artístico-cultural na Paraíba.
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No Simpósio haverá ainda apresentação dos trabalhos “Coleção de Coleções: antropologia do objeto museal no Instituto Ricardo Brennand” e “Graffiti e Instituições Museais no Recife: Percursos e Sentidos”, ambos de Nicole Cosh. Inscrições para o Simpósio via e-mail: projeto.pensamento.criacao.ato@gmail.com Confira também a programação completa.
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FONTE: http://pt-br.paperblog.com
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quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Funjope divulga programação do Estação Nordeste
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A programação completa do ‘Estação Nordeste’ de 2011 foi divulgada recentemente pela Fundação Cultural de João Pessoa (Funjope). Serão 17 atrações, incluindo artistas e grupos nacionais e internacionais. Nomes como o músico francês Manu Chao e a cantora Uxia, da Galícia, estão entre os convidados estrangeiros.
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Maria Bethânia, grupo Mawaca, Margareth Menezes, André Abujamra, Zeca Baleiro, Ana Carolina e Gabriel, o pensador, também vão animar as noites de sexta-feira e sábado, durante todo mês de janeiro. Os shows são gratuitos e acontecem a partir das 21h tanto no Ponto de Cem Réis como no Busto de Tamandaré.
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No primeiro dia do ‘Estação Nordeste’, quem sobe ao palco é a cantora e compositora baiana Margareth Menezes, além da paraibana Regina Brown. Os dois shows serão na sexta-feira (07/01), no Busto de Tamandaré. Nas demais sextas-feiras, a apresentações vão acontecer sempre no Ponto de Cem Réis. Já aos sábados, a programação será no Busto de Tamandaré.

Uma das atrações mais esperadas, a cantora Maria Bethânia, fará uma apresentação histórica nas areias da praia de Tambaú, em 22 de janeiro. Ela será antecedida pelo grupo paraibano Clã Brasil. Os pessoenses e os turistas que estiverem na capital paraibana no período do ‘Estação Nordeste’ terão ao todo quatro finais de semana de shows gratuitos e de qualidade. Para encerrar a programação, no sábado, 29/01, a Funjope convidou o músico francês Manu Chao. Antes, quem sobe ao palco é a banda campinense de surf music Sex on the Beach. Confira logo abaixo a programação completa do ‘Estação Nordeste’:
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07/01 (sexta-feira)
Local: Busto de Tamandaré
- Margareth Menezes
- Regina Brown
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08/01 (sábado)
Local: Busto de Tamandaré
- Gabriel, o pensador
- Sacal
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14/01 (sexta-feira)
Local: Ponto de Cem Réis
- Seu Pereira e Coletivo 401
- André Abujamra
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15/01 (sábado)
Local: Busto de Tamandaré
- Ana Carolina
- Gitana
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21/01 (sexta-feira)
Local: Ponto de Cem Réis
- Fernanda Cabral
- Mawaca
- Uxia
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22/01 (sábado)
Local: Busto de Tamandaré
- Maria Bethânia
- Clã Brasil
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28/01 (sexta-feira)
Local: Ponto de Cem Réis
- Toninho Borbo
- Zeca Baleiro
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29/01 (sábado)
Local: Busto de Tamandaré
- Sex on the Beach
- Manu Chao
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FONTE: http://www.paraiba1.com.br
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terça-feira, 23 de novembro de 2010

Salão Internacional do Livro da Paraíba
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Rafael Oliveira
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Os números do I Salão Internacional do Livro da Paraíba, que vai até o dia 28 próximo, no Espaço Cultural José Lins do Rego, em João Pessoa, impressionam. O evento reúne cerca de 100 toneladas de livros, distribuídos em 80 estandes. Os visitantes podem contar com a variedade de 80 mil títulos de 450 editoras nacionais e internacionais à disposição. Um número pequeno, mas que também faz uma grande diferença, é o valor do livro mais barato encontrado na feira: apenas R$ 3.

