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quinta-feira, 29 de abril de 2010

Conferências têm alterado democracia brasileira
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A realização de conferêncais nacionais com etapas regionais tem alterado a forma da democracia em nosso país. Em recente pesquisa do Instituto Universitário de Pesquisas do Rio de Janeiro (Iuperj), constatou-se que os fóruns abertos à população para formulação de polítcas públicas tem alterado o modelo de democracia e tido efeitos reais na aprovação de leis.
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De acordo com o levantamento da Iuperj, denominado “A Democracia Brasileira entre Representação e Participação: As Conferências Nacionais e o Experimentalismo Democrático Brasileiro”, das 1.937 diretrizes das conferências analisadas, foram gerados 2.808 projetos de lei e propostas de emendas constitucionais, ainda em trâmite à época da pesquisa. Além disso, foram identificados outros 321 projetos de lei e emendas constitucionais aprovados, sendo 312 leis ordinárias ou complementares e nove emendas constitucionais, totalizando 3.129 proposições legislativas.
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A professora Thamy Pogrebinschi, da Iuperj, analisou os resultados de 80 conferências com caráter deliberativo (que gera documento com propostas de normas e leis), realizadas desde 1988. Além do Poder Legislativo, as conferências pautam os atos normativos, as portarias e as medidas administrativas do governo.
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Os resultados práticos das conferências, segundo a pesquisadora, estabelecem uma forma inédita de cooperação entre Estado e sociedade civil, e não teme que possa haver uma cooptação pelo Estado. "É uma forma da sociedade civil, por dentro do Estado, vir apresentando as suas próprias demandas. Essa cooperação de modo algum implica em cooptação. Ao contrário, fortalece a sociedade civil e a mantém autônoma."
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“Esse estudo se propõe a investigar o impacto do processo das conferências nacionais na produção legislativa. O processo foi fortemente dinamizado no governo do presidente Lula, ao ponto de que mais de 60% de todas as conferências realizadas desde 1941 aconteceram de 2003 para cá”, disse o secretário nacional de Articulação Social, Gerson Almeida. Na amostra de 80 conferências, 56 ocorreram nos últimos sete anos; e de 33 temas identificados pela pesquisa, 32 foram tratados no período.
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Como exemplos dos resultados das conferências estão o terceiro Plano Nacional de Direitos Humanos (PNDH-3), o Sistema Único de Saúde (SUS), o sistema nacional de assistência social e o Plano Nacional de Combate à Desigualdade Racial. Para a pesquisadora Pogrebinschi, o melhor exemplo é o PNDH-3 por considerar os resultados de mais de 50 conferências traz políticas públicas para mulheres, indígenas, negros, quilombolas, mas também para segurança pública, desenvolvimento agrário e cidades.
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FONTE: http://www.revistaforum.com.br
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Sob o signo da meada
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Theotonio de Paiva (*)
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A figura de Tiradentes carece de ser analisada sob um duplo aspecto simbólico. Primeiramente vale notar o seu significado de luta pertencente a uma determinada esfera política expressa sobremaneira na Conjuração Mineira. Ali reside o seu eixo central, pautado pela observância de uma compreensão de mundo, ancorada fortemente nos ideais iluministas e, consequentemente, numa decisão de se ver livre do jugo autocrático da coroa portuguesa. A partir do problema lançado pela derrama, criavam-se assim as condições de se pensar num projeto de nação.
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No entanto, aquele mesmo projeto que o alferes terminaria por simbolizar estaria carregado de algumas contradições terríveis. Uma condição primeira se evidenciaria, em parte, numa motivação ingênua, distante das condições minimamente exequíveis de um empreendimento daquela ordem. Sabemos que a pulsão estabelecida pelo sonho não irá respeitar os limites impostos pelas adversidades. De qualquer maneira, havia um fosso descomunal entre o sentido proposto por aqueles ideais, que bem poderiam ser vistos como revolucionários, e as condições políticas materiais de sua execução.
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Além do mais, a tragédia anunciada daquele sujeito que mais claramente estaria identificado à questão da libertação de um Brasil colonial, ganharia algumas condicionantes de profundas implicações. Na sua desmedida, iria “trabalhar para todos”. Mas o que lhe aconteceria pelos séculos sangraria de um sentido muito acima daquele vaticínio lançado, no qual assinalava de que “havia de armar uma meada tal, que em dez, vinte ou cem anos se não havia de desembaraçar”.
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A distância de interesses entre os demais participantes, enfeixados numa elite intelectual e econômica, e o desbaratamento de Tiradentes em uma ação compulsiva, se revelaria, na leitura dos autos da devassa, como um préstito de natureza aparentemente insondável. Ao imputar para si a responsabilidade do movimento, o alferes abrevia a farsa montada pelo poder despótico. É nela em que se irá evidenciar aquela expressão simbólica.
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Ao terem os demais a pena comutada, Joaquim José encarnaria a imagem trágica do bode expiatório naquele corredor da morte que o levaria da prisão até o cadafalso, no Largo do Rossio. As janelas das casas comungariam com a coroa portuguesa a encenação montada para servir de exemplo às gerações futuras. A casa demolida, o terreno salgado, o corpo esquartejado pelos cantos, a descendência excomungada, entoariam cânticos de louvor ao arbítrio, além de servirem pedagogicamente, na sua dimensão catártica, de um freio exemplar a qualquer rebeldia tresloucada contra o poder maior.
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No entanto, a imagem de Tiradentes não ficaria reduzida apenas àquela emblemática ação do jugo português. Nela caberia uma construção igualmente perversa, nascida que fora nos intestinos de um outro poder autoritário, que se pretendia moderno, revolucionário. De fato, guardaria como uma das suas principais obras igualmente a expressão de uma ausência de liberdade. Ao plasmar a figura de Tiradentes ao mito cristão, com a barba longa enfeixando a túnica branca e a corda ao pescoço, o Estado Novo corrobora na criação de uma simbologia da reverência.
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Ao divinizá-lo, retoma para si aqueles procedimentos medievais adotados pela Igreja Católica e pelo Estado português: fazer coincidir mitos que escapavam ao seu controle a uma imagem cristã. Como sabemos, ao se apropriarem daquelas divindades pagãs, reinventavam uma feição marcadamente conservadora para as suas crenças. No caso da ditadura Vargas, se enalteceria o sacrifício, a dor, o sofrimento pungente. Afastava-se com extrema sabedoria da força que poderia ser testemunhada numa outra narrativa simbólica, cujo pendor claramente se identificava com a expressão dos oprimidos.
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Mas curiosa é a história dos homens. Ao vislumbrar a possibilidade de se ater às fabulações futuras e amarrar o País a um projeto que escancarava os desmandos da coroa portuguesa e as velhacarias do poder republicano, solidamente constituído pela força, a figura de Tiradentes se prestaria a símbolo de uma condição diversa, muito mais vigorosa e de forte impacto nos corações e mentes. Em sua condição de um elemento visivelmente provocador poderia nos ajudar a compreender as diversas intenções apostas quando o povo se mobiliza a mudar o seu destino e as instâncias o enganam e o atemorizam a permanecer omisso.
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(*) Dramaturgo e diretor de teatro. Doutor em Teoria Literária pela UFRJ.