De acordo com Robério Paulo Silva, um dos coordenadores do salão e presidente RPS Eventos e representante da Associação Nacional de Livrarias, todos estes números criam expectativas que são comemoradas nos dias da feira. "Com o movimento que estamos tendo, a previsão de vendas ao público e negócios com livrarias é de mais de R$ 5 milhões. Estamos com a expectativa de que mais de 300 mil pessoas passem pelos estandes do Salão Internacional do Livro", diz. O movimento ainda era tímido no sábado, primeiro dia da feira, mas os expositores já perceberam um aumento no movimento. "A tendência é de que, aos poucos, quando a feira está sendo conhecida, o movimento seja cada vez maior", afirma o revendedor de livros Antônio Carlos.
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Para aumentar o movimento, os organizadores trouxeram convidados como o cantor e escritor Arnaldo Antunes, o professor de português Pasquale Cipro Neto, e os escritores Mário Prata, Nélida Pinõn, Fabrício Carpinejar, Marina Colasanti e Mário Prata, que participarão de palestras, shows e sessões de autógrafos. Além das editoras nacionais, há expositores de Portugal, Espanha, Argentina, Venezuela, México, França e Peru. O evento também conta com diversos espaços destinados ao público de todas as idades, com oficinas para adultos e crianças, palestras, workshops, atrações musicais e teatrais.
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Crédito para professores
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Muitos professores estiveram presentes no Salão do Livro durante todo o domingo (21/11) para fazerem suas inscrições no projeto Credilivro, que beneficiou os primeiros mil professores com um cartão magnético de R$ 100 para compra de livros nos estandes do Salão. De acordo com o subsecretário de Cultura do Estado e presidente do comitê organizador do Salão, Davi Fernandes, "houve um atraso no repasse de verbas do convênio Sebrae e Governo do Estado, e por isso os bonus não puderam ser fornecidos de imediato. Por isso, solicitamos aos professores interessados que deixassem uma ficha com seus dados para que pudéssemos entrar em contato com eles", disse.
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FONTE: http://www.jornalonorte.com.br
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domingo, 5 de setembro de 2010

O jovem e a juventude em face da cultura
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Ser jovem hoje reflete experiências diferentes das vivenciadas há alguns anos. Até recentemente, existiam expectativas estáveis com relação ao trabalho e aos padrões de legitimidade cultural que emolduravam as experiências e definiam a juventude. Acreditava-se - e isto se refletiu nas inúmeras pesquisas culturais nas décadas de 1960 a 1980 - que a cultura legítima era construída pelas artes tradicionais: ópera/concerto de música clássica, balé/espetáculo de dança, teatro, cinema, museus/exposições e livraria/biblioteca.
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Aquelas análises pressupunham sociedades estratificadas que legitimavam certas práticas e obras, às quais as classes desprivilegiadas não tinhamacesso. Na verdade, a cultura dos diversos grupos e frações de classe era situada como mais ou menos próxima da cultura legítima (ou dos grupos dominantes); assim, o acesso diferencial a ela convergia para aconstituição de efeitos de desigualdades sociais globais. As hierarquias sociais e econômicas eram fortalecidas por hierarquias simbólicas ou de acesso à cultura legítima. Portanto, a situação econômica encontrava homologias estruturais em relação a distribuição de bens simbólicos.
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As condições atuais apontam direções diferenciadas para as análises nasquais, além das dificuldades decorrentes das mudanças nas condições econômicas, covive-se com reconfigurações das redes de sociabilidade.Nelas, que se tornam cada vez mais heterogêneas, os espaços públicos são minimizados ou quase desaparecem como espaço de convívio, dificultando oreconhecimento de identidades e o estabelecimento de padrões delegitimidade cultural para as diferentes experiências vivenciadas pelajuventude. A situação dos estudos culturais atuais mantém vivas, emparte, as críticas dos anos 1960-1970, mas indica que as condições estruturais das sociedades contemporâneas exercem um efeito dedesagregação sobre as hierarquias tradicionais, multiplicando culturas urbanas, alterando padrões de gosto e embaralhando os padrões delegitimação cultural.