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FONTE: http://www.outraspalavras.net/?p=1092
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quarta-feira, 21 de abril de 2010

OFICINA DE JORNALISMO 2010
CONTEÚDO PROGRAMÁTICO
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Módulo I – Introdução a Comunicação
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1. Conceitos, elementos e tipos de Comunicação;
2. Cidadania e Direito a Informação;
3. Comunicação de massa e globalização;
4. Comunicação Comunitária e transformação social;
5. Folkcomunicação e participação popular;
6. Democratização da Comunicação;
7. Digitalização da Comunicação.
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Módulo II – Introdução ao Jornalismo
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1. Conceitos e história do Jornalismo;
2. Categorias e gêneros jornalísticos;
3. Estrutura da notícia jornalística;
4. Agências de notícias;
5. A imprensa paraibana;
6. Noções de Fotojornalismo;
7. Cinejornalismo no Brasil.
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Módulo III – Os meios de comunicação alternativos
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1. O fanzine;
2. O jornal comunitário;
3. O rádio comunitário;
4. O cinema alternativo;
5. Os blogs e redes sociais;
6. Mídia e juventude.

Câmara Ligada na juventude
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Imagine um programa de auditório em que a plateia, formada por estudantes, dá sua opinião sobre temas como violência, oportunidades de trabalho, a ameaça das drogas, doenças sexualmente transmissíveis, política, entre outros. Imagine que o ponto de partida para a discussão sejam as letras de bandas e artistas oriundos dessa mesma realidade – os bairros mais pobres. E que esse programa seja produzido por uma emissora de TV pública. Esse programa existe, se chama Câmara Ligada, uma produção da TV Câmara.
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O Câmara Ligada estimula os jovens que não têm intimidade com a política a debater temas de seu dia-a-dia. É também um canal de comunicação entre o Parlamento e o público-alvo, situado na faixa etária entre 15 e 24 anos, a mesma usada pela ONU para definir juventude. São cerca de 34 milhões de brasileiros nesta idade, segundo o censo de 2000. Jovens que em sua maioria têm uma certa rejeição à política, resvalando para o descrédito em relação às instituições democráticas.
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O programa começou a ser produzido em 2003 pela TV Câmara, em parceria com a a Unesco, o Sesc e a Agência de Notícias dos Direitos da Infância (Andi). O Câmara Ligada busca responder às questões levantadas no livro “Remoto Controle – Linguagem, Conteúdo e Participação nos Programas de Televisão para Adolescentes”, editado pela ANDI, Unicef e Editora Cortez. A obra analisou todos os programas já produzidos para jovens no país e concluiu que, neles, os brasileiros com menos de 24 anos são relegados ao papel de figurantes. No Câmara Ligada, eles passam a ser protagonistas.
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A definição de pautas, da abordagem, do cenário e todo o processo que envolveu a criação do Câmara Ligada resultou do trabalho de dois conselhos montados para colaborar com a equipe da TV Câmara. O primeiro, formado por jovens identificados em uma pesquisa de opinião realizada com cerca de 500 estudantes em diversas escolas de Brasília. O segundo, composto por especialistas em juventude, com representantes dos parceiros oficiais Unesco, Andi e Sesc e da professora Vânia Lúcia Quintão Carneiro, da UnB.
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Cada programa enfoca um tema específico, pautado pelos próprios jovens. O Câmara Ligada é apresentado por Evelin Maciel, dirigido por Guilherme Bacalhao e produzido por Shirley Farias, sob a coordenação de Maíra Brito. Assista ao Câmara Ligada na TV Câmara: toda sexta-feira, às 19h; sábado, às 17h30; e domingo, às 22h.
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FONTE: http://www.camaraligada.com.br
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ACTA: uma ameaça ao conhecimento livre
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Em 25 de março deste ano, o governo de Barack Obama tornou público o esboço de um acordo internacional espantoso. Eufemisticamente denominado ACTA – as iniciais em inglês de Acordo Comercial Anti-Falsificação - ele tem objetivos muito mais vastos. Incide sobre a circulação de bens simbólicos – a atividade que mais mobiliza a criatividade humana no presente, e também a que mais desperta expectativas de lucros. Mas o faz no sentido do controle. Ao invés de incentivar e qualificar a expansão das trocas livres, restringe e mercantiliza o intercâmbio de cultura, conhecimento, marcas e fórmulas necessárias ao combate das doenças.
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Recorre, para tanto, a métodos totalitários e policialescos, que ferem em múltiplos pontos a Declaração Universal dos Direitos Humanos. Permite violar correspondência sem ordem judicial e intervir na comunicação pessoal. Encarrega os provedores de acesso à internet e os serviços de hospedagem de sites de vigiar e punir os internautas. Criminaliza, em especial, a troca não-comercial de arquivos via internet, o que ameaçaria milhões de pessoas com penas de prisão. Atinge kafkianamente o software livre – ainda que os programadores que o constroem não reivindiquem direito a propriedade.
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Como frisa James Love, no Knowledge Ecology International, um dos site envolvidos na mobilização internacional sobre o tema, o ACTA enquadra, sob o conceito de “escala comercial”, não apenas o que tem “motivação direta ou indireta de ganho financeiro”, mas “qualquer sistema de grande amplitude”. Em outras palavras, as grandes corporações que comercializam produtos culturais querem colocar fora da lei aqueles que os oferecem gratuitamente... É uma ameaça, a longo prazo, até mesmo a serviços como o Google.
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Estabelece penas que ultrapassam a pessoa do suposto infrator, violando um princípio jurídico que vem do direito romano. Bloqueia a circulação internacional de medicamentos genéricos, que considera frutos de violação à propriedade intelectual das indústrias farmecêuticas. Submete os serviços públicos de alfândega a interesses e determinações de empresas privadas. Procura frear a emergência dos países do Sul do planeta e a possibilidade de uma divisão mais justa da riqueza — congelando a divisão internacional do trabalho hoje existente.
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Debatido sigilosamente há três anos, o rascunho do acordo só veio à luz depois de uma série de pressões de grupos da sociedade civil e de alguns parlamentares. Mas a falta de transparência nunca foi completa. Sucessivas baterias de reuniões internacionais foram desenhando o ACTA. A elas tiveram acesso os governos de um pequeno grupo de países: Estados Unidos, Japão, Suíça e União Europeia, desde 2007; Austrália, Canadá, Coreia do Sul, Emirados Árabes, Jordânia, México, Marrocos, Nova Zelândia e Singapura, numa segunda etapa. E embora excluíssem os Parlamentos, os representantes do Poder Judiciário e a sociedade civil, os governantes sempre tiveram a companhia dos grandes lobbies empresariais — o que bastaria para atestar o caráter não-republicano e ilegítimo desta absurda proposta.
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O ACTA é o lance mais recente de uma grande disputa civilizatória, que emergiu na virada do século e marcará, agora está claro, as próximas décadas. Por um lado, a economia do imaterial e a internet abrem, entre os seres humanos, possibilidades inéditas de liberdade, autonomia, des-hierarquização, invenção e criação colaborativas de riquezas. Na direção oposta, setores do capital procuram capturar esta riqueza comum. Para tanto, investem inclusive contra as liberdades conquistadas já na época da Revolução Francesa.
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Mecanismos para restringir a soberania dos Estados e sociedades, impedindo-as em especial de “interferir” sobre a “autonomia” das grandes empresas, foram propostos pelo Acordo Multilateral de Investimentos (AMI). Articulado até 1998, no Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômica (OCDE), ele exigia pagamento de indenizações aos “investidores”, sempre que os Estados adotassem medidas que pudessem resultar em redução de lucros – uma legislação trabalhista ou ambiental mais protetoras, por exemplo. Foi também negociado em sigilo, mas ao final vencido por uma articulação da sociedade civil. Ela se espraiou por diversos países – o que era, então, incomum – e ganhou força ao denunciar o caráter oculto, e portanto antidemocrático, da iniciativa da OCDE.
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Eram tempos de forte supremacia das ideias neoliberais. Por isso, a derrota do AMI pareceu mero acidente de percurso. Mecanismos muito semelhantes foram incluídos, pela Organização Mundial do Comércio (OMC), na convocação de uma rodada de negociações internacionais para liberalizar as trocas internacionais – a chamada Rodada do Milênio. Ela previa, além disso, enorme pressão para que os Estados desarticulassem suas redes de serviços públicos (Educação, Saúde, Água, Saneamento, Transportes e tantos outros, em muitos casos gratuitos) e os transformassem em mercadorias. Naufragou em Seattle, em dezembro de 1999, diante de uma mobilização internacional maciça, de características até então desconhecidas (como o protagonismo múltiplo e a horizontalidade) e diretamente precursora dos Fóruns Sociais Mundiais.
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FONTE: http://diplo.org.br
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terça-feira, 20 de abril de 2010

Pelo fim do Serviço Militar Obrigatório
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Wellington Silveira
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Se existe algo que deve morrer de velhice no Brasil é o serviço militar obrigatório. Para que fingir que continua ser necessário forçar rapazes acima de 18 anos a se alistar no Exército? Em vez do serviço militar, rapazes e moças deveriam dedicar um ano de suas vidas para servir à comunidade. Os filhos da classe média e da elite aprenderiam mais sobre o Brasil real se entrassem no mundo das crianças que nascem com pouco ou quase nada. Se fossem convocados a compartilhar o que sabem com o rodapé da pirâmide social.
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Pela lei atual, até o brasileiro que mora fora do país é obrigado a se alistar. Claro que há muitos jeitinhos para evitar os doze meses no quartel. Só se ingressa no Exército hoje quem deseja seguir carreira nas Forças Armadas ou quem precisa ganhar um salário mínimo como recruta. Os universitários costumam conseguir dispensa. Muitos se formam sem ter a menor idéia de como se equilibra na linha da pobreza a massa de brasileiros. É impressionante como a sociedade brasileira não oferece oportunidades de convivência entre cidadãos de diferentes camadas socioeconômicas. A sociedade vem se transformando em uma ilusão onde as pessoas se esbarram apenas. Há um apartheid social entre ricos e pobres.
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Poucos jovens carentes chegam às concorridas universidades públicas gratuitas, e as particulares são proibitivamente caras. Recentemente assisti a uma entrevista de um ex-professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) por 16 anos. A cada ano ele se perguntava de onde vinham seus alunos: “só tive dois que haviam estudado em colégio público municipal, embora a rede municipal do Rio tenha mais de 800 mil alunos”, disse o educador.
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Nas grandes cidades, a cultura dos condomínios cria uma juventude que se apega a privilégios e costuma sentir medo ou desprezo por pobres. Jovens de classe média alta só trabalham como garçons, garçonetes, babás ou domésticas quando vão para o exterior fazer intercâmbio. Os pais mandam pimpolhos para os Estados Unidos, Europa... Vão estudar idiomas e, muitas vezes lavar pratos. Faz parte do aprendizado de vida e do amadurecimento. No Brasil jamais fariam isso, e não só por vergonha de servir aos seus iguais, mas a mesada tropical é polpuda e o que se ganha aqui nesse tipo de serviço é muito menos do que lá fora. Além disso, no Brasil eles têm domésticas que recolhem suas roupas de grife espalhadas pelo chão.
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O Serviço Civil obrigatório seria uma oportunidade de integração, educação, disciplina. Não existe no Brasil nenhuma alternativa real que promova o entendimento entre as classes, não se treinam o ouvido nem a compaixão, o desprendimento ou a generosidade. Jovens deveriam consagrar um tempo para o bem público, por lei, para criar bases e valores, perceber outros olhares. Por que não um estudante de Direito, no primeiro ano de faculdade, dedicar quatro horas diárias de trabalho a um balcão de atendimento de pequenas causas em favela? O estudante de Ciências Contábeis orientar famílias em pequenos empreendimentos? O estudante de Letras incentivar adolescentes a ler? São tantos universitários financiados pelo povo brasileiro. Porque não retribuir a sociedade durante apenas um ano?
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O presidente Lula chegou a propor, em setembro de 2008, o Serviço Social Obrigatório para homens dispensados do serviço militar e para todas as mulheres brasileiras. Eles prestariam à sociedade serviços relacionados a sua formação técnica, profissional ou acadêmica. Foi engavetado. Minha sensação é que se desperdiça o potencial de um exército de jovens inteligentes e criativos que poderiam ajudar a construir uma sociedade mais justa e menos desigual. Enquanto isso eles ficam sonhando em sair do Brasil sem sequer chegar a entender o país em que nasceram. Nem aprendem a dar bom dia ou agradecer por um serviço prestado. Deveríamos acabar com a obrigatoriedade do serviço militar, que tem um século de vida. É um anacronismo num país de tradição e cultura pacifista. O que o Brasil necessita é educar direito seus filhos.
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FONTE: Lista JSB Unificada.
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segunda-feira, 12 de abril de 2010


OFICINAS 2010.1: inscricoes abertas!

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A expressão radiofônica de uma cartografia sonora
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Cida Golin
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A partir da Revolução Industrial, segundo Schafer (2001), a paisagem sonora tornou-se cada vez mais lo-fi (low fidelity), ou seja, congestionada pela quantidade de sons e suas interferências conflitantes. Ao contrário da paisagem hi-fi (high fidelity), em que é possível uma escuta focada, em perspectiva, a anarquia da paisagem sonora pós-industrial, típica das grandes cidades, favoreceu uma surdez progressiva, comportamentos de não-escuta, a desatenção do sujeito com seu entorno sonoro. Uma das características da paisagem lo-fi é a presença do som contínuo, de baixa informação e altamente redundante. Ao contrário dos sons naturais, a sonoridade artificial da máquina tem uma linha plana e contínua.
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Segundo Wisnik (1989), o mundo mecânico e artificial da vida urbano-industrial é feito de estridência, de choque, influenciando a história da música ao longo do século XX. Eric Satie (1866-1925), por exemplo, utilizou a máquina de escrever como percussão e as sirenes e tiros de revólver, como teclados. Ao fazer de sua música um contraponto ao barulho do ambiente, o músico antecipou o padrão de escuta típico do modelo repetitivo da indústria: apenas um pano de fundo, ocupando uma faixa secundária de atenção do sujeito. O desenvolvimento técnico e a proliferação dos meios de produção e reprodução sonora influíram diretamente na concepção da música concreta e da eletrônica. O ruído é um índice da música e do habitat moderno.
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A ordem expressa nos centros urbanos, no entanto, traduz-se na ausência do contato. Os grupos reúnem-se em pólos comerciais, mais preocupados em consumir do que qualquer outro propósito mais complexo, político ou comunitário. “O individualismo moderno sedimentou o silêncio dos cidadãos na cidade. A rua, o café, os magazines, o trem, o ônibus e o metrô são lugares para se passar a vista, mais do que cenários destinados a conversações”.