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As transformações na esfera produtiva e no mundo do trabalho são apenasparte dos aspectos levados em conta na reflexão em torno da problemáticada transição para a vida adulta na atualidade. A emergência de novospadrões comportamentais no exercício da sexualidade, da nupcialidade ena configuração dos arranjos familiares também tem sido considerada nastentativas de compreensão e explicação das mudanças nos marcostradicionais da passagem da juventude para a condição adulta. Dessa forma, as trajetórias individuais dos jovens, suas origens sociais, o sexo e os padrões de comportamento - em particular, suas diferentes relações com a cultura e as demandas por "reconhecimento" - complexificam a ideia da juventude como "tempo suspenso" e reconhecem a heterogeneidade das culturas juvenis, além de a situarem no quadro de sua multidimensionalidade.
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A reflexão a seguir explora dois modelos explicativos: o modelo de reprodução da trajetória dos pais e o modelo de experimentação, nas suas possibilidades de justificação de objetivos para as políticas culturais voltadas à juventude. No primeiro caso, a exigência de reprodução da trajetória dos pais pressiona para que o momento do casamento, da maturidade sexual, da entrada no mercado de trabalho e da adoção da lógica da responsabilidade pessoal pelo próprio sustento sejam adiantados, isto é, para que a juventude seja "encurtada". No segundo caso, a movimentação pelos espaços de lazer, da sociabilidade sem finalidade econômica e da experimentação cultural, permite a configuração das identidades pessoais e sociais vivenciadas durante este "tempo suspenso" de ambulação pelas cidades.
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O modelo de experimentação parece mais oportuno para dar conta das atuais demandas por reconhecimento social e por espaços de sociabilidadejuvenil. Estas experiências se relacionam com instituições e circunstâncias específicas, e podem ser vividas nos espaços urbanos informais ou em campos institucionais mais formalizados. Também podemganhar uma conformação específica quando em confronto com o primeiromodelo e com suas exigências ou estruturas de reprodução. De qualquer maneira, os dois modelos analíticos são complementares.
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O experimentalismo da juventude tem três dimensões: demanda por reconhecimento, crítica à cultura consagrada e desejo de acesso à informação cultural. Tudo isso vem adicionado de um forte ecletismo ouhibridismo cultural e da crítica às formas de cultura estabelecidas oulegítimas, no campo das artes ou das formas de vida das gerações anteriores. Pode-se afirmar que este cenário implica fazer críticas às instituições culturais, em especial às escolares, que não se sensibilizam nem se amoldam às exigências da juventude.
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FONTE: Cultura Viva: avaliação do programa arte-educação e cidadania.
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segunda-feira, 23 de agosto de 2010

CineSesc começa nesta segunda em João Pessoa
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A programação do CineSesc “Brasil do Oiapoque ao Chuí”, que visa contemplar filmes ambientados nas cinco regiões do País, começa nesta segunda-feira (23/08) trazendo filmes da Região Norte. Amazonas Amazonas (15’) é o primeiro ensaio em cores do pai do cinema novo, o cineasta Glauber Rocha. O filme mostra as belezas e riquezas naturais da região Amazônica através das características marcantes do documentário Glauberiano. As intenções nacionalistas, as imagens dos trabalhadores, sua rotina, as mercadorias e produtos, são apresentadas por meio de tomadas líricas que perpassam as obras do diretor.
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Um dado curioso desta produção é que o diretor Glauber Rocha filmou “Amazonas Amazonas” com o intuito de obter recursos financeiros para sua obra maior, “Terra em Transe”. O diretor já haveria chegado ao estado com uma idéia preconcebida, mas sentiu-se encurralado quando se deparou com uma Amazonas de riqueza, mas também de muita exploração.