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Na medida em que a cidade perdeu a característica de favorecer o diálogo, conforme Munford (1998), transformou-se em espaço de uma luta semântica. Há uma disputa entre interesses comerciais, estéticos e históricos, buscando neutralizar, perturbar ou modificar a mensagem dos outros, “e subordinar os demais à própria lógica, são encenações dos conflitos entre as forças sociais: entre o mercado, a história, o Estado, a publicidade e a luta popular para sobreviver”. O espaço urbano se transformou em um circuito de informação e comunicação, com predominância da imagem e da escrita luminosa, em detrimento do som.
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Walter Benjamin, leitor de uma cidade agônica expressa na poética de Baudelaire, é autor da Trilogia berlinense, composta por uma série radiofônica sobre a cidade de Berlim (1929-1930), e pelos textos Crônica berlinense (1931-1932) e Infância em Berlim por volta de 19002. Na série dirigida a adolescentes, Benjamin utiliza uma variante do chamado tableau, da crônica, adequando-a ao novo veículo sonoro. Percorre-se a cidade pelo olhar de um menino de rua (o flâneur de Paris) atravessando ruas e parques, brinquedos e locais de trabalho em que jovens mecânicos produzem locomotivas para o mundo.
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FONTE: A Expressão Radiofônica de uma Cartografia Sonora:
estudo da série Porto Alegre, paisagens sonoras.
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Empresas de comunicação e projetos educativos
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Michelle Prazeres (*)
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A educação - e a formação, de um modo geral - dos indivíduos deve acompanhar o espírito da época em que estão inseridos, formando sujeitos com condições de ler (criticamente) a realidade. Isso é fato. Assim como é fato que uma das marcas centrais da época em que vivemos é a centralidade da mídia nas nossas vidas. A articulação destes dois fatos de forma natural é perigosa e tem conferido, quase que naturalmente, um novo poder às empresas de comunicação: o poder de educar também nas escolas, construindo o pensamento dos novos cidadãos.
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Não satisfeitas com seus monopólios, audiências e “shares” de mercado exorbitantes, as grandes corporações de comunicação e tecnologia - como, por exemplo, o Grupo Abril, a Rede Globo, a Microsoft, os jornais Folha e Estado de São Paulo e a Telefônica - entraram nas escolas a partir de parcerias com secretarias e, muitas vezes, por intermédio de seus “braços sociais” (institutos, fundações etc). Também não satisfeitas com o fato de entrarem nas escolas como instrumentos, entraram também com seus conteúdos "educativos".
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É certo que a escola precisa se modernizar e acompanhar as tendências da atualidade (ainda que sob diversos riscos). No entanto, é preciso discutir o projeto de modernização da educação, antes de entregá-lo nas mãos de empresários do ramo das mídias. Em geral, o que observamos, é um processo de entrada que desrespeita o campo educacional, não ouvindo sequer quais são as reais demandas das escolas por instrumentos ou conteúdos midiáticos e tecnológicos.
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Ou seja, os campos midiático e político se articulam e decidem a vida do campo educacional em relação à suposta modernização. Suposta porque, convenhamos, equipar escolas em projetos milionários com multinacionais, deixando penetrar na educação pública a lógica das empresas de comunicação e tecnologia e em projetos executados “de cima pra baixo” não se trata necessariamente de modernização. Pelo contrário. Elementos de modernidade convivem com elementos tradicionais da política que ainda precisam de reflexão e solução. Em boa parte das iniciativas, o dinheiro investido em mídia e tecnologia vira discurso de políticos “benfeitores” da educação moderna, salas vazias e equipamentos ociosos por falta de um processo cuidadoso de implementação. Muitas vezes, a “culpa” recai, claro, sobre os profissionais da educação, em tese, despreparados para encarar o mundo novo que, ainda segundo o mesmo discurso, é dominado pelos jovens alunos.
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Processo atravessado
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Esta entrada das mídias e das tecnologias nas escolas, ilustrada pelos exemplos acima citados, é feita com alguma transparência (publicação no Diário Oficial, anúncio oficial com celebração e presença do governador em alguns casos ou publicação nos sites das instituições e no site do Governo do Estado). No entanto, em grande parte delas, o processo de contratação do material, tecnologia ou ferramenta em questão 1. não passou por licitações; 2. não passou por qualquer tipo de discussão pública (inclusive via meios de comunicação da imprensa comercial, que, em tese, são os veículos de ampliação do debate político) ou com os agentes do campo educacional; 3. em geral, não propõe processos de formação dos educadores e alunos para lidarem com os novos materiais e dinâmicas, o que seria considerado um mínimo de diálogo com o ambiente educacional que vai receber novas ferramentas e dinâmicas de ensino.
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A explicação parece simples. Ora, se precisamos modernizar as escolas, levando mídias e tecnologias para as salas de aula, porque não fazê-lo com quem “mais entende do assunto”? Mas é preciso pensar que estamos diante de duas afirmações construídas social e culturalmente, com a “ajuda” preciosa de ninguém mais ninguém menos que os próprios veículos de comunicação, interessados diretos nas parcerias milionárias com as secretarias e sistemas de ensino. Basta acompanhar por alguns dias as coberturas de jornais, revistas e telejornais para se deparar com matérias que afirmam a necessidade de as escolas se modernizarem. Mas não se trata de qualquer modernização. Os discursos são carregados de corporativismo. Além da idéia de modernidade ser construída, é construída também a idéia de que ela deve chegar à escola pelas mãos de quem domina o assunto e de que este alguém são as empresas de comunicação.
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Hegemonia transferida para a Educação
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A verdade é que a hegemonia moral, cultural e política de um determinado grupo social (as empresas de comunicação) adentra a escola travestida de consenso. Esta entrada nos espaços educativos se dá, objetivamente, carregada pelos materiais produzidos pelas empresas privadas de comunicação e, subjetivamente, pela adesão ao discurso e aos valores destas empresas. Por exemplo, podemos afirmar que a adoção de softwares e ferramentas da multinacional Microsoft proporcionam um tipo de aprendizado diferente daquele que seria proporcionado por ferramentas de software livre ou mesmo de outra fabricante. E o que determina a opção da Secretaria de Educação por este material? Mais do que o material, o que leva a secretaria a firmar parcerias com a multinacional para que ela realize uma campanha contra a “pirataria” nas escolas? Em lugar disso, não seria a escola o lugar de reflexão sobre a propriedade privada, o conhecimento livre e as formas de patentes em softwares? Afinal, o que está em jogo? O interesse público ou meia dúzia de interesses privados?
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O fato é que são muitas as lógicas presentes nestas escolhas. Uma delas é a de não ouvir o campo educacional nas decisões político-pedagógicas colocadas para a educação paulista. Outra é a de reforçar vínculos políticos e de favorecimento com as grandes redes de comunicação e tecnologia do Brasil e do mundo. Outra é a da modernização das escolas a partir de valores construídos por estas próprias empresas na cena pública. Em, por fim, a da privatização, ainda que subjetiva, da educação. A entrada sorrateira da lógica empresarial nos espaços educativos. Mais uma vez, é preciso afirmar que não se trata de defender o atraso e a precariedade das escolas. Trata-se, sobretudo, da entrada deste mundo de mídia no espaço educativo regulada pelo Estado e discutida com a sociedade, em especial, os atores da educação.
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(*) Michelle Prazeres é jornalista, mestre em Comunicação e Semiótica (PUC-SP), doutoranda em Educação (FE-USP) e integrante do Intervozes – Coletivo Brasil de Comunicação Social.
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FONTE: http://www.direitoacomunicacao.org.br
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Mundo desigual
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Márcio Demari (*)
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"O maior assassino do mundo e a maior causa de doenças e sofrimento ao redor do golfo é… a extrema pobreza." Os números atuais mostram que 21 países retrocederam em seu Índice de Desenvolvimento Humano, contra apenas 4 na década anterior. Em 54 países a renda per capita é mais baixa do que em 1990. Em 34 países a expectativa de vida ao nascer diminuiu, em 21 há mais gente passando fome e em 14 há mais crianças morrendo antes dos cinco anos.
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No Brasil, 10% brasileiros mais pobres recebem 0,9% da renda do país, enquanto os 10% mais ricos ficam com 47,2%. Segundo a Unicef, 6 milhões de crianças (10% do total) estão em condições de “severa degradação das condições humanas básicas, incluindo alimentação, água limpa, condições sanitárias, saúde, habitação, educação e informação”. A pesquisa ainda mostra que 15% das crianças brasileiras vivem sem condições sanitárias básicas. As áreas rurais do Brasil concentram a maioria das crianças carentes - 27,5% delas vivendo em “absoluta pobreza”.
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Segundo a OIT, os dados de trabalhadores domésticos infantis é espantoso: no Peru, 110 mil; no Paraguai, 40 mil; na Colômbia, 64 mil; na República Dominicana, 170 mil; apenas na Guatemala, 40 mil; no Haiti, 200 mil; e no Brasil – o campeão de trabalho doméstico na América Latina e talvez no mundo – 500 mil. Com 53,9 milhões de pobres, o equivalente a 31,7% da população, o Brasil aparece em penúltimo lugar em termos de distribuição de renda numa lista de 130 países. É o que mostra estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), recentemente divulgado pelo Ministério do Planejamento.
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Das 55 milhões de crianças de 10 a 15 anos no Brasil, 40% estão desnutridas. 1,5 milhão entre 7 e 14 anos está fora da escola. A cada ano, 2,8 milhões de crianças abandonam o ensino fundamental. Das que concluem a 4ª série, 52% não sabem ler nem escrever. Mais de 27 milhões de crianças vivem abaixo da linha da pobreza no Brasil, e fazem parte de famílias que têm renda mensal de até meio salário mínimo. Aproximadamente 33,5% de brasileiros vivem nessas condições econômicas no país, e destes, 45% são crianças que têm três vezes mais possibilidade de morrer antes dos cinco anos.
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A cada 12 minutos, uma pessoa é assassinada no Brasil. Por ano, são registrados 45 mil homicídios no País. No entanto, a probabilidade de um assassino ser condenado e cumprir pena até o fim no Brasil é de apenas 1%. O Brasil é, segundo a ONU, o país onde mais se mata com armas de fogo. Todos os anos são mortos 40 mil brasileiros; 1,9% do PIB brasileiro é consumido no tratamento de vítimas da violência; A Aids já deixou mais de 11 milhões de órfãos na África; o devastador avanço desta doença fará com que, em 2010, pelo menos 40 milhões de menores em todo o continente tenham perdido pelo menos um de seus pais, segundo a UNICEF. A cada minuto, uma criança morre de AIDS.
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Mais de 1,1 bilhão de pessoas não têm acesso à água potável no planeta, segundo dados da ONU. Outros 2.4 bilhões não têm saneamento básico. A combinação do dois índices é apontada com a causa de pelo menos 3 milhões de mortes todo ano. Um europeu consome em média entre 300 e 400 litros diariamente, um americano mais de 600 litros, enquanto um africano tem acesso a 20 ou 30 litros diários. Um em cada seis habitantes da Terra não tem água potável para beber e dois em cada cinco não dispõem de acesso a saneamento básico.
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Até 2050, quando 9,3 bilhões de pessoas devem habitar a Terra, entre 2 bilhões e 7 bilhões de pessoas não terão acesso à água de qualidade. A fome no mundo, depois de recuar na primeira metade dos anos 90, voltou a crescer e já atinge cerca de 850 milhões de pessoas. A cada ano, entram nesse grupo mais 5 milhões de famintos. A OMS (Organização Mundial da Saúde) estima que 160 mil pessoas estão morrendo por causa do aquecimento global, número que poderia dobrar até 2020 - contabilizando-se catástrofes naturais e doenças relacionadas a elas. Além da morte, a desnutrição crônica também provoca a diminuição da visão, a apatia, a atrofia do crescimento e aumenta consideravelmente a susceptibilidade às doenças. As pessoas que sofrem de desnutrição grave ficam incapacitadas de funções até mesmo a um nível mais básico.
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Muitas vezes, são necessários apenas alguns recursos simples para que os povos empobrecidos tenham capacidade de produzir alimentos de modo a se tornarem auto-suficientes. Estes recursos incluem sementes de boa qualidade, ferramentas adequadas e o acesso a água. Pequenas melhorias nas técnicas de cultivo e nos métodos de armazenamento de alimentos também são úteis. Muitos peritos nas questões da fome acreditam que, fundamentalmente, a melhor maneira de reduzir a fome é através da educação. As pessoas instruídas têm uma maior capacidade para sair deste ciclo de pobreza que provoca a fome.
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(*) Diretor Presidente do Planeta Voluntários - Brasil
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FONTE: Agência de Notícias do Terceiro Setor.
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terça-feira, 30 de março de 2010

Jornalismo de Precisão: uma saída
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Regiane Santos Barbosa
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Jornalismo de precisão é a aplicação de métodos de pesquisa das ciências sociais ao jornalismo. "O domínio da metodologia científica das ciências sociais e sua possível aplicação ao jornalismo constitui a coluna vertebral dessa modalidade jornalística". O criador do método é o americano Philip Meyer. Ainda estudante da Universidade de Havard, ele já era um estudioso dos métodos empíricos de investigação social. Como repórter do Detroit Free Press, ele utilizou as técnicas das ciências sociais para estudar os subúrbios de Detroit.
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A pesquisa feita para essa reportagem derrubou as duas teorias até então aceitas sobre os atos de vandalismo na cidade. Ao contrário do que se pensava, as depredações não partiam predominantemente de pessoas com baixo nível de instrução e de negros oriundos do Sul. Com o cruzamento de dados apurados com embasamento em métodos das ciências sociais, Meyer descobriu que pessoas com curso superior haviam participado dos estragos em porcentagens próximas às que não tinham completado o segundo grau.
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A partir dessa reportagem, o jornalista iniciou uma série de reflexões sobre a aplicabilidade destas ferramentas ao jornalismo, que culminou, em 1973, com a publicação do livro “A reporter´s introduction social science methods”. Em 1991, Meyer publicou seu segundo livro sobre jornalismo de precisão: “The new Precision Journalism”, que explica a aplicação direta de ferramentas como amostragem e inferência estatística nas reportagens para "aumentar o poder tradicional do repórter sem mudar a natureza de sua missão – encontrar os fatos, entendê-los e explicá-los".