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O longa do primeiro dia de programação é dirigido por Aurélio Michiles e apresenta reflexões do próprio cinema. “O cineasta da Selva (87’)”, conta a história de um garoto que aos 13 anos atravessa o atlântico saindo de Portugal para o Brasil. Encantado pelo Rio Amazonas, Silvino Santos, deseja conhecer de perto as riquezas Amazônicas. Aos 27 anos o jovem garoto filma seu primeiro longa-metragem ambientado no Amazonas; no longa ele apresenta a Amazonas do início do século XX e com ele se torna um mito na região e um dos percussores do cinema no Brasil.
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A programação do CineSesc desta semana continua até a sexta-feira (27/08), com exibições às 12h e às 17h, no miniauditório do Sesc Centro, tendo horário alternativo para as escolas às 9h e às 15h. Os educadores interessados podem agendar as exibições no Setor de Cultura da instituição comerciária, das 8h às 12h e das 14h às 18h. O Sesc está localizado na Rua Desembargador Souto Maior, 281, Centro – João Pessoa. Fone: 3208-2158.

domingo, 15 de agosto de 2010

Cinema e consciência no Brasil atual
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José Carlos Asbeg
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Se os olhos são a janela da alma, o cinema é a janela da consciência. Uma sala de cinema é como um livro, um portal para um mundo novo de compreensões. Criar cinemas é criar espaços de consciência desde as coisas mais banais até as observações mais complexas da vida, do nosso cotidiano, do nosso país, possibilidades de percepção do mundo, crescimento humano. Quando a sala escurece, o filme nos ilumina. A experiência coletiva de ir ao cinema é um dos rituais culturais mais marcantes de todo o século XX, o século de consolidação da imagem como o mais poderoso instrumento de informação.
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A proposta governamental de novas salas de exibição por todo o país, em cidades que tenham entre vinte mil e cem mil habitantes é um primeiro esforço para levar a informação e a cultura cinematográfica a milhões de excluídos. Que o Brasil tem um déficit alarmante de salas de cinema é sabido e lamentado há anos. Há anos, também, vemos cinemas de rua virar igrejas ou mercadinhos de bairros - na verdade, não há quase diferença entre um e outro. Os cinemas hoje praticamente se
escondem em centros comerciais.
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Portanto, a notícia é animadora, mas traz vários pontos de interrogação. É preciso desembrulhar o pacote da ação ministerial, que ainda deixa margem a dúvidas. Ao lado da boa intenção muitas vezes vem a ação que pode acabar dando em nada. Trata-se de uma excelente oportunidade para se discutir mais amplamente a indústria do cinema no Brasil. Seria uma pena perder mais esta chance. O programa pode apontar para uma necessária renovação nas relações do setor cinematográfico do país. Vamos a alguns pontos:
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01. Muito bom que as cidades pequenas ou do interior do País recebam este incentivo, mas porque os grandes bairros periféricos de megalópoles como Rio e São Paulo, Recife, não recebam a mesma atenção? Os moradores dessas regiões tem que se deslocar até áreas distantes para ver um filme. As periferias precisam ser contempladas também, neste ou em outro programa, urgentemente.
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02. Estas novas salas, fala-se em 1.177, serão construídas com dinheiro público, ou seja, do povo brasileiro, portanto, é obrigatório que elas sejam um espaço para o cinema brasileiro e para todo o cinema brasileiro. Pode parecer redundante, mas não é. O novo cinema comercial brasileiro, que este ano bate recordes de público, é uma ponta de lança na reconquista do espectador nacional. Isso é excelente. Mas há outras vertentes do cinema brasileiro que precisam de espaço, como os filmes que não recebem lançamentos tão ruidosos na mídia e os documentários, que vasculham a história, a contemporaneidade, a cultura e até mesmo a alma do Brasil. Estes filmes, a grande maioria de ótima qualidade técnica e verdadeiras declarações de amor ao nosso país, precisam ser igualmente contemplados pelas novas salas.