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Ainda nesta obra, Meyer discute a Reportagem Assistida por Computador, sub-tema do jornalismo de precisão no qual o repórter usa e analisa informações provenientes de banco de dados da internet. Para Meyer, a falha no jornalismo é que ao mostrar os dois lados conflitantes, o jornalista não tem embasamento suficiente para tirar nenhuma conclusão. Já no jornalismo de precisão, o repórter, armado com os métodos de investigação científica, pode fazer avaliações úteis sobre o tema analisando, uma vez que está munido de metodologia e da objetividade da ciência.
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O repórter que pretende incorporar a prática do jornalismo de precisão deve conhecer e compreender conceitos de diversas áreas das ciências humanas, como sociologia, antropologia, psicologia e filosofia e ainda deve estar ciente de que, mesmo sendo dono de vasto conhecimento, nenhuma verdade, mesmo que pesquisada, medida e avaliada por métodos científicos, é absoluta. "O sentimento de certeza não é o teste da certeza. Já tivemos certeza absoluta de muitas coisas erradas". A premissa básica do jornalismo de precisão é saber o que fazer com os dados. Para isso, o repórter precisa conhecer e compreender as cinco etapas para o desenvolvimento do trabalho no jornalismo de precisão.
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A coleta de dados é a primeira delas. Ela consiste em ir a campo para realizar pesquisas definidas previamente após estudo que engloba qual método adequado para coletá-los. O passo seguinte fundamenta-se no armazenamento dos dados, através da criação de banco de dados, o que facilita a execução da próxima fase, o manejo correto dos dados apurados. Na penúltima fase, a de análise dos dados, observa-se que o jornalista pode encontrar desvios e fenômenos que variam por motivos ainda desconhecidos. Neste caso, ele precisa utilizar outras linhas de raciocínio para chegar à conclusão. Para comunicar essa análise à sociedade, o repórter deve ficar atento para traduzir, em linguagem simples e objetiva, informações e dados complexos, porque uma reportagem não entendida torna-se uma reportagem perdida.
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FONTE: www.observatoriodaimprensa.com.br
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Retirada de tatuagem atrai jovens
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O preço acessível e a variedade de formas e cores levou muita gente a optar por ter uma tatuagem na pele. Os desenhos são feitos com pigmentos que atingem vários níveis da derme, o que permite a duração prolongada das ilustrações. O curioso é que, assim como cresce o número de pessoas tatuadas, aumenta também a quantidade de consultas para retirar os desenhos. Dermatologistas do mundo todo recebem diariamente jovens e adultos insatisfeitos com suas tatuagens, pedindo para que elas sejam removidas. Isso pode ser explicado pela popularização dos tratamentos com laser, que apresentam ótimos resultados.
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"Décadas atrás, a saída para esses casos era a retirada cirúrgica ou a dermoabrasão, que consiste no lixamento da pele tatuada", conta a dermatologista Christiana Blattner. Mesmo com a retirada do desenho, esses procedimentos facilitavam o surgimento de cicatrizes que incomodavam mais do que a tatuagem. A tecnologia a serviço da estética deu um ponto final nesse período. Dois tipos de laser se destacam como os melhores para a retirada das tatuagens: Alexandrite e o ND-Yag.
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"Os lasers Alexandrite e ND-Yag atuam somente nos pigmentos, sendo menos agressivos, menos invasivos. Eles explodem os pigmentos da tatuagem em partículas menores, sem ocorrência de cicatrizes, por isso permitem a recuperação mais rápida da pele", esclarece a médica, que trabalha há 18 anos com lasers. A dermatologista explica que as aplicações de laser são de acordo com a cor do desenho: o laser de Alexandrite é utilizado para tatuagens escuras; já para remoção de cores vermelhas e amarelas utiliza-se o ND-Yag laser. Em ambos os casos, a aplicação do laser promove uma explosão do pigmento em partículas menores que serão absorvidas pela pele.
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O procedimento para a retirada das tatuagens é dividido em sessões, de acordo com o tamanho e o local da tatuagem. Blattner esclarece que o sucesso do procedimento depende também de outros fatores como cores utilizadas nos desenhos e da profundidade do pigmento na pele. "É necessário dizer que há pigmentos complexos de serem retirados, como o vermelho e marrom, pois eles são produzidos a partir do óxido de ferro, muito comum para destacar as sobrancelhas. Com a aplicação do laser, eles podem escurecer", conta a dermatologista.
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A médica Christiana Blattner ressalta que as sessões não são totalmente indolores, mas o tratamento é bem suportado. Ela faz um alerta, pois a facilidade da retirada fez com que jovens se arrependessem dos desenhos precipitadamente. "Sempre converso antes com o paciente, peço para ele me procurar dentro de dois meses, porque do mesmo jeito que ele foi precipitado para fazer a tatuagem, ele pode estar sendo para ficar sem ela", conta. É importante que o paciente também saiba que, em muitos casos, não é possível remover toda a tatuagem. Pigmentos mais profundos continuam na pele, como se fossem uma sombra do que foi a tatuagem. Há casos em que a pele tratada fica mais clara, como uma mancha, ou mais escura, por conta da hiperpigmentação.
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FONTE: http://www.jornalbleh.com.br
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Ipuarana: um museu, uma História
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Lúcia França (*)
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A Estação Cabo Branco Ciência, Cultura & Artes - localizada no Altiplano Cabo Branco, em João Pessoa - recebe até o próximo dia 02 de maio a exposição “Ipuarana: um museu, uma História”. Os horários de visitação foram organizados da seguinte forma: de terça a sexta-feira, das 9h às 21h; sábados e domingos, das 10h às 21h.
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O Museu de Ipuarana é hoje o mais importante detentor de acervo indígena na Paraíba, com uma enorme quantidade de peças museográficas que abordam as missões dos frades Franciscanos nas tribos indígenas Mundurucus, Pataxós e Tyriós. Logo, a exposição será composta por indumentárias, objetos de culto, resquícios arquelógicos, instrumentos musicais e armas, além de acervos de outras tribos locais. Teremos, assim, a grata oportunidade de tratar da questão étnica, pois iremos mostrar um acervo valiosíssimo e desconhecido de muitos paraibanos.
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A exposição além de agregar valor histórico, científico e de resgate identitário, colabora com o Convento Santo Antônio, no sentido de divulgar e chamar a atenção para o Museu de Ipuarana, fechado por falta de condições da Ordem em mantê-lo aberto a visitação pública. Mais informações pelos telefones: (83) 3214-8303 / 3214-8270.
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(*) Curadora Geral da Estação Cabo Branco.
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segunda-feira, 29 de março de 2010

Comunicadores lançam rede pela Reforma Agrária
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Cristina Charão
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Diante da constatação de que as elites tem na grande mídia um dos seus principais instrumentos de ataque aos movimentos sociais, foi lançada no dia 25/03, em São Paulo, a Rede de Comunicadores em Defesa da Reforma Agrária. A rede pretende ser o início de uma contra-ofensiva à criminalização dos movimentos, em especial das organizações que lutam pelo direito à terra no Brasil. Sua primeira tarefa deve ser fazer frente às movimentações de ruralistas e dos veículos tradicionais em torno da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI), montada para, mais uma vez, colocar o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) na berlinda.
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A intenção dos idealizadores da rede é que eventos como o que lançou a rede em São Paulo se repitam país afora. Na capital paulista, o lançamento reuniu João Pedro Stédile, coordenador do MST, e o jornalista Paulo Henrique Amorim em um debate com três dos comunicadores que fazem parte da rede - Altamiro Borges, do Portal Vermelho, Verena Glass, da ONG Repórter Brasil, e José Augusto Camargo, presidente do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Estado de São Paulo.
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Stédile afirmou que está em curso uma tentativa de criminalizar qualque movimento que se pretenda político ou ideológico. “Pobre se organizar para pedir alguma coisa pode. Mas pobre com ideologia, não pode”, ironizou para lembrar que qualquer iniciativa como a rede de comunicadores, ainda que tratando do tema da reforma agrária, estará também atuando no quadro maior da criminalização dos movimentos sociais. Refletindo especificamente sobre a conjuntura específica da questão da reforma agrária, o líder sem terra apontou que o quadro dos conflitos em torno da terra é bem mais complexo do que há 20 anos. A briga não é mais contra o “latifundiário atrasado”, mas contra as grandes corporações internacionais do setor de alimentos aliadas aos fazendeiros capitalistas.
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Aliança entre elites
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Nesta nova conjuntura, as corporações contariam com meios mais elaborados para destruir seus adversários, entre eles a grande mídia. “Hoje, quando os companheirinhos lá do interior do Pará ocupam as terras do Daniel Dantas [dono do Banco Oportunity e que comprou 56 fazendas no sul daquele estado recentemente, somando 10 mil hectares], não é mais pistoleiro contratado que chega lá primeiro, mas o helicóptero da Globo”, disse o coordenador do MST.
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A intervenção da grande mídia se justificaria, segundo Stédile, não só por uma solidariedade entre as elites, mas também porque a atuação dos movimentos pela reforma agrária atrapalha os negócios de grandes anunciantes. O exemplo citado por ele é o mercado de suco de laranja: o maior cliente dos produtores brasileiros de laranja, cujo mercado é dominado por três grandes empresas, é a Coca-Cola. A citação não foi feita por acaso, já que justamente a maior destas empresas, a Cutrale, esteve no centro do mais recente embate midiático entre o MST e os ruralistas. As imagens da ocupação de uma plantação da Cutrale, feita sobre terras devolutas da União no interior de São Paulo, serviram de mote para a instalação da CPMI.
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Esta CPMI, lembra Stédile, é também um modo de se produzirem factóides para tentar desmoralizar o MST e os movimentos sociais. “Essa é a terceira CPI num período de oito anos. Todos os nossos sigilos bancários já foram quebrados, todos nossos telefones são grampeados. Eles tiveram oito anos para denunciar nossas supostas contas no exterior, nossas falcatruas. Não fizeram porque não encontraram nada e continuam criando CPMIs porque o objetivo deles é criminalizar os movimentos sociais."
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Neste cenário, a concentração da propriedade da mídia torna-se um complicador do problema. Como lembrou Paulo Henrique Amorim, “bastam três telefonemas para 'fechar' a mídia brasileira: para os Marinho, para os Frias e para os Mesquita”. O jornalista, mantenedor do blog Conversa Afiada e apresentador da Rede Record, faz referência às famílias que controlam os grupos Globo, Folha de S.Paulo e O Estado de S.Paulo. A mobilização destes três grupos daria conta de colocar todo o aparato de TVs, rádios, jornais e portais na internet destes grupos a favor das pautas conservadoras, além de pautar os outros grandes grupos de comunicação. Amorim sugeriu que a rede trabalhe fortemente através de campanhas pela intenet. Citou como exemplo o Blog da Petrobras, montado pela estatal para divulgar informações na época da realização da CPI que investigava a empresa. A sugestão de Amorim é que nada que saia da CPMI fique sem uma resposta imediata.
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Verena Glass, que trabalha em projetos que denunciam a ligação entre o agronegócio e o trabalho escravo no Brasil, lembrou que há uma naturalização das violações aos direitos humanos no campo. A intervenção de comunicadores engajados neste debate sobre a reforma agrária e a criminalização dos movimentos sociais deve se dar exatamente no sentido de fazer com que não seja natural o trabalho escravo, o assassinato de lideranças sociais e outros crimes. Nas próximas semanas, a rede deve começar a funcionar o blog da Rede de Comunicadores em Apoio à Reforma Agrária, onde ficará concentrado o registro das ações da contra-ofensiva. O endereço é: http://www.reformaagraria.blog.br
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FONTE: http://www.direitoacomunicacao.org.br
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terça-feira, 23 de março de 2010

Orçamento Democrático: audiência nos Funcionários 1
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A primeira etapa do ciclo do Orçamento Democrático (OD) vai ser encerrada nesta semana. Nesta terça-feira (23/03) a audiência acontece na escola Castro Alves, nos Funcionários I (8ª região) e na quarta (24/03), os moradores da 11ª região estarão reunidos com o prefeito Ricardo Coutinho e secretários na escola municipal Violeta Formiga, no Alto do Céu. Na ocasião serão avaliadas as ações do governo e apontar as principais necessidades para a região que devem ser colocadas no orçamento público do Poder Executivo.
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As audiências regionais tiveram início no dia 23 de fevereiro, na 4ª região, momento em que a população indica à Prefeitura de João Pessoa (PMJP) quais são as prioridades de investimentos a serem colocadas nas leis orçamentárias. Segundo dados da Coordenadoria do Orçamento Democrático, cerca de 2 mil pessoas deverão participar desta primeira etapa do ciclo.
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"Finalizada esta primeira etapa, as informações serão sistematizadas e encaminhadas às secretarias apontando as demandadas sugeridas pela população. Estes dados ajudam o Governo Municipal a elaborar de uma maneira mais aprimorada a LDO e a LOA do próximo ano", explicou a coordenadora, Ana Paula Almeida.
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Neste mês em que se celebra o Dia Internacional da Mulher, a Prefeitura de João Pessoa vem desenvolvendo uma série de atividades voltadas para as mulheres. A Coordenadoria do Orçamento Democrático, em parceria com a Secretaria de Políticas Públicas para Mulheres, promove na próxima segunda-feira (29/03), no auditório da Reitoria da UFPB, uma plenária popular direcionada para o público feminino. O objetivo é discutir políticas públicas na perspectiva de gênero e mostrar a relevância da democratização do orçamento, o que representa o exercício da cidadania.
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FONTE: http://www.joaopessoa.pb.gov.br
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Dica cultural: música & dança
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segunda-feira, 22 de março de 2010

Rádio e Internet na liderança da credibilidade
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Izabela Vasconcelos
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Pesquisa divulgada no final de novembro mostra que o rádio e a internet lideram em credibilidade, na frente da TV, jornais impressos, revistas. Para especialistas nas duas mídias, o amadurecimento do público da web, a modernização e integração entre os dois meios são responsáveis pelo resultado. O estudo Vox Populi, encomendado pela Máquina da Notícia, apontou que, em uma escala de 1 a 10, o rádio lidera em credibilidade com nota (8,21), quase empatado com a internet (8,20), seguidos por TV (8,12), jornal (7,99), revista (7,79) e redes sociais (7,74).
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De acordo com o jornalista Alvaro Bufarah, pesquisador e coordenador do curso de pós-graduação em Produção e Gestão Executiva de Rádio da Fundação Armando Alvares Penteado (FAAP), outra pesquisa do Instituto Marplan revela que o rádio se integra muito bem à internet. “O rádio é o meio que melhor se adapta às novas mídias, porque é um meio de companhia, que as pessoas usam pra se informar e entreter. A internet e o rádio se somam de forma ímpar. O rádio se potencializa ainda mais com a internet”, explica.