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03. Já que se trata de dinheiro público, com obrigação das prefeituras de concederem isenção de tributos aos novos exibidores, é preciso que estes cinemas não sejam mais um local privilegiado do cinema americano dentro do país. Sem nacionalismo rastaquera, mas não podemos dar de mão beijada milhões de novos espectadores à indústria Hollywoodiana, que nos impõe um dumping - aliás, por que esse dumping nunca é denunciado? Por que as autoridades fiscais não cuidam mais disso? - que nos enfia goela abaixo filmes que cultuam a violência e o heroísmo individual como formas de ação social e que em nada contribuem para a formação cultural do público brasileiro. Pelo contrário, cada vez mais nos afastamos de nossos valores, ou seja, nos afastamos de nós mesmos para sermos mais americanos do norte.
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04. A ação federal prevê que a prefeitura da cidade conceda isenção fiscal, escolha um empresário que construirá e administrará a sala, e consiga um deputado de seu estado para fazer a emenda ao orçamento e trazer para a cidade 1 milhão e 500 mil reais, custo determinado de cada sala. O que determinou a escolha deste caminho? Por que a intermediação política? Quem fiscalizará quem? Como foi calculado o custo de cada cinema? Estamos falando de 1 bilhão 765 milhões de reais que serão movimentados. É um bocado de dinheiro. Se dinheiro na mão é vendaval, como canta Paulinho da Viola, dinheiro público é água, evapora num segundo no calor tropical.
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05. Um dos grandes nós da cadeia cinematográfica brasileira é a divisão da renda de bilheteria, o que leva os produtores a buscar remuneração quase que exclusivamente na fase de produção dos filmes e não no retorno de bilheteria, como acontece com qualquer outro produto oferecido ao mercado consumidor, Em geral os exibidores ficam com metade da arrecadação do filme. È exorbitante, altamente injusto. Em seguida, os distribuidores retiram suas parcelas e recuperam os gastos que informam ter tido com lançamento. Esses percentuais chegam depois dos impostos, cobrados em cascata - do exibidor, do distribuidor e, por fim do produtor. Quando o produtor vai receber sua parte, é uma raspinha de nada, logo ele, que empreendeu, que gerou aquele produto, que movimentou a indústria, deu trabalho a centenas de profissionais, ocupou laboratórios e arquivos. Essa relação é um castigo para os produtores e um ciclo vicioso sem saída. Se os produtores não conseguem remuneração de bilheteria, buscam nos orçamentos da produção a saída para seus bolsos, o que é uma inversão do princípio capitalista que rege as relações comerciais no Brasil e no mundo ocidental. Na verdade, os produtores brasileiros são completamente desesperançados da venda de seus filmes. Quando acontece um sucesso (ainda bem) ou ele é exceção à regra ou vem num movimento de grife, caso hoje das películas chanceladas pela Globo Filmes. As novas salas podem ajudar a mudar esta relação.
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06. A exibição digital já é uma realidade no país e traz a vantagem de baratear enormemente custos para toda a cadeia cinematográfica, desde a produção, passando pelo lançamento até a exibição. Estas novas salas precisam obrigatoriamente ser digitais e não mais analógicas, porque trazem duas vantagens imediatas: primeiro, e importantíssimo, o ingresso pode e deve ser mais barato, porque toda a cadeia tem custos menores, o que possibilita o acesso do cinema a um maior número de espectadores; segundo, e não menos importante, o cinema digital impõe muito menos dano ao meio ambiente - ver trabalhos assinados por Adailton Medeiros, do Ponto Cine, no Rio de Janeiro.
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07. É preciso abrir a construção das novas salas para grupos de reconhecida capacidade exibidora e que se dedicam de fato à formação de platéia para o cinema brasileiro e para o cinema de consciência, como, por exemplo, o Ponto Cine e o Cine Bancários, de Porto Alegre. São salas que se dedicam a um trabalho sério, onde predominam as produções nacionais. São dois exemplos, dois espaços aliados dos produtores, duas salas de excelente qualidade técnica e de enorme preocupação com o que é oferecido ao público. Se o objetivo da medida é apoiar o setor exibidor, que os circuitos alternativos de comprovada competência sejam ouvidos e tenham a oportunidade de participar deste esforço nacional.
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08. As novas salas precisam ser, por fim, blindadas da picaretagem imobiliária. Não podem ser construídas e logo depois transformadas em igrejas, que trazem uma proposta inteiramente oposta à do cinema: um filme é uma viagem da consciência; a religião comercializada dos novos cultos é o pesadelo do infortúnio castigado. Os exibidores-donos dessas salas não poderão vender ou demolir os imóveis nem daqui a cinqüenta anos e quando o fizerem que tenham a obrigação de construir um novo cinema para comunidade que pagou pela construção da que foi demolida ou vendida.
Que venham as novas salas, mas que sejam para abrir corações e mentes, desde a proposta de construção, passando por uma nova relação remunerativa do tripé cinematográfico, até o encontro do cinema com o público.

terça-feira, 27 de julho de 2010

Programação cultural é destaque da Festa das Neves
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Paralamas do Sucesso, Roberta Miranda, Nando Reis, Beatles Abbey Road, Clube do Balanço, Nonatos, Capim Cubano, Odair José e outras atrações, incluindo artistas da cultura popular, estão na programação Festa das Neves 2010 - 'João Pessoa no Melhor de Sua História'. As comemorações do aniversário de 425 anos da capital paraibana começam nesta sexta-feira (30/07) e seguem até 5 de agosto, sempre a partir das 19h no Ponto de Cem Réis.
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O evento é realizado pela Prefeitura de João Pessoa (PMJP) , por meio de sua Fundação Cultural (Funjope). Até o último dia da festa, serão três atrações por noite, totalizando 21 shows apenas no palco principal. Além disso, também haverá um espaço dedicado para a cultura popular que acontecerá em horários alternativos.
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Na primeira noite Roberta Miranda sobe ao palco onde interpretará canções que marcaram sua carreira e que retratam o amor que a cantora sente por sua terra natal, João Pessoa. Mesmo morando em São Paulo, as belezas da Capital foram fonte de inspiração para que ele escrevesse canções como "Tambaú", que faz verdadeira reverência a uma das praias mais tradicionais da Paraíba. No show, Roberta promete mostrar por que merece o título de "Rainha da Canção Sertaneja", conquistado logo no inicio da carreira. Ainda na sexta-feira (30/07), se apresenta Luzinete e o grupo Caronas do Opala, com seu repertório bem humorado.
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Já na noite de 4 de agosto, justamente na contagem regressiva para o aniversário dessa jovem senhora de 425 anos, as homenagens ficam por conta do Paralamas do Sucesso, que tem como um dos integrantes o paraibano Herbert Viana. O grupo dará às boas vindas ao dia seguinte que se anuncia, tão especial para esse povo do extremo oriental das américas. A data é a coroação de uma João Pessoa lindamente quatrocentona, que está no melhor de sua história.
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Confira a programação do Ponto de Cem Réis:
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30/07 (sexta-feira): Luzinete - Caronas do Opala - Roberta Miranda;
31/07 (sábado): Lucas Sales - Kaká Santa Cruz - Beatles Abbey Road;
01/08 (domingo): Capim Cubano - João Linhares - Clube do Balanço;
02/08 (segunda-feira): Carlito - Nando Reis - Diana Miranda;
03/08 (terça-feira): Nonatos - Forró Zoar - Gracinha Teles;
04/08 (quarta-feira): Nayá - Unidade Móvel - Paralamas do Sucesso;
05/08 (quinta-feira): Omelete - Odair José - Léo Almeida.