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Pollyana Ferrari, especialista em mídias digitais, autora do livro “Jornalismo Digital”, concorda com Bufarah, e acredita no poder da integração das mídias. “O caso mais recente é o do apagão. O Twitter e o rádio que deram suporte o tempo inteiro, porque os brasileiros gostam de compartilhar e trocar informações, e isso atinge todas as classes. Esse é um case muito interessante”, destacou. Para Bufarah, o uso de Twitter, torpedos SMS e blogs mostra que o rádio está se modernizando na interação com os ouvintes, mas ainda existe um problema de gestão em algumas emissoras, que nesse caso pode transformar a internet em concorrente. “A internet é uma gigantesca aliada, mas poucos empresários estão atentos a essa transformação. Há emissoras que não investem, têm sites ruins, aí a internet passar a ser um veículo de competição”.
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Outro problema, segundo ele, é a administração das emissoras, que por serem muito tradicionais, acabam deixando de pensar como empresas, restringindo investimento em comunicação interna, planejamentos de marketing e carreira. O especialista também acredita que a modernização do rádio abre espaço para a segmentação, com a criação de diferentes canais no rádio e na internet, o que permite acompanhar o perfil de cada público pela web e traz novas possibilidades para que o mercado publicitário invista nas rádios.
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A confiança na Internet
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De mídia altamente criticada pela instantaneidade e pelo aspecto factual das notícias, a internet passou a encabeçar a lista de credibilidade dos meios de comunicação. Para Pollyana, três fatores explicam essa mudança de cenário. “De 2000 até hoje tivemos um amadurecimento do perfil do usuário, o crescimento da banda larga e o aprimoramento do jornalismo multimídia, que desde 2005 tem feito um trabalho muito interessante nos portais”, afirma.
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Pollyana lembra que a web já foi muito criticada como meio de informação. “Sofremos durante muito tempo por criticarem o conteúdo dos meios online, mas agora os leitores perceberam que existe muita coisa boa nos portais". Com o avanço das novas mídias, a especialista aposta e defende o uso de outras plataformas pelas empresas, até mesmo na cobrança de conteúdo nas redes e mobile. “Poderia se fechar anúncios pelo Twitter e cobrar pelo pagamento de conteúdo diferenciado, mobile, um conteúdo diferente do impresso e dos sites. Eu pagaria por um conteúdo exclusivo”, conclui a pesquisadora.
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FONTE: http://www.comunique-se.com.br
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Direito Autoral: usos educacionais geram polêmicas
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Jacson Segundo
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Imagine a cena: você está assistindo a um filme em uma aula de História da Arte na faculdade e, de repente, a polícia interrompe a sessão e leva o seu professor para prestar depoimento na delegacia por exibir uma obra sem permissão do autor. Pois a atual lei de direitos autorais brasileira (Lei 9.610/98) dá cobertura a esta fictícia ação policial. A mesma lei também permite que um estudante ou dono de estabelecimento de comércio sejam criminalizados por fazerem cópia (não-autorizada) de um livro inteiro em uma máquina de reprografia.
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É por isso que um conjunto de organizações têm voltado suas atenções para os impactos da Lei de Direitos Autorais na área da educação. A intenção é aproveitar a reforma da Lei 9.610/98 que está sendo proposta pelo governo – tendo o Ministério da Cultura (MinC) como ponta de lança – para propor modificações que ampliem o acesso a bens culturais, criando exceções positivas quando o uso desses for para fins educativos e científicos. O MinC pretende colocar uma proposta de um novo projeto de lei sobre o tema em consulta pública até o fim deste mês. Ele receberá contribuições por 45 dias antes de ir para o Congresso Nacional.
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Embora ainda não exista uma versão final do texto que vai para a consulta pública, alguns itens já foram discutidos publicamente pelo governo. O MinC, por exemplo, está trabalhando para achar uma solução para a limitação que a atual lei impõe para a quantidade de cópias que uma pessoa pode fazer de um livro. A proposta inicial é que se acabe com o limite existente hoje – a lei libera apenas pequenos trechos. Para isso, seria criada uma compensação para as editoras, que argumentam que a proliferação das cópias diminuiria a leitura e a venda de livros no País.
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A ideia surgida no MinC seria adotar um sistema de taxação em cima das cópias. O dinheiro arrecadado seria repassado para associações de editoras e elas, por sua vez, destinariam a verba – ou parte dela – para os autores das obras. Seria algo próximo com o que existe na área da música, com o Escritório Central de Arrecadação e Distribuição (ECAD). O limite de cópias seria extinto. Segundo o coordenador geral em Regulação de Direitos Autorais do MinC, Samuel Barichello, a ideia é “tentar caminhar para um modelo que está sendo adotado em outros países”.
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Contra a taxa
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A proposta, porém, não agradou alguns setores que lidam com o tema. Eles pedem que o artigo que propõe a taxa seja extinto. Um dos argumentos é que a taxa seria repassada ao usuário final, deixando o valor da fotocópia ainda mais caro. Outra preocupação é que o valor arrecadado pelas editoras não seja repassado de forma justa aos autores das obras. O advogado do Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec) Guilherme Varella observa que a criação de tal mecanismo pode ter impactos ainda mais graves. Ele alerta que, como a proposta da nova lei não obrigaria as editoras a realizarem esse modelo de licenciamento, algumas poderiam escolher não adotar esse sistema, tornando seus livros indisponíveis.
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O advogado e professor da Universidade de São Paulo (USP) Guilherme Carboni concorda com o representante do Idec. “A proposta do MinC em geral é muito boa. Até no que diz respeito à educação tem pontos positivos. O problema é que traz para a reprografia a possibilidade de pagamento de uma taxa”, diz ele, que também questiona o porquê de a medida ter sido pensada apenas para a reprografia e não para outros suportes como música e vídeos. O gestor do MinC, por sua vez, entende que o mecanismo pode ser eficaz. Para ele, o valor repassado para o usuário pode ser bem pequeno. “Não sobrecarrega o valor da cópia. Lá fora você cobra dois, três centavos a mais”, avalia Samuel Barichello. Além disso, ele diz que a proposta de lei está sendo pensada para incentivar as editoras a participarem do sistema. “A gente não pode obrigá-las. O que a gente busca é que isso aconteça de forma voluntária. Se não for a opção adequada, teremos que pensar outra solução”, afirma.
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Usos educacionais
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Além deste ponto referente a reprografia, a falta de trechos que criam diferenciações para usos das obras em ambientes educacionais também é motivo de críticas. “No entender do Idec, a lei tem que ser mais flexível. A gente sugere uma permissão do uso de obra protegida por direito autoral para uso educacional sem necessidade de permissão do titular nem remuneração. É o que já acontece hoje. Além de espaços escolares, também entrariam espaços educativos, como institutos e Ongs”, diz Guilherme Varella.
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Apesar de ainda não haver uma versão final da proposta de projeto de lei, Samuel Barichello dá uma sinalização positiva para a reivindicação. Ele afirma que o Ministério da Cultura pretende propor que o uso de filmes, vídeos, músicas e outros tipos de obras sejam liberados em salas de aula, sem a necessidade de permissão do autor. Esse uso, porém, poderia ser feito apenas em escolas e, no máximo, em atividades ligadas ao ambiente escolar, como uma apresentação teatral feita por uma turma para a comunidade, por exemplo.
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FONTE: http://www.direitoacomunicacao.org.br
